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Ferramenta molecular descoberta com apoio do supercomputador Santos Dumont pode converter resíduos agroindustriais em energia limpa e impulsionar soluções sustentáveis no Brasil

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 10/03/2026 às 15:28
Atualizado em 10/03/2026 às 15:29
Assista o vídeoCientistas analisam amostras de biomassa vegetal em laboratório enquanto utilizam computador para simular enzimas ligadas à conversão de resíduos agroindustriais em energia limpa com apoio do supercomputador Santos Dumont.
Ferramenta molecular descoberta com apoio do supercomputador Santos Dumont pode converter resíduos agroindustriais em energia limpa e impulsionar soluções sustentáveis no Brasil/ Imagem Ilustrativa
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Pesquisadores revelam como uma ferramenta molecular analisada com o supercomputador Santos Dumont pode transformar resíduos agroindustriais em energia limpa, abrindo caminho para biocombustíveis mais eficientes e soluções sustentáveis no Brasil.

Uma nova ferramenta molecular identificada por cientistas brasileiros e estrangeiros pode transformar resíduos agroindustriais em energia limpa, ampliando as possibilidades de produção de biocombustíveis e fortalecendo a bioeconomia.

Segundo publicação feita pelo Laboratório Nacional de Computação Científica – LNCC no dia 9 de março, a descoberta foi possível graças a experimentos laboratoriais avançados combinados com modelagem computacional realizada no supercomputador Santos Dumont, um dos principais supercomputadores científicos do Brasil.

Estudo de energia limpa reúne cientistas de vários países incluindo o Brasil

O estudo reúne pesquisadores de diferentes instituições científicas do Brasil e do exterior. A pesquisa foi liderada por Mario T. Murakami, do Laboratório Nacional de Biorrenováveis do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e contou com a participação de especialistas do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) e de diversas universidades internacionais.

Entre os colaboradores estão cientistas da Aix-Marseille University, do Institut National de la Recherche Agronomique (INRA), do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), da Universidade de São Paulo (USP) e da Technical University of Denmark. A integração entre laboratórios e centros de pesquisa permitiu unir biologia molecular, bioquímica e computação científica em um estudo de grande impacto.

As análises computacionais que ajudaram a entender o funcionamento da enzima foram realizadas com o supercomputador Santos Dumont, instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O equipamento possibilitou simulações detalhadas em escala atômica.

Os resultados da pesquisa foram publicados no artigo científico “A metagenomic ‘dark matter’ enzyme catalyses oxidative cellulose conversion”, divulgado pela revista Nature, uma das publicações científicas mais prestigiadas do mundo.

Ferramenta molecular revela nova estratégia natural para degradar celulose

A ferramenta molecular descoberta pelos pesquisadores é uma enzima metálica inédita capaz de atuar diretamente na degradação da celulose. Esse composto é o principal componente estrutural de materiais vegetais como bagaço de cana-de-açúcar, palha de milho e aparas de madeira, exemplos típicos de resíduos agroindustriais.

A celulose é considerada o biopolímero mais abundante da Terra. Apesar de seu grande potencial como fonte de açúcares fermentáveis para a produção de biocombustíveis, sua estrutura altamente organizada e resistente dificulta sua quebra em processos industriais.

Esse desafio tecnológico é um dos principais obstáculos para ampliar a produção de combustíveis renováveis a partir de biomassa. A nova ferramenta molecular surge justamente como uma alternativa natural capaz de superar essa barreira.

Os cientistas identificaram um microrganismo especializado na degradação de biomassa vegetal e, dentro dele, uma enzima até então desconhecida. Essa descoberta amplia o entendimento de como a natureza realiza a decomposição de materiais vegetais e abre novas perspectivas para aplicações industriais.

Ao atuar de maneira seletiva na estrutura da celulose, a ferramenta molecular promove a oxidação controlada da molécula. Esse processo facilita a conversão da biomassa em compostos que podem ser utilizados na produção de energia limpa.

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Como o supercomputador Santos Dumont permitiu revelar a estrutura da enzima

O papel do supercomputador Santos Dumont foi essencial para desvendar o funcionamento da nova enzima. As simulações realizadas no equipamento permitiram analisar, em nível atômico, como a ferramenta molecular interage com as cadeias de celulose.

Esse tipo de modelagem computacional é fundamental para compreender reações químicas complexas que não podem ser observadas diretamente em laboratório. O supercomputador Santos Dumont possui capacidade para realizar trilhões de cálculos por segundo, o que possibilita simulações altamente detalhadas.

Graças a essas análises, os pesquisadores descobriram que a enzima possui uma estrutura surpreendente. Ela funciona como um sistema duplo integrado que realiza duas funções complementares durante o processo de degradação da biomassa.

Uma parte da ferramenta molecular é responsável por produzir peróxido de hidrogênio, substância essencial para a reação química. Já a segunda parte contém um íon metálico de cobre que executa o ataque oxidativo diretamente na estrutura da celulose.

Essa ação coordenada torna o processo de conversão mais eficiente. O mecanismo funciona como se a enzima “desenrolasse” a cadeia de celulose gradualmente, facilitando sua transformação em moléculas menores que podem ser aproveitadas em processos industriais.

Conversão de resíduos agroindustriais em energia limpa ganha novo impulso

O aproveitamento de resíduos agroindustriais é considerado uma das estratégias mais promissoras para ampliar a produção de energia limpa no mundo. Materiais que antes eram descartados podem se tornar matérias-primas valiosas para biocombustíveis e produtos químicos renováveis.

Entre os resíduos mais comuns utilizados nesse tipo de processo estão o bagaço de cana-de-açúcar, a palha de milho e resíduos de madeira provenientes da indústria florestal. Todos esses materiais possuem alto teor de celulose.

Com o uso da nova ferramenta molecular, os cientistas conseguiram produzir exclusivamente ácido celobiônico durante o processo de conversão da celulose. Essa molécula possui interesse industrial e pode servir de base para a produção de biocombustíveis e outros bioprodutos.

Esse avanço pode tornar mais eficiente a conversão de resíduos agroindustriais em combustíveis renováveis. Ao reduzir a dificuldade de degradar a celulose, a tecnologia ajuda a aproveitar melhor a biomassa disponível. A pesquisa também demonstra o potencial da combinação entre biotecnologia e computação científica. A atuação do supercomputador Santos Dumont permitiu acelerar o entendimento da estrutura da enzima e seu funcionamento químico.

Experimentos com fungos indicam potencial industrial da ferramenta molecular

Para avaliar o potencial aplicado da descoberta, os pesquisadores realizaram experimentos adicionais envolvendo organismos utilizados na indústria. O gene da nova ferramenta molecular foi inserido em um fungo já empregado em processos industriais de degradação de biomassa.

Os testes mostraram um aumento significativo na liberação de açúcares a partir de biomassa pré-tratada. Esse resultado é considerado um passo importante para viabilizar a produção de biocombustíveis de segunda geração.

Esses combustíveis são produzidos a partir de resíduos agroindustriais e não competem com a produção de alimentos, ao contrário de algumas matérias-primas agrícolas usadas para combustíveis tradicionais.

Ao aumentar a eficiência do processo de degradação da celulose, a nova ferramenta molecular pode contribuir para reduzir custos de produção e melhorar o rendimento das biorrefinarias.

Nesse cenário, o uso do supercomputador Santos Dumont continua sendo essencial para novas etapas da pesquisa. Os cientistas seguem realizando simulações para compreender ainda melhor as propriedades da enzima e explorar novas aplicações biotecnológicas.

Avanço científico reforça o papel do Brasil na bioenergia e na economia verde

A descoberta tem implicações relevantes para o futuro da bioenergia. O Brasil possui uma das maiores produções agrícolas do mundo, o que gera grandes volumes de resíduos agroindustriais todos os anos.

A possibilidade de transformar esses materiais em energia limpa representa uma oportunidade estratégica para ampliar a matriz energética renovável e reduzir impactos ambientais. Além disso, a nova ferramenta molecular pode contribuir para fortalecer a chamada economia baseada na natureza, na qual recursos biológicos são utilizados de forma sustentável para gerar energia, materiais e produtos industriais.

O estudo também destaca a importância da infraestrutura científica nacional. O supercomputador Santos Dumont é um exemplo de como a computação de alto desempenho pode acelerar descobertas e ampliar o conhecimento sobre processos biológicos complexos. Com novas simulações em andamento, os pesquisadores esperam aprofundar o entendimento sobre a enzima e explorar novas possibilidades de aplicação.

Caso os resultados continuem positivos, a ferramenta molecular poderá se tornar um componente importante em tecnologias voltadas à produção de energia limpa a partir de resíduos agroindustriais. Essa linha de pesquisa demonstra como a integração entre ciência, tecnologia e inovação pode gerar soluções sustentáveis para desafios energéticos globais.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

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