Uma expedição inédita confirmou temperaturas extremas e calor insuportável no Deserto de Lut, reconhecido como o deserto mais quente do planeta.
Partimos em direção a um local praticamente inacessível e proibitivo para a maioria dos seres vivos devido às temperaturas escaldantes. O deserto de Lut no Irã carrega o título de deserto mais quente do planeta e uma expedição recente mostrou que a realidade no solo é ainda mais assustadora do que os dados de satélite sugerem. A região conhecida como Gandom Beryan é um vasto planalto de rochas vulcânicas escuras que absorvem a radiação solar e funcionam como uma panela no fogão.
A NASA já havia registrado através do satélite Aqua que a superfície terrestre nesta região atingiu incríveis 70,7°C em 2005. No entanto vivenciar essa experiência in loco revelou desafios físicos extremos. A falta de água e a exposição ao sol transformam a jornada em uma luta pela sobrevivência onde o ar queima as gargantas e o chão destrói os calçados dos exploradores que ousam desafiar este inferno geológico.
Uma jornada ao centro da fornalha
A viagem começa em Shudad a última cidade oásis antes da imensidão árida. À medida que se avança para o coração do deserto mais quente do planeta a paisagem muda drasticamente. O terreno apresenta os Kaluts que são castelos de areia naturais moldados pela erosão do vento e que chegam a 150 metros de altura. O vento que deveria trazer alívio funciona de forma contrária. Ao abrir a janela do veículo o ar que entra atinge o rosto com a sensação de um secador de cabelo ligado na potência máxima tornando a respiração difícil e secando a boca instantaneamente.
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As condições climáticas extremas enganam os sentidos e a fisiologia humana. A temperatura do ar na sombra ronda os 48,5°C mas sob o sol direto ela salta para mais de 54°C. A sensação térmica é opressora e causa dores de cabeça intensas tremores no corpo e aceleração da frequência cardíaca. A desidratação é uma ameaça constante mesmo bebendo água a todo momento pois o calor suga a energia vital e a sede nunca é saciada completamente.
O colapso da tecnologia e dos equipamentos
Tentar registrar dados no deserto mais quente do planeta provou ser uma tarefa quase impossível para a tecnologia moderna. Durante a expedição diversos equipamentos falharam diante do calor brutal. Termômetros a laser apresentaram mensagens de erro após poucos minutos de exposição. Termômetros de imersão quebraram e até mesmo a cola que segura as peças dos smartphones derreteu inutilizando os aparelhos temporariamente.
O solo coberto por rochas basálticas pretas retém tanto calor que é impossível tocá-lo por mais de alguns segundos. As medições manuais indicaram temperaturas de solo variando entre 66°C e 69,2°C valores muito próximos aos recordes históricos da NASA. O calor é tão intenso que as solas dos sapatos dos membros da equipe começaram a derreter e se descolar obrigando-os a caminhar com cautela sobre a superfície fervente.
Lendas vida e um bife cozido na pedra
A região de Gandom Beryan carrega um nome que significa trigo torrado. A lenda local conta que uma caravana abandonou sua carga de trigo ali e ao retornar dias depois encontrou os grãos torrados pelo sol. Para testar essa lenda na prática a equipe colocou um pedaço de carne diretamente sobre uma rocha. Em cerca de duas horas a carne estava cozida com cheiro de churrasco provando que o solo funciona como uma chapa natural.
Apesar de muitos acreditarem que nenhuma criatura vive em Gandom Beryan a expedição fez descobertas surpreendentes no deserto mais quente do planeta. Embora tenham encontrado aves migratórias mortas que cometeram o erro de pousar ali em busca de água também avistaram vida resistente. Uma subespécie de louva-a-deus e restos de gafanhotos mostraram que a natureza encontra caminhos até mesmo nos ambientes mais letais da Terra desafiando a lógica de que aquele lugar é completamente estéril.
Você teria coragem de ficar 10 minutos exposto ao sol nesse lugar sabendo que seus sapatos poderiam derreter?

