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Ferrovia estratégica de Santa Catarina receberá R$ 608 milhões, terá modernização histórica e pode transformar a logística entre Mafra e o Porto de São Francisco do Sul

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 07/06/2026 às 20:19
Atualizado em 07/06/2026 às 20:23
Trem de carga transportando grãos pela ferrovia entre Mafra e São Francisco do Sul em Santa Catarina.
Ferrovia catarinense deverá receber R$ 608 milhões para modernização e ampliação da eficiência logística.
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Projeto de concessão ferroviária prevê investimentos milionários, renovação completa da infraestrutura e fortalecimento do transporte de cargas em uma das rotas mais importantes do Sul do Brasil

A ferrovia que liga Mafra a São Francisco do Sul, em Santa Catarina, está prestes a entrar em uma nova fase de sua história. Com previsão de receber R$ 608 milhões em investimentos na futura concessão da Malha Sul, a linha férrea poderá passar por uma ampla modernização que promete aumentar sua eficiência operacional, fortalecer a logística regional e ampliar a competitividade do transporte ferroviário no Sul do Brasil.

A informação foi divulgada pelo portal NSC Total, com base nos estudos apresentados para a futura concessão do lote Corredor Paraná-Santa Catarina. Além dos investimentos diretos na infraestrutura ferroviária, o projeto também prevê recursos destinados à operação da malha, conhecidos como Opex, durante o período contratual.

Atualmente, essa ferrovia representa uma das mais importantes conexões logísticas de Santa Catarina. Por ela passam cargas destinadas ao Porto de São Francisco do Sul, especialmente grãos voltados para exportação.

Investimentos vão modernizar mais de 200 quilômetros de trilhos

O trecho ferroviário entre Mafra e São Francisco do Sul possui 212 quilômetros de extensão. Conforme os estudos da futura concessão, toda a linha passará por melhorias estruturais significativas.

Entre as principais intervenções previstas está a padronização dos trilhos. Todos os perfis inferiores ao modelo T57 deverão ser substituídos. Esse tipo de trilho possui maior capacidade para suportar cargas pesadas e permite operações mais eficientes.

Além disso, a concessionária deverá realizar a substituição integral dos dormentes de madeira existentes ao longo do percurso. Da mesma forma, haverá recomposição da camada superior do lastro ferroviário, formada por brita. O plano prevê a renovação de pelo menos 80% do volume dessa estrutura.

Ao mesmo tempo, o contrato exigirá nivelamento, alinhamento, regularização e estabilização da via permanente. As chamadas mudanças de via, conhecidas popularmente como “chaves ferroviárias”, também precisarão ser substituídas para adequação aos novos padrões técnicos.

Consequentemente, a expectativa é que a ferrovia ganhe maior capacidade operacional, mais segurança e redução nos custos de manutenção.

Audiências públicas e leilão já possuem cronograma definido

O Ministério dos Transportes definiu um cronograma para o processo de concessão da Malha Sul. As audiências públicas para apresentação da modelagem dos três lotes ocorrerão em julho de 2026.

Em Santa Catarina, o encontro está programado para acontecer em Florianópolis no dia 31 de julho.

Posteriormente, o governo federal pretende lançar o edital da concessão em dezembro de 2026. Em seguida, o leilão deverá ocorrer em março de 2027.

A Malha Sul foi dividida em três segmentos principais:

  • Corredor Paraná-Santa Catarina;
  • Corredor Mercosul;
  • Corredor Rio Grande.

O trecho catarinense entre Mafra e São Francisco do Sul integra o lote Corredor Paraná-Santa Catarina.

Ferrovia possui importância histórica para Santa Catarina

A linha ferroviária tem papel fundamental no desenvolvimento econômico catarinense há mais de um século.

O primeiro trecho foi inaugurado em 1906, conectando Joinville a São Francisco do Sul. Desde então, a ferrovia tornou-se um importante eixo para transporte de mercadorias e integração regional.

Atualmente, grande parte dos grãos exportados pelo Porto de São Francisco do Sul chega por meio dessa infraestrutura. A soja aparece como principal produto transportado pela ferrovia.

Além disso, existe uma operação de menor porte voltada ao transporte de bobinas de aço entre São Francisco do Sul e Araucária, no Paraná.

Por outro lado, o transporte regular de passageiros deixou de operar em 1991. Desde então, a ferrovia passou a atender exclusivamente o transporte de cargas.

Nova concessão terá contrato de 35 anos

A atual concessão da Malha Sul começou há 30 anos e termina em março de 2027. Entretanto, existe a possibilidade de uma prorrogação temporária de dois anos até a conclusão definitiva do novo processo.

O futuro contrato deverá ter duração de 35 anos.

Segundo os estudos apresentados, o lote Corredor Paraná-Santa Catarina possui aproximadamente 1,5 mil quilômetros de extensão. Desse total, cerca de 1,2 mil quilômetros estão localizados em território catarinense.

Apesar disso, a maior concentração de linhas ferroviárias do lote permanece no Paraná, motivo pelo qual parte relevante dos investimentos também será direcionada ao estado vizinho.

Modernização pode fortalecer portos e logística regional

Os investimentos previstos chegam em um momento considerado estratégico para o setor logístico brasileiro.

Com o crescimento das exportações agrícolas e industriais, aumenta também a necessidade de ampliar a eficiência dos corredores de transporte.

Nesse cenário, a modernização da ferrovia entre Mafra e São Francisco do Sul pode reduzir gargalos logísticos e fortalecer ainda mais a competitividade do Porto de São Francisco do Sul.

Além disso, especialistas avaliam que melhorias na infraestrutura ferroviária tendem a reduzir custos operacionais, aumentar a capacidade de movimentação de cargas e diminuir a dependência do transporte rodoviário.

Enquanto isso, projetos paralelos continuam sendo discutidos no estado, incluindo propostas de novas ligações ferroviárias entre importantes polos econômicos catarinenses.

Dessa forma, a futura concessão da Malha Sul poderá representar um dos maiores investimentos ferroviários dos últimos anos em Santa Catarina, contribuindo para o desenvolvimento econômico regional e para a expansão da logística nacional.

E você, acredita que o Brasil deveria investir mais em ferrovias para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade dos portos e da indústria nacional?

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Jefferson Augusto

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