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Fazenda em Minas transforma bagaço de cana e resíduos em carne: confinamento engorda 30 mil bois em apenas 50 hectares, substitui adubo importado com esterco, devolve nutrientes à lavoura e ainda ajuda usina a gerar energia para 700 mil casas

Publicado em 03/12/2025 às 09:42
Assista o vídeoFazenda mineira transforma bagaço de cana e esterco em carne e energia, unindo agricultura e pecuária em ciclo sustentável de alta produtividade.
Fazenda mineira transforma bagaço de cana e esterco em carne e energia, unindo agricultura e pecuária em ciclo sustentável de alta produtividade.
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Na mesma Fazenda onde o bagaço alimenta o gado, o esterco volta como adubo orgânico para a cana, reduz compra de fertilizante importado, mantém 30 mil bois confinados em 50 hectares e ainda reforça a energia que abastece 700 mil residências brasileiras todos os dias sempre limpa, estável e sustentável.

Na Fazenda Queiroz & Queiroz, em Frutal, no Triângulo Mineiro, o que parece sobra da indústria sucroalcooleira vira negócio em escala. Em apenas 50 hectares, um confinamento de alta tecnologia mantém cerca de 30 mil bois engordando com bagaço de cana e outros resíduos que seriam descartados.

Enquanto o bagaço alimenta o gado, o esterco volta para a lavoura como adubo orgânico e ajuda a substituir fertilizante importado. Ao mesmo tempo, o mesmo canavial que sustenta o confinamento também abastece uma usina capaz de gerar energia para aproximadamente 700 mil residências brasileiras, fechando um ciclo produtivo raro no campo.

De pasto extensivo à plantação de boi em 50 hectares

O ponto de partida dessa história é o contraste entre o modelo tradicional de pecuária e o que se vê hoje nessa Fazenda. No sistema extensivo clássico, a média brasileira ainda gira em torno de meio animal por hectare.

Em 50 hectares, isso significaria cerca de 25 bois espalhados em grandes áreas de pasto.

No confinamento mineiro, a lógica é outra. A mesma área de 50 hectares abriga cerca de 30 mil animais ao mesmo tempo, em um sistema rotativo em que cada boi permanece, em média, 105 dias até o ponto de abate.

Ao longo do ano, o confinamento movimenta aproximadamente 120 mil cabeças, funcionando como uma verdadeira fábrica de carne em 365 dias por ano, sem recesso.

Ao fundo, o contexto nacional ajuda a explicar essa mudança. O Brasil mantém cerca de 60 por cento do território em floresta, com apenas 7 por cento em agricultura e algo em torno de 15 por cento em pecuária.

A tendência apontada pelos técnicos da Fazenda é clara: a agricultura tende a ocupar áreas já abertas de pasto, enquanto a pecuária migra para modelos mais intensivos, com confinamento e integração com lavouras.

Ração de resíduos: o boi como reciclador biológico

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O coração do sistema está no cocho. A mistura oferecida aos animais é descrita como uma ração extremamente balanceada em proteína, energia, nutrientes e aminoácidos, pensada para garantir o melhor desempenho possível de ganho de peso.

O que diferencia essa Fazenda é a origem dos ingredientes. A dieta é montada principalmente com subprodutos de várias indústrias.

Entre eles, aparecem:

  • bagaço de cana da produção de açúcar e etanol
  • bagaço de laranja peletizado
  • caroço de algodão, depois que a fibra já virou tecido
  • DDG, o bagaço do grão de milho após a fabricação de etanol de milho
  • melaço que sobra da indústria da soja voltada ao consumo humano
  • sorgo produzido na própria região, direcionado ao consumo animal

Tudo isso, misturado com precisão, forma uma ração homogênea. O resultado é que o boi atua como um reciclador biológico, transformando sobras industriais em carne, couro, insumos para a indústria farmacêutica e cosmética. Muitos desses resíduos já foram problema no passado e hoje viraram matéria-prima valiosa dentro da Fazenda.

Precisão no cocho e bem-estar animal monitorado

A operação de cocho é tratada como ponto sensível de resultado. Os caminhões que distribuem a ração são montados sobre balanças, o que permite saber exatamente quanto cada curral consumiu por dia e, na média, quanto cada animal comeu. A meta é que o boi ingira entre 2,2 e 2,4 por cento do peso vivo diariamente.

Os ingredientes são carregados por uma pá carregadeira, seguindo uma receita detalhada. O operador trabalha com tolerância máxima de 1 por cento de erro em cada componente.

Se acertar as metas, recebe bônus no fim do mês. Dentro dos caminhões, grandes roscas misturam os ingredientes até formar uma ração uniforme que é distribuída em quatro tratos por dia, mantendo o cocho sempre atrativo.

Na pista, o bem-estar é tratado como investimento, não como discurso. Os currais contam com sombreamento e aspersores de água, que reduzem poeira, diminuem a temperatura e protegem o trato respiratório dos animais concentrados.

A lógica é simples e objetiva: boi tranquilo engorda mais, e essa diferença aparece direto na conta do produtor.

O monitoramento não para no olho humano. A Fazenda usa imagens de drone combinadas com inteligência artificial para observar o comportamento dos lotes dentro dos currais.

Quando algo foge do padrão, o sistema acusa. Animais muito agrupados, agitados demais ou distribuídos de forma diferente do habitual podem indicar problemas de água, qualidade da ração ou condição do piso. O algoritmo alerta, e a equipe vai checar o que está errado.

Do esterco ao adubo orgânico: lixo que vira luxo na Fazenda

Do lado de fora dos currais, outro braço da operação transforma dejetos em economia. O esterco retirado diariamente dos piquetes é levado para uma área própria, onde forma grandes leiras.

Em seguida, entra em cena um compostador, equipamento que revolve o material, uniformiza a mistura, reduz a umidade e ajusta a relação carbono nitrogênio para abaixo de 16.

Assim, o que muitos enxergariam como descarte vira adubo orgânico padronizado. Esse produto volta para as áreas de cana da própria Fazenda e também reforça o manejo de culturas como amendoim, feijão irrigado e arroz irrigado.

O produtor resume essa lógica em uma frase: “o cheirinho do esterco é o cheiro do dinheiro”, porque cada tonelada de adubo orgânico significa menos fertilizante comprado fora.

Além da economia direta, há o fator logístico. O uso de esterco e de vinhaça da usina reduz a necessidade de importar adubos nitrogenados que viriam de navio, muitas vezes da Europa ou do Canadá, consumindo combustível e elevando emissões.

No sistema mineiro, o bagaço da cana alimenta o boi, e o esterco do boi alimenta a cana, fechando um ciclo de nutrientes que diminui a exposição a choques de preço lá fora.

Energia, carne, açúcar e etanol no mesmo ciclo produtivo

A mesma cana que chega à usina não serve apenas de base para a ração. Nas caldeiras, o bagaço que não vai para o cocho é queimado para geração de energia.

Segundo a usina parceira, apenas a unidade Serradão é capaz de fornecer eletricidade para cerca de 700 mil residências com consumo médio nacional.

Desse modo, a cadeia que parte da cana entrega álcool combustível, açúcar, carne, energia elétrica e ainda devolve adubo orgânico para as lavouras.

Em vez de sistemas isolados, a região opera um modelo de economia circular em que uma etapa sustenta a outra.

O produtor de carne depende da cana, a cana depende do esterco e da vinhaça, e a usina depende da biomassa para girar turbinas e atender a rede.

No final, o que chega ao açougue e ao prato do consumidor é fruto de um circuito complexo, que envolve decisões diárias no confinamento, na lavoura e na indústria.

A diferença é que, nesta Fazenda, o caminho da carne até a gôndola passa por um projeto pensado para reduzir desperdício, cortar custos com insumos importados e, ao mesmo tempo, gerar energia e emprego local.

O que esta Fazenda antecipa para o futuro da pecuária

O sistema mineiro mostra, na prática, a direção que muitos especialistas enxergam para a pecuária brasileira.

Com grande parte do território ainda coberto por florestas e com o avanço da agricultura sobre áreas já abertas, o gado tende a ocupar menos espaço e a produzir mais por hectare, usando confinamento, tecnologia de manejo e integração com a cana e outras culturas.

Ao transformar resíduos em ração, esterco em adubo, bagaço em energia e boi em alimento para milhões de pessoas, a Fazenda em Frutal antecipa um cenário em que produtividade e sustentabilidade caminham juntas no campo.

Sabendo de tudo isso, você acredita que modelos de confinamento integrados à cana, como o dessa Fazenda em Minas, deveriam ganhar mais espaço na produção de carne que chega ao seu prato?

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Carmela Garçon
Carmela Garçon(@garconcarmelagmail-com)
21/12/2025 19:25

Na minha região só com cana e usinas está acontecendo essa troca . Bagaço, alimenta ****, .

Alberto.domingos Dumit
Alberto.domingos Dumit
03/12/2025 21:45

Dejetos seja **** ou humano deveria ser desviado das aguas que bebemos ,sendo usado para refrorestamento e produçao de cqrvão ,plantil de eucaliptos para produsir celulose e madeira em geral.Poderiamos pensar no plantio de cana de açucar para produsir Etanol.

Verdade
Verdade
03/12/2025 13:54

É. .. vocês se tornaram uma sepultura perambulante … e no final disso tudo vocês, todos vocês, que apoiam isso, guarde bem,… é que estarão no lugar de cada **** morto, cada **** que já gemeu de dor neste planeta por causa de cada ser humano cego guiando cegos na dureza de seus corações para com o bem verdadeiro! O dia de seus ais vai chegar, em breve vão gritar por socorro e não vão ter quem os socorra. Porque estarão colhendo do que plantaram. Guarde bem, vão está no lugar de cada **** ,cada um que já foi sacrificado por seus amores à morte!

Verdade
Verdade
Em resposta a  Verdade
03/12/2025 14:17

E ainda o próprio **** jornal ocultou a palavra 🦉🦤🦢🦆🦅🕊🐧🐦🦘🦨🦦🐻‍❄️🐨🐻🐢🐊🐸🐒🐦‍⬛🦜🦎🐢🐊🦖🐳🐋🐬🦭🐟🐠🐡🐚🦑🐝🪲🐜🦐🦞🐛🦋🦀🐌🐙🦖🪼🦗🕷🪳🕸🦂🦟🪰🪱🐩🐺🦝🦊🐱🐈🦁🐅🐆🐴🫎🫏🦓🦌🦬🐄🦓🦙🦒🐗🐘🦣🐏🐑🦏🦛🐐🐪🐁🐇🐿🦫🦔🦇🐼🦥🦡🦃🐓🐣🐂🐄 animais… por terem feito isso o castigo de vocês vai dobrar. Porque estão negando o verdade. Ser vivo é ser vivo, não é só ser humano que é ser vivo. Então ser vivo é não é alimentação para outros erros vivo. Porque o que se começa haver é o caos , um destruindo um ao outro ate que não haja mais ninguém. Nao respeitam outras formas de sere vivos. Por isso , voces sao homicidas! Nao provam nem um pouco a procura das profundezas da palavra VERDADE sobre tudo e todos em suas vidas e o que é vida verdadeira, muito menos vão atrás da verdadeira verdade sobre a causa das existencias…Vejam , procure outras nações, vão atrás das nações e povos antigos, vocês vão achar os seus descendentes? Procure Babilônia, vão…. então do mesmo modo vocês vão se tornar. Cada nação nesta terra vai ser inexistida, vão ser substituídas por outra até não mais haver este planeta! **** são vocês e é isso o que estão chamando para si, então é isso que colherão do que estão de sinestesia plantado ! Vocês querem ser sepulturas que sepultam partes de animais 🐂🐖🐓🦆morto dentro de si, e é nela que vocês mesmos cairão, porque é isso que vocês estão sendo. Sepulturas máquinas, disfarçadas de casas, mas o que são ,verdadeiramente ,sepulcros perambulando até em si mesmos virem a cair e em si mesmos serem sepultados ,sendo em si mesmos a própria sepultura, seus próprios caminhos caindo sobre vocês mesmos!

Honesio
Honesio
Em resposta a  Verdade
03/12/2025 17:14

Profundo. Podem falar que é louco, mas é verdade.

Carmela Garçon
Carmela Garçon(@garconcarmelagmail-com)
Em resposta a  Verdade
21/12/2025 19:29

Gostaria de continuar essa leitura .

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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