Crescimento da indústria no PIB do terceiro trimestre foi liderado pela extração de petróleo e gás, que avançou 11,9% e evitou retração maior da economia.
Mesmo com sinais claros de perda de fôlego da economia brasileira no terceiro trimestre de 2025, um segmento específico evitou um resultado mais fraco do Produto Interno Bruto: trata-se da indústria, que teve desempenho acima da média, sustentada principalmente pela extração de petróleo e gás natural.
Enquanto o PIB apresentou crescimento modesto, de apenas 0,1% frente ao trimestre anterior, o avanço industrial ajudou a equilibrar o quadro macroeconômico.
PIB cresce pouco, mas resultados anuais ainda mostram resiliência
Segundo dados do IBGE, o PIB brasileiro movimentou R$ 3,2 trilhões em valores correntes no terceiro trimestre. O avanço trimestral ficou abaixo das projeções do mercado, que esperava crescimento de 0,2%.
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90 bilhões de barris de petróleo, 1.669 trilhões de pés cúbicos de gás natural e 84% das reservas prováveis em áreas offshore estão sob o Ártico e o degelo que abre rotas marítimas e expõe esse tesouro energético está transformando o Polo Norte em uma disputa estratégica entre EUA, Rússia, China e Canadá por petróleo, gás, navegação e poder militar
Ainda assim, na comparação anual, houve alta de 1,8% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado de 12 meses, a expansão chegou a 2,7%.
Mesmo com esse desempenho positivo no horizonte anual, economistas apontam desaceleração da atividade econômica. Nesse contexto, o papel da indústria foi determinante para conter uma trajetória mais negativa.
Indústria cresce acima da média e evita deterioração maior do PIB
O setor industrial registrou crescimento de 1,7% na comparação anual. O resultado chama atenção por acontecer em um segmento tradicionalmente volátil. O grande motor desse avanço foi o desempenho das indústrias extrativas, que cresceram expressivos 11,9%.
De acordo com o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, esse avanço está diretamente relacionado à maior produção de petróleo e gás.
As plataformas do pré-sal seguem ampliando volume e produtividade, reforçando a posição do Brasil no mapa global de energia. Além disso, a mineração foi beneficiada pela demanda internacional por minerais estratégicos.
Construção civil reage com apoio do mercado de trabalho e programas públicos
Outro destaque relevante foi a construção civil, que avançou 2% no período. O desempenho foi favorecido por um mercado de trabalho ainda resiliente e pela retomada de programas habitacionais.
A reativação do Minha Casa, Minha Vida ajudou a manter o ritmo das obras. Sobre o setor, o economista afirma: “O setor sofreu com o aperto monetário mais forte, mas, com os incentivos em curso e as medidas planejadas para o próximo ano, tende a exibir novamente uma performance mais favorável”.
Indústria de transformação sente pressão e registra retração
Apesar dos bons números das atividades extrativas, a indústria de transformação apresentou queda de 0,6%. Segmentos como coque e derivados de petróleo, produtos metálicos, bebidas e madeira lideraram esse recuo.
O resultado evidencia desafios estruturais. Concorrência com produtos chineses, custos elevados e dificuldades para ganhos de escala continuam afetando a manufatura nacional.
Segundo Campos Neto, “Mesmo com algum alívio após o tarifaço que impactou o setor no primeiro semestre, a transformação segue em um quadro desafiador”. Ele acrescenta ainda: “Não é um setor com perspectiva de melhora rápida, os obstáculos devem persistir nos próximos meses e até nos próximos anos”.
Energia elétrica também recua e pressiona o resultado industrial
Nem mesmo o segmento de eletricidade, gás, água e resíduos apresentou desempenho positivo. Houve queda de 1%, influenciada pelas bandeiras tarifárias vermelhas que vigoraram ao longo de todo o trimestre.
O impacto tarifário reduziu a atividade e contribuiu para frear o avanço mais amplo da indústria.
Ainda assim, a força da extração de petróleo e gás, combinada ao desempenho da construção civil, foi decisiva para garantir que o setor industrial sustentasse parte do crescimento do PIB nacional em um período marcado por desaceleração econômica.

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