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Fábrica chinesa em Guangdong está montando um robô humanoide a cada 30 minutos enquanto Tesla, Figure e Boston Dynamics ainda lutam para entregar 10 mil por ano

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 11/05/2026 às 07:00
Atualizado em 11/05/2026 às 07:04
Linha de produção em massa de robôs humanoides na fábrica de Foshan, Guangdong, que monta um robô humanoide a cada 30 minutos
Linha de produção em massa da fábrica Leju + Dongfang em Foshan, Guangdong, primeira do mundo a montar um humanoide a cada 30 minutos. Foto: Leju Robotics.
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Em 29 de março de 2026, a joint venture Leju Robotics + Dongfang Precision inaugurou em Foshan, província de Guangdong, a primeira fábrica do mundo a produzir um robô humanoide a cada 30 minutos. A meta declarada é 10 mil unidades por ano, capacidade que coloca a planta acima do somatório dos principais concorrentes ocidentais.

Conforme a Interesting Engineering, a linha tem 24 estágios de montagem precisos, 77 pontos de inspeção e 41 testes simulados de condições reais antes de cada robô sair para o cliente. O ganho de eficiência declarado é de 50% sobre métodos tradicionais.

O robô fabricado é o Kuavo-5 da Leju, com torque de 360 Nm nas juntas, marcha omnidirecional a 4,6 km/h e preço internacional de cerca de US$ 50 mil. A unidade já foi entregue em volume para FAW Hongqi, Nio e Haier.

Os números da fábrica de Guangdong, conforme Leju, Dongfang Precision e Morgan Stanley, contam a história em cinco pontos:

  • 10.000 unidades/ano de capacidade declarada, equivalente a 70% do mercado global de humanoides em 2025
  • 30 minutos de tempo de montagem por robô, contra 2 horas no piloto Roban 2 em Shenzhen
  • 14.000 unidades foi o total embarcado mundialmente em 2025, e a China respondeu por 90%
  • US$ 50.000 o preço unitário do Kuavo-5, com tendência de queda para US$ 15.000 até 2050 (Morgan Stanley)
  • US$ 5 trilhões a estimativa de mercado total de humanoides em 2050, segundo Morgan Stanley
Robô humanoide Kuavo-5 da Leju Robotics ao lado de operário humano na fábrica de Foshan
Kuavo-5 da Leju Robotics, modelo full-size produzido na linha de Foshan. Custa cerca de US$ 50.000 e tem 360 Nm de torque nas juntas. Foto: Leju Robotics.

Como a fábrica chinesa monta um robô humanoide a cada 30 minutos

A planta fica em Foshan, no corredor industrial sul de Guangdong. Conforme reportagem da China Daily, a operação combina veículos guiados automatizados (AGVs) e plataforma digital industrial em tempo real.

Em paralelo, cada uma das 24 estações executa uma tarefa específica: montagem de juntas, integração eletrônica, encaixe de membros, calibração de sensores. Por isso, o tempo de gargalo cai a 30 minutos por unidade pronta.

Os 77 pontos de inspeção atravessam toda a linha, do início ao fim. Já os 41 testes simulados pré-entrega submetem cada robô a condições reais de uso (caminhada em escada, recuperação de queda, manipulação de objeto) antes de liberar para venda.

Conforme dados publicados, a flexibilidade da linha permite alternar entre modelos diferentes sem parada longa. Em paralelo, isso é possível por causa da arquitetura modular do Kuavo: braço, perna, mão e tronco são intercambiáveis.

A linha não é totalmente autônoma. Operários humanos ainda atuam em supervisão e tarefas de precisão fina. Em paralelo, a meta é reduzir gradualmente a participação humana conforme a calibração da AI control system avança.

Quem são Leju Robotics e Dongfang Precision

A Leju Robotics nasceu em 2016 como spin-off do Harbin Institute of Technology, em Shenzhen. Conforme perfil do CEO Lin Chang, PhD pelo Harbin, a empresa foi reconhecida como “talento de alto nível” no ecossistema de inovação de Shenzhen.

O portfólio da Leju inclui o AELOS (humanoide pequeno educacional), o ROBAN (médio, pesquisa) e o KUAVO (full-size, comercial). Em paralelo, a Leju desenvolveu algoritmos próprios de controle de marcha e implementação ROS (Robot Operating System).

Já a Dongfang Precision Science and Technology foi fundada em 1996 por Tang Zhuolin, em Foshan. A empresa ganhou reputação como fornecedora de equipamentos de embalagem corrugada de alta precisão.

Conforme a Yicai Global, Dongfang assume o papel de manufatura por contrato, debug, deployment e atendimento pós-venda das unidades Kuavo entregues. Já a Leju concentra design, software e integração de IA.

A Leju captou em 2025 uma rodada de financiamento de 1,5 bilhão de yuans (US$ 200 milhões), com uso destinado a P&D, preparação de produção em massa e parcerias estratégicas com Huawei, Alibaba e Haier.

Comparativo de capacidade anual de produção de robôs humanoides entre fabricantes chineses e ocidentais
Capacidade anual declarada de produção de humanoides em 2026: chineses (Leju, Unitree, AgiBot) e ocidentais (Tesla, 1X, Boston Dynamics). Fonte: Leju, Tesla, 1X, Unitree, AgiBot, Boston Dynamics.

O Kuavo-5: o robô humanoide a cada 30 minutos por dentro

Conforme a base de dados Humanoid Press, o Kuavo-5 é o flagship full-size da Leju, com atuadores elétricos próprios capazes de gerar até 360 Nm de torque de pico.

A locomoção omnidirecional opera a até 4,6 km/h. Em paralelo, o robô consegue subir escadas, recuperar-se de tropeços, evitar obstáculos e, em demonstrações controladas, correr e pular.

O sistema operacional é o KaihongOS, derivado do HarmonyOS da Huawei, e suporta integração com modelos de IA grande escala (LLM), aprendizado por imitação e controle multimodal em tempo real.

Em paralelo, a percepção é multimodal: câmeras frontais, sensoriamento 360 graus e fusão de sensores para decisão integrada de locomoção e manipulação. Por isso, o Kuavo opera com autonomia de “agente” e não como sequência pré-programada.

Conforme Leju, o Kuavo já está em uso em fábricas de FAW Hongqi (montadora de luxo chinesa), Nio (carros elétricos) e Haier (eletrodomésticos). Em paralelo, unidades operam como instrutoras em escolas em Sichuan.

Tesla Optimus na linha de produção da Gigafactory Texas, equivalente americano da fábrica de robô humanoide a cada 30 minutos da China
Tesla Optimus em demonstração na Gigafactory Texas. A Tesla atingiu 10 mil unidades em 12 de março de 2026, mas a maioria opera em ambientes internos da empresa. Foto: Tesla.

Tesla, Figure, Boston Dynamics, 1X: o que o Ocidente entrega

Conforme dados do Robot Report, a Tesla anunciou em 12 de março de 2026 a unidade de número 10 mil do Optimus, primeira humanoide ocidental a chegar a essa marca. Em paralelo, Elon Musk projeta 10 milhões de unidades por ano em Gigafactory Texas, com terreno aberto em fim de 2025.

Já a Figure AI publicou em maio de 2026 que seu Figure 02 contribuiu para a montagem de mais de 30 mil veículos BMW X3 em Spartanburg, Carolina do Sul, ao longo de 11 meses de piloto. As métricas: 1.250 horas operacionais e 99% de taxa de sucesso em encaixe de chapas com tolerância de 5 milímetros.

A Boston Dynamics, em paralelo, lançou no CES 2026 o novo Atlas elétrico, com 56 graus de liberdade, alcance de 2,3 metros e capacidade de carga de 50 kg. Conforme a empresa, todos os deployments de 2026 já estão alocados (Hyundai Robotics Metaplant + Google DeepMind).

A norueguesa 1X Technologies abriu fábrica em Hayward, Califórnia, com 5,4 mil m² e capacidade de até 10 mil robôs por ano. Em paralelo, o NEO doméstico custa US$ 20 mil + US$ 499/mês de assinatura.

Em soma, o Ocidente conjuga muito anúncio com pouca entrega física. Já a China embarca o robô da própria fábrica para o cliente da próxima rua.

Figure 02 da Figure AI trabalhando na linha de produção da BMW em Spartanburg, exemplo ocidental de aplicação industrial de humanoides
Figure 02 da Figure AI na linha BMW Spartanburg. Em 11 meses, contribuiu para 30 mil veículos X3 com 99% de sucesso em encaixe de chapas. Foto: Figure AI / BMW.

Por que a China lidera: 150 empresas e plano quinquenal explícito

Conforme dados de 2025, mais de 150 empresas chinesas atuam em humanoides. Em paralelo, o ecossistema inclui Unitree (G1 a US$ 16 mil, H1, 20 mil unidades planejadas em 2026), AgiBot (Expedition A3, 10 mil unidades cumulativas em mar/2026), UBTECH (Walker S2, ordens de 800 milhões de yuans), Xiaomi (CyberOne em uso interno) e Fourier Intelligence.

O cenário regulatório também ajuda. Conforme o 15º Plano Quinquenal (2026-2030), robótica e inteligência artificial corpórea estão no topo do “moderno sistema industrial” chinês. Já o Made in China 2025 trouxe subsídios e desonerações fiscais sustentadas.

Em paralelo, em 2023, a China instalou 276.288 robôs industriais, o equivalente a 51% da instalação global no ano. Por isso, há decadência na cadeia de fornecimento de componentes e know-how acumulado de manufatura automatizada.

A parceria entre Leju e Alibaba Cloud, formalizada em janeiro de 2026, fecha o pacote. Conforme a Alibaba, o acordo cobre infraestrutura computacional, plataformas de IA e modelos de fundação (Qwen LLM) integrados aos sistemas dos humanoides.

Esse arranjo elimina dependência tecnológica de provedores ocidentais. Em paralelo, garante que humanoides chineses tenham acesso a substratos computacionais e LLMs de classe mundial sem ponto cego de cloud importado.

O que muda para o Brasil e onde a Petrobras pode entrar

O Brasil ainda não tem fabricação relevante de humanoides. Em paralelo, a Reflex Robotics anunciou primeira fábrica latinoamericana no México, em parceria com a NVIDIA, sem operação correspondente no país.

Conforme análise de mercado, a expectativa realista é que o Brasil vire importador de humanoides, com China como fornecedor dominante. Em paralelo, setores como agronegócio, mineração e indústria automotiva são o primeiro mercado-alvo.

Na cadeia de petróleo e gás, há aplicação direta. Em paralelo, plataformas offshore brasileiras como as FPSOs do pré-sal poderiam absorver humanoides para inspeção, manutenção e operação em ambiente confinado, conforme já discutido em cobertura do CPG sobre minerais críticos da cadeia EV, em que o Brasil corre risco similar de virar exportador bruto e importador de produto final.

A Petrobras tem programa de robótica para inspeção de dutos. Em paralelo, a integração com humanoides ainda não tem cronograma público.

Conforme Morgan Stanley, mercados de baixa renda terão acesso a humanoides a US$ 15 mil até 2050. Por isso, a janela para o Brasil construir capacidade industrial própria está aberta agora, antes da consolidação do oligopólio chinês.

Vale ressaltar, contudo, que a capacidade declarada de 10.000 unidades/ano é nominal e ainda não foi confirmada por dados de produção real. O preço unitário internacional do Kuavo-5 a US$ 50 mil está em patamar comparável ao do Tesla Optimus, mas substancialmente acima dos US$ 15 mil projetados pela Morgan Stanley para 2050. A matéria será atualizada conforme Leju Robotics e Dongfang Precision divulguem dados de produção real.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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