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Explosão no Jaguaré em SP destrói até dez casas, deixa um morto e feridos após obra na rua

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 11/05/2026 às 22:13 Atualizado em 11/05/2026 às 22:16
Explosão de gás no Jaguaré, zona oeste de SP, destruiu até 10 imóveis, matou um homem e feriu três pessoas. Causa preliminar é obra da Sabesp em tubulação.
Explosão de gás no Jaguaré, zona oeste de SP, destruiu até 10 imóveis, matou um homem e feriu três pessoas. Causa preliminar é obra da Sabesp em tubulação.
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Uma explosão de gás liquefeito de petróleo (GLP) na Rua Doutor Benedito de Moraes Leme, na tarde desta segunda-feira (11), deixou pelo menos um morto, três feridos e destruiu até dez imóveis. Moradores relataram cheiro forte de gás na região desde o início da tarde. A causa preliminar é uma obra da Sabesp que atingiu a tubulação de gás encanado da Comgás.

Uma explosão no bairro Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, deixou pelo menos um morto e três feridos na tarde desta segunda-feira, 11 de maio de 2026. A explosão ocorreu por volta das 16h10, no cruzamento das ruas Doutor Benedito de Moraes Leme e Floresto Bandecchi, e destruiu até dez imóveis em uma comunidade local, segundo balanço preliminar divulgado pelo Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). Um edifício residencial vizinho também foi atingido, com vidros estilhaçados em diversas janelas, e seus moradores foram retirados pela Defesa Civil para perícia estrutural. A causa preliminar, segundo a corporação, foi uma explosão de gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha, provocada pela perfuração de uma tubulação durante uma obra da Sabesp na via. A vítima fatal, um homem de 45 anos, morreu soterrada sob os escombros de uma das casas que colapsou, segundo informações divulgadas pela SBT News. Equipes da Comgás, concessionária responsável pela rede de gás encanado da cidade, estavam no local após terem sido acionadas para conter um vazamento. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, convocou representantes das empresas envolvidas para explicações ainda no fim da tarde.

E o que torna o caso ainda mais grave é o que aconteceu nas horas anteriores à explosão.

O que você vai entender neste texto

  • A cronologia exata da tragédia, hora a hora, na tarde desta segunda-feira.
  • Por que moradores afirmam ter alertado sobre o cheiro de gás horas antes da explosão.
  • O depoimento do morador que sobreviveu soterrado por 40 minutos.
  • A divergência entre Sabesp e Comgás sobre a responsabilidade pela obra.
  • Quantas viaturas, quantos resgatados e qual a situação atual no local.

A cronologia da tarde

Explosão de gás no Jaguaré, zona oeste de SP, destruiu até 10 imóveis, matou um homem e feriu três pessoas. Causa preliminar é obra da Sabesp em tubulação.

A reconstrução do que aconteceu, a partir dos depoimentos colhidos por Folha de S.Paulo, UOL, O Globo e CNN, segue uma sequência clara.

A obra na Rua Doutor Benedito de Moraes Leme havia começado na sexta-feira, 8 de maio, segundo o relato do morador Lucas Lima à Folha. Era um serviço de remanejamento de tubulação de água da Sabesp, companhia estadual de saneamento básico. Ao longo dos primeiros dias, a obra transcorreu sem grandes ocorrências.

Por volta do meio-dia desta segunda-feira, moradores começaram a sentir um forte cheiro de gás vindo do buraco escavado pela equipe da Sabesp. O morador Carlos Henrique relatou ter mandado mensagem para a namorada por volta das 13 horas, alertando para o cheiro. Outros moradores fizeram o mesmo. A Comgás foi acionada para atender ao vazamento na rede de gás encanado e mobilizou uma equipe técnica para o reparo.

Por volta das 16h10, durante a mobilização da equipe técnica, ocorreu a explosão.

O impacto foi imediato. Várias casas colapsaram. Algumas vítimas foram lançadas pela explosão, segundo os bombeiros. Outras ficaram soterradas sob os escombros. O prédio residencial vizinho, separado por poucos metros, teve vidros estilhaçados em diversos andares. Em pouco mais de quinze minutos, 12 viaturas do Corpo de Bombeiros chegaram ao local. O número foi ampliado, no decorrer da operação, para 15 viaturas, além de um helicóptero da Polícia Militar acionado para sobrevoos e o Canil do Corpo de Bombeiros, chamado para buscar um homem desaparecido sob os destroços.

“Estava preso, não tinha para onde correr”

O depoimento mais detalhado do que aconteceu nos primeiros minutos veio do morador Carlos Henrique, em entrevista à Folha de S.Paulo.

“Por volta de meio-dia, 13h, começou um cheiro de gás muito forte. Até mandei mensagem para minha namorada avisando. De repente, só ouvi a explosão e a casa caindo em cima de mim. Só consegui abraçar o cachorro e sair dos escombros, mas fiquei lá uns 40 minutos até o resgate chegar para me socorrer. Estava preso, não tinha para onde correr. Com a ajuda dos bombeiros eu consegui sair pela casa dos vizinhos”, relatou.

Ao confirmar a situação à reportagem, afirmou estar bem fisicamente.

A capitã Karoline Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros, confirmou em entrevista coletiva no local que familiares de um homem reportaram seu desaparecimento logo após o impacto. As buscas pelo desaparecido passaram a ser prioridade da operação de resgate ainda no fim da tarde, com o reforço do canil para localização de pessoas sob escombros.

Pelo menos cinco animais foram resgatados com vida pela Defesa Civil até o início da noite, segundo a corporação.

A divergência entre Sabesp e Comgás

Aqui está o ponto que deve seguir sendo apurado pelas autoridades nas próximas horas e dias.

A Sabesp, em nota oficial, confirmou que realizava a obra no local desde a sexta-feira anterior. Segundo a empresa, “durante a mobilização da equipe técnica para realização do reparo, ocorreu a explosão”, e “as causas da ocorrência estão sendo apuradas pelas empresas e pelas autoridades competentes”. A companhia também afirmou que “segue prestando todo o apoio necessário às vítimas, moradores, comerciantes e demais pessoas impactadas, permanecendo à disposição para colaborar integralmente com as investigações”.

A Comgás, por sua vez, divulgou nota afirmando que a obra não era de sua responsabilidade, e sim “de terceiros”, sem citar nominalmente a Sabesp. A concessionária, responsável por toda a rede de gás encanado da cidade de São Paulo, não respondeu à Folha de S.Paulo sobre se acompanhava a operação no momento do acidente, embora estivesse no local respondendo a um chamado prévio sobre vazamento.

Um diretor da Defesa Civil, ouvido pela mesma reportagem, afirmou que a Sabesp ficou responsável por custear hotel para as famílias desalojadas. Procurada para confirmar a informação, a companhia não respondeu se assumiria os custos.

A apuração formal das responsabilidades técnicas pelo acidente caberá ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Civil, em laudos periciais que devem ser concluídos nos próximos dias.

O atendimento aos feridos

Até as 18 horas, três pessoas haviam sido socorridas com vida, segundo balanço da Defesa Civil. Duas delas foram encaminhadas ao Pronto-Socorro Regional de Osasco, na Grande São Paulo. A terceira recebeu atendimento dos próprios bombeiros no local. Um dos feridos é funcionário da Sabesp, que estava na frente de obra no momento da explosão.

Segundo as autoridades, nenhum dos três corre risco de morte.

A vítima fatal, identificada inicialmente como um homem de 45 anos, foi localizada sob os escombros de uma das residências em colapso. As circunstâncias da morte e a identidade completa devem ser confirmadas pela Polícia Civil nas próximas horas.

A reação política

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, convocou representantes das empresas envolvidas (Sabesp e Comgás) para reunião de prestação de contas ainda no fim da tarde. A informação foi confirmada por Folha de S.Paulo e VEJA, com base em fontes do Palácio dos Bandeirantes.

A Sabesp passou por processo de privatização concluído em 2024, durante o atual governo Tarcísio, deixando de ser estatal majoritária para ter capital aberto com participação do estado de São Paulo. A Comgás é controlada pelo grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto, e atende mais de 2,5 milhões de unidades consumidoras na Grande São Paulo. As duas empresas estão sob escrutínio público nas próximas horas.

O risco que segue presente

O Corpo de Bombeiros alertou, ainda no fim da tarde, para o risco de novos vazamentos na região. Moradores das ruas próximas foram orientados a deixar a área até a estabilização completa da ocorrência. A Defesa Civil mantém perícia ativa no prédio residencial vizinho ao local da explosão, que teve estrutura potencialmente afetada pelo impacto.

A energia elétrica e o fornecimento de gás encanado em parte do bairro foram temporariamente cortados como medida de segurança. Não há previsão de restabelecimento.

A operação de busca pelo desaparecido segue durante a noite, com maquinário pesado e cães farejadores.

O que esperar nas próximas horas

As autoridades devem divulgar boletim atualizado durante a noite e na manhã desta terça-feira, com informações sobre vítima fatal identificada, estado dos feridos, localização do desaparecido e número final de imóveis destruídos. As empresas envolvidas devem apresentar prestação de contas formal ao governo do estado e ao Ministério Público de São Paulo. A Polícia Civil instaurou inquérito.

Esta reportagem está em atualização.

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Bruno Teles

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