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Exportações de açúcar para os EUA desabam 69,5% em agosto após tarifa de 50%, e perdas podem chegar a US$ 1,351 bilhão até dezembro

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 21/09/2025 às 14:52
Exportações de açúcar do Brasil para os EUA caíram 69,5% em agosto após tarifa de 50%. China amplia liderança e México cresce 43%.
Exportações de açúcar do Brasil para os EUA caíram 69,5% em agosto após tarifa de 50%. China amplia liderança e México cresce 43%.
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Queda recorde nas vendas de açúcar para os Estados Unidos expõe efeitos da tarifa de 50%, enquanto México e China ganham espaço no comércio brasileiro.

As exportações brasileiras de alimentos industrializados sofreram forte retração em agosto, com destaque para o açúcar, que registrou queda de 69,5% nas vendas destinadas aos Estados Unidos em relação a julho. O recuo é reflexo direto da tarifa de 50% imposta pelo governo norte-americano, medida que atingiu em cheio os embarques brasileiros logo após um mês de antecipação de vendas em julho.

No total, os EUA compraram US$ 332,7 milhões em agosto, queda de 27,7% em relação a julho e de 19,9% na comparação com agosto de 2024.

O açúcar foi o produto mais prejudicado, mas proteínas animais (-45,8%) e preparações alimentícias (-37,5%) também sofreram forte retração.

Queda de US$ 300 milhões no geral

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), as exportações totais em agosto somaram US$ 5,9 bilhões, resultado US$ 300 milhões menor que em julho — uma redução de 4,8%.

Segundo a entidade, o desempenho evidencia uma clara inflexão: após o crescimento expressivo de julho, veio um ajuste forte em agosto, principalmente nos EUA.

O presidente executivo da ABIA, João Dornellas, avaliou que o impacto da nova tarifa reforça a necessidade de diversificação de parceiros comerciais.

Para ele, depender excessivamente de um único mercado amplia a vulnerabilidade da indústria brasileira.

Perdas bilionárias até dezembro

A expectativa da ABIA é de que o efeito das tarifas seja ainda mais visível no acumulado do ano. Entre agosto e dezembro, os embarques de alimentos industrializados para os EUA podem cair 80%, representando perdas de até US$ 1,351 bilhão.

Esse cenário preocupa o setor porque os Estados Unidos eram um dos principais destinos para produtos como açúcar, carnes e processados. Agora, a busca por novos mercados se torna prioridade para mitigar a dependência e manter a balança comercial equilibrada.

México cresce 43% e vira destino em expansão

Se por um lado os EUA reduziram drasticamente suas compras, o México se destacou em agosto como mercado em expansão.

O país importou US$ 221,15 milhões em alimentos industrializados brasileiros, alta de 43% em relação ao mês anterior. Proteínas animais lideraram a pauta exportadora.

Esse avanço coincide com a retração norte-americana e pode sinalizar uma mudança de fluxos comerciais. A ABIA, no entanto, alerta que ainda é cedo para saber se o crescimento mexicano será estrutural ou apenas conjuntural.

China reforça posição de âncora

Enquanto o açúcar sofreu queda histórica nos EUA, a China ampliou sua importância como maior parceiro do Brasil no setor.

Em agosto, o país asiático comprou US$ 1,32 bilhão em alimentos industrializados, uma alta de 10,9% em relação a julho e de 51% em comparação com agosto de 2024.

A fatia chinesa representou 22,4% do total exportado no mês, reforçando sua posição como principal destino do setor e compensando parte das perdas nos mercados ocidentais.

União Europeia e países árabes recuam

Outros mercados importantes também apresentaram retração em agosto.

As vendas para a União Europeia somaram US$ 657 milhões, queda de 14,8% sobre julho e de 24,6% frente ao mesmo mês de 2024. Já os países da Liga Árabe importaram US$ 838,4 milhões, recuo de 5,2% em relação ao mês anterior.

Esses números mostram que, além do impacto das tarifas dos EUA, a demanda internacional em outros blocos também se manteve em ritmo mais lento.

Suco de laranja escapa da tarifa e cresce

Nem todos os setores foram afetados pelas barreiras tarifárias.

A indústria de suco de laranja, que não entrou no pacote de taxação dos EUA, registrou crescimento de 6,8% em agosto em relação ao mesmo período de 2024. Ainda assim, houve queda de 11% frente a julho, reflexo da antecipação de embarques.

O desempenho mostra que, mesmo em meio a turbulências, alguns produtos seguem fortalecendo sua presença no comércio exterior.

Empregos seguem em expansão apesar da crise

Mesmo com a queda nas exportações, a indústria de alimentos conseguiu manter o crescimento na geração de empregos. Em julho, o setor registrou 2,114 milhões de postos de trabalho formais e diretos, alta de 3,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Entre julho de 2024 e julho de 2025, foram criadas 67,1 mil novas vagas. Somente em 2025, a indústria abriu 39,7 mil empregos diretos e outros 159 mil em toda a cadeia produtiva, incluindo agricultura, pecuária, embalagens e máquinas.

O desafio da diversificação

O balanço de agosto deixa claro que o setor de alimentos brasileiro enfrenta um desafio imediato: reduzir sua dependência dos EUA.

A queda brusca nas exportações de açúcar e outros produtos mostra como uma decisão unilateral pode impactar bilhões de dólares em poucos meses.

Ao mesmo tempo, os dados revelam novas oportunidades em mercados como China e México. O futuro do setor dependerá da capacidade de diversificação, da negociação de barreiras e do fortalecimento de relações comerciais mais estáveis.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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