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Existe um buraco de centenas de quilômetros entre os pontos de observação meteorológica nos Estados Unidos e agora drones que voam a 6 mil metros de altitude em ventos fortes estão preenchendo essa lacuna para prever tornados antes que eles matem

Publicado em 28/03/2026 às 22:36
Atualizado em 28/03/2026 às 22:38
Assista o vídeoDrones que voam a 6 mil metros preenchem lacunas na observação meteorológica dos EUA. Em Oklahoma, a tecnologia melhora a previsão de tornados e salva vidas.
Drones que voam a 6 mil metros preenchem lacunas na observação meteorológica dos EUA. Em Oklahoma, a tecnologia melhora a previsão de tornados e salva vidas.
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Os Estados Unidos enfrentam uma lacuna crítica na observação meteorológica: centenas de quilômetros separam um ponto de coleta de dados do outro, justamente na camada da atmosfera onde tornados se formam. Agora, drones capazes de voar a mais de 6 mil metros de altitude em ventos fortes estão sendo usados para preencher esse vazio e melhorar a previsão de tempestades severas.

Entre a superfície terrestre e as primeiras centenas de metros acima do solo existe uma zona da atmosfera que os meteorologistas chamam de lacuna de dados e é exatamente ali que os fenômenos climáticos mais perigosos dos Estados Unidos se formam. Os drones estão mudando isso. Pesquisadores da Universidade de Oklahoma e do Laboratório Nacional de Tempestades Severas da NOAA começaram a usar aeronaves não tripuladas para coletar dados verticais da atmosfera em locais onde balões meteorológicos não alcançam e onde veículos terrestres não conseguem chegar.

O problema que os drones resolvem é direto: os pontos de observação meteorológica nos Estados Unidos ficam a centenas de quilômetros uns dos outros. Oklahoma, que registra um dos climas mais severos do planeta, tem uma estação de balões meteorológicos em Norman mas a estação mais próxima fica no Texas ou no Kansas, com enorme espaço vazio entre elas. É nesse vazio que tornados se formam sem aviso, e é nesse vazio que os drones estão sendo posicionados para capturar dados que podem salvar vidas.

O buraco invisível na previsão de tornados

A maior parte dos dados meteorológicos que alimentam os modelos de previsão nos Estados Unidos ainda vem de balões meteorológicos as chamadas radiossondas.

Um balão de hélio é lançado, sobe até cerca de 30 mil metros, coleta dados de temperatura, umidade e pressão durante a ascensão, e depois estoura. Os resultados se distribuem de forma aleatória e o equipamento não é recuperável.

O problema é que existem pouquíssimos pontos de lançamento espalhados pelo território americano. A distância entre uma estação e outra pode chegar a centenas de quilômetros, deixando áreas inteiras sem dados verticais da atmosfera.

E não é uma questão menor: tornados, tempestades de granizo e ventos destrutivos se formam justamente nas camadas baixas da atmosfera que ficam sem monitoramento.

Para agravar a situação, cortes recentes no Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos interromperam lançamentos de balões em algumas estações, ampliando ainda mais a lacuna.

Como os drones voam a 6 mil metros em ventos fortes

Os drones desenvolvidos para preencher essa lacuna não são brinquedos de hobbyistas. O modelo mais consolidado, chamado BDO, é um hexacóptero com fuselagem circular e conjunto de sensores que já foi testado em altitudes de até 6 mil metros ou 20 mil pés e é capaz de operar em ventos relativamente fortes, condições que seriam perigosas ou impossíveis para balões convencionais.

O funcionamento é semelhante ao de um perfil de balão meteorológico: os drones sobem verticalmente em uma única posição geográfica, medindo temperatura, umidade, pressão e velocidade do vento ao longo da subida.

A diferença é que os drones podem repetir o voo quantas vezes forem necessárias, no mesmo ponto, sem depender de hélio nem gerar lixo atmosférico.

Um segundo modelo, chamado Coptersonde, foi projetado para ser mais barato e acessível a pesquisadores e agências governamentais. Ele se alinha com o vento como um cata-vento e ingere o ar pela parte frontal para medir os parâmetros atmosféricos com precisão.

Os dados que os drones capturam e que balões não conseguem

Colocar sensores em drones parece simples, mas envolve desafios técnicos que levaram anos para serem resolvidos.

Os rotores dos drones geram turbulência e os motores aquecem, criando interferências que podem distorcer as medições se os sensores não estiverem posicionados corretamente. A equipe da Universidade de Oklahoma desenvolveu soluções para isolar os instrumentos dessas interferências.

Atualmente, os drones alcançam cerca de 1.500 metros ou 5 mil pés de forma rotineira em operações no campo de pesquisa de Kessler Farm, operado pela universidade.

Essa altitude é extremamente útil para monitorar a camada mais baixa da atmosfera, onde tempestades severas se originam. O objetivo futuro é chegar a 3 mil metros cerca de 10 mil pés de forma operacional, altitude considerada ideal para a previsão de tornados.

Os dados coletados pelos drones são comparados em tempo real com as previsões dos modelos computacionais, permitindo que meteorologistas identifiquem erros e vieses antes que uma tempestade atinja áreas habitadas.

Oklahoma bateu recorde de tornados e os drones já estavam no ar

O momento não poderia ser mais relevante. Oklahoma registrou um número recorde de tornados em março da última temporada, confirmando que a severidade climática na região está se intensificando. Os drones já estavam operando durante esse período, coletando dados que foram integrados aos painéis de trabalho dos meteorologistas do Serviço Nacional de Meteorologia.

A transição dos drones de ferramenta de pesquisa para instrumento operacional de previsão está em andamento. Em vez de serem usados apenas em campanhas científicas pontuais, os drones passam a operar de forma rotineira, gerando dados nos quais os meteorologistas podem confiar e incorporar diretamente em seus fluxos de trabalho.

Isso representa o que os pesquisadores chamam de mudança paradigmática na forma como observamos a atmosfera sair da dependência de balões lançados duas vezes ao dia para um sistema flexível que pode voar sob demanda.

O objetivo final: prever tornados antes que eles matem

Todo o trabalho do Laboratório Nacional de Tempestades Severas da NOAA tem uma finalidade clara: melhorar os alertas para que pessoas possam agir a tempo de proteger suas vidas e propriedades. Cada minuto adicional de antecedência em um alerta de tornado pode significar a diferença entre buscar abrigo e ser pego de surpresa.

Os drones contribuem para isso ao preencher com dados reais o espaço que antes era coberto apenas por estimativas e modelos computacionais.

Quando os meteorologistas conseguem ver o que realmente está acontecendo nas camadas baixas da atmosfera em tempo real e não o que um modelo prevê que deveria estar acontecendo, a precisão dos alertas melhora.

A tecnologia não substitui balões, satélites ou radares, mas adiciona uma camada de observação que não existia antes. E em um estado onde tornados são parte da vida, cada camada a mais de informação pode salvar vidas.

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Com informações do Canal The Wall Street.

O que você acha do uso de drones para prever tornados? Acredita que a tecnologia pode realmente salvar vidas ou os desafios ainda são grandes demais? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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