Criada por Luiz Eduardo Rocha, Hugo Galindo e amigos, ainda estudantes de design da PUC-Rio, a Zerezes começou com armações de madeira e hoje aposta em óculos de plástico reciclado feitos de acetato e de uma linha de canudos. A marca virou item de moda e faturou R$ 55 milhões em um ano no Brasil.
No Rio de Janeiro, uma marca provou que dá para transformar plástico e madeira que iriam para o lixo em óculos disputados. A Zerezes, criada por estudantes de design da PUC-Rio, aposta em óculos de plástico reciclado, feitos de acetato reciclado e de uma linha de canudos, e transformou sustentabilidade em desejo de consumo. A trajetória foi contada pela revista Exame.
A empresa nasceu em 2012, quando um grupo de amigos, entre eles Luiz Eduardo Rocha e Hugo Galindo, ainda cursava design na PUC-Rio, no Rio de Janeiro. O que começou como um projeto de jovens apaixonados por criação virou uma das marcas de moda ótica mais faladas do país.
Os números impressionam. Segundo a Exame, a Zerezes fechou 2023 com faturamento de R$ 55 milhões, um crescimento de 57% em relação a 2022, e produziu mais de 90 mil óculos no ano. Tudo isso vendendo a armação como item de moda, e não apenas como objeto de necessidade.
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O segredo está em unir design autoral, sustentabilidade e materiais reaproveitados. A seguir, veja quem está por trás da marca, como o acetato e os canudos viram óculos de plástico reciclado e por que essa história de sucesso tem tudo a ver com o Brasil.
Quem são os fundadores da Zerezes, a marca de óculos criada na PUC-Rio

A história começa dentro da universidade. A Zerezes foi criada em 2012 por então estudantes de design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC-Rio. Entre os fundadores estão Luiz Eduardo Rocha e Hugo Galindo, que decidiram empreender com algo em que acreditavam.
O grupo uniu amizade e formação técnica. Vindos do design, os sócios enxergaram nos óculos um objeto que é, ao mesmo tempo, funcional e expressivo, uma peça de moda que fica no rosto o dia inteiro. Essa visão de design de produto guiou a marca desde o primeiro modelo.
Com o tempo, a estrutura profissionalizou. Hoje, de acordo com a Exame, a Zerezes tem Rodrigo Latini como CEO, à frente de uma operação bem maior do que aquele projeto de faculdade. A base, porém, continua no Rio de Janeiro, cidade que virou parte da identidade da marca.
O ponto de partida acadêmico não é um detalhe qualquer. Ele mostra como um curso de design pode gerar não só um produto bonito, mas um negócio de verdade. A PUC-Rio entra nessa história como o berço de uma ideia que, anos depois, movimentaria dezenas de milhões de reais.
De projeto de faculdade a marca de moda desejada

A grande sacada da Zerezes foi tratar óculos como moda. Em vez de vender apenas armações, a marca passou a estimular o consumidor a ter mais de um par e a trocar de óculos como quem troca de roupa, seguindo o estilo do dia. Isso mudou completamente a lógica do negócio.
Essa ideia mira um comportamento específico. A aposta da Zerezes é fazer as pessoas encararem o óculos de grau como um acessório de moda, que combina com a roupa e o momento, e não como um item comprado de anos em anos. Com isso, cada cliente tende a voltar mais vezes à loja e a montar uma coleção de armações.
O crescimento veio em ritmo acelerado. A empresa saltou de um faturamento de cerca de R$ 7 milhões em 2019 para R$ 55 milhões em 2023. Só no mês de novembro daquele ano, embalada pela Black Friday, a Zerezes vendeu R$ 6 milhões, sinal de que virou desejo de consumo.
As lojas ajudaram a espalhar a marca. A Zerezes chegou ao fim de 2023 com 14 operações, presentes em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. A proposta é levar o design brasileiro para pontos físicos, e não só para a internet.
Por trás do apelo de moda, há um posicionamento claro. A marca faz questão de se apresentar como brasileira e sustentável, unindo estética e propósito. É essa combinação que transformou os óculos de plástico reciclado em objeto de desejo, e não apenas em uma opção de consumo consciente.
Como acetato e canudos viram óculos de plástico reciclado
O coração da proposta está nos materiais. Segundo o portal Recicla Sampa, a Zerezes trabalha com madeira reaproveitada, acetato reciclado, serragem e canudos plásticos, transformando o que seria descarte em armação. É daí que nascem os óculos de plástico reciclado da marca.
Vale entender o enquadramento certo. A coleção inicial da Zerezes era de madeira, feita com madeiras descartadas recolhidas em obras, caçambas e marcenarias. Com o tempo, o acetato reciclado, que é um tipo de plástico, passou a ser o material principal das armações, ao lado de linhas especiais.
Uma dessas linhas é a mais chamativa. A marca criou uma coleção de óculos feita a partir de canudos plásticos reciclados, um material que costuma virar lixo em poucos minutos de uso. Assim, o mesmo canudo que polui o mar pode virar parte de uma armação de moda.
É importante não superdimensionar o plástico dos canudos. Ele aparece em uma linha específica, enquanto o grosso da produção usa acetato reciclado e madeira. Ainda assim, o conjunto forma a identidade de óculos de plástico reciclado que tornou a Zerezes conhecida por unir estilo e reaproveitamento.
Por que o acetato reciclado é o material principal das armações
O acetato é um velho conhecido do mundo dos óculos. Trata-se de um plástico de origem, em geral, vegetal, muito usado em armações por ser leve, resistente e fácil de moldar em cores e formatos variados. Não é à toa que virou a base de boa parte do mercado.
A diferença da Zerezes está em reciclar esse material. Segundo o Recicla Sampa, a marca usa acetato reciclado, aproveitando sobras e restos que seriam descartados na produção de óculos. Assim, o acetato deixa de ser apenas mais um plástico e passa a ter um ciclo de vida mais longo.
Esse cuidado tem efeito no produto final. Com acetato reciclado e até serragem, a Zerezes consegue criar armações com acabamento de marca premium, mostrando que material reaproveitado não significa qualidade inferior. Pelo contrário, vira argumento de design e de valor.
Por isso, chamar o produto de óculos de plástico reciclado faz sentido. O acetato é, tecnicamente, um plástico, e a versão reciclada usada pela marca reforça a proposta sustentável. É um jeito de mostrar que o plástico, quando bem aproveitado, pode virar item desejado, e não vilão.
A indústria de óculos gera bastante sobra de acetato no corte das armações. Ao recuperar esse resíduo, a Zerezes reduz o desperdício de um material que, do contrário, viraria lixo nas fábricas. É um exemplo de como a reciclagem pode começar dentro da própria cadeia de produção, antes mesmo de o produto chegar às lojas.
A linha de óculos feita de canudos plásticos reciclados
A linha de canudos é a mais simbólica da marca. Segundo reportagens sobre a coleção, cada par de óculos é feito com cerca de 35 canudos plásticos reciclados, que são triturados e depois injetados em moldes para formar a armação. O resultado é um objeto novo a partir de um lixo antigo.
O apelo ambiental é forte. Os canudos estão entre os itens plásticos mais criticados por poluírem oceanos e praias, e chegaram a ser proibidos em cidades como o Rio de Janeiro. Transformar esse material em óculos de plástico reciclado é uma forma de dar uma segunda vida a algo visto como descartável.
Há também um trabalho de conscientização. De acordo com o Recicla Sampa, a proposta é chamar atenção para o problema do plástico e provocar mudança no comportamento de consumo. Cada armação carrega uma mensagem, além de servir como acessório de moda.
O caráter artesanal completa o charme. Como o material reciclado varia, nem todas as peças ficam iguais, o que dá a cada par uma aparência única. Essa exclusividade, típica de design autoral, ajuda a transformar sustentabilidade em desejo, um dos maiores trunfos da Zerezes.
O tamanho do problema ajuda a entender a proposta. Bilhões de canudos plásticos são usados e descartados todos os anos no mundo, muitas vezes após poucos minutos de uso. Transformar parte disso em óculos de plástico reciclado não resolve a poluição sozinho, mas mostra, de forma concreta, que existe caminho para reaproveitar o que seria jogado fora.
O que torna os óculos de plástico reciclado da Zerezes diferentes?
A resposta passa por três palavras: design, sustentabilidade e brasilidade. A Zerezes não vende só uma armação, e sim uma história de reaproveitamento pensada por designers formados na PUC-Rio. É isso que separa a marca de um óculos comum de prateleira.
O design autoral é o primeiro diferencial. Cada modelo é pensado como peça de moda, com formatos e cores que buscam se destacar no rosto. Os óculos de plástico reciclado da marca competem em estilo com grifes tradicionais, e não apenas no discurso ecológico.
A sustentabilidade é o segundo pilar. Ao usar acetato reciclado, madeira descartada e canudos, a Zerezes transforma o consumo em um gesto de menor impacto. O cliente leva para casa não só um acessório, mas a sensação de estar participando de uma economia mais circular.
O terceiro ponto é a origem nacional. A marca faz questão de se afirmar como brasileira, valorizando o design feito no país. Num mercado dominado por nomes importados, ver uma empresa nacional faturar milhões com óculos de plástico reciclado é um recado poderoso sobre a força da criação local.
R$ 55 milhões em um ano: os números da Zerezes
O dado mais forte é o faturamento. A Zerezes fechou 2023 com R$ 55 milhões, um crescimento de 57% em relação ao ano anterior, que já havia avançado 71%. É um ritmo de expansão acelerado para uma marca nascida de um projeto de design.
A produção acompanha o tamanho do negócio. Ainda de acordo com a Exame, foram mais de 90 mil óculos fabricados apenas em 2023. O volume mostra que os óculos de plástico reciclado deixaram de ser nicho e ganharam escala de mercado de moda.
O varejo puxa boa parte desse resultado. A marca terminou 2023 com 14 operações pelo país e anunciou planos de abrir dez novas unidades em 2024, cinco delas no primeiro semestre. Cada armação é vendida por cerca de R$ 450, segundo o Recicla Sampa, num posicionamento premium.
Para efeito de comparação, sair de cerca de R$ 7 milhões em 2019 para R$ 55 milhões em 2023 significa multiplicar o faturamento por quase oito vezes em quatro anos. Poucas marcas de moda crescem nesse ritmo, ainda mais apostando em sustentabilidade como parte central do produto, e não como simples detalhe de marketing.
Esses números contam uma história maior. Eles mostram que sustentabilidade e lucro podem andar juntos, e que o público brasileiro está disposto a pagar por design, propósito e qualidade. A Zerezes virou prova de que óculos de plástico reciclado podem ser, ao mesmo tempo, ecológicos e rentáveis.
O que isso tem a ver com o Brasil
O Brasil produz montanhas de plástico descartado todos os anos. Boa parte vira lixo em aterros, rios e praias, com destaque para itens como canudos e embalagens. Uma marca que transforma esse material em óculos de plástico reciclado mostra, na prática, um caminho de reaproveitamento.
Há também uma lição de economia circular. Em vez de tratar o descarte como fim de linha, a Zerezes usa acetato reciclado, madeira e canudos como matéria-prima. Esse modelo, em que o lixo de um processo vira insumo de outro, é justamente o que o país precisa ampliar para reduzir o desperdício.
O movimento também gera renda e emprego. Marcas que reaproveitam materiais precisam de gente para coletar, tratar e transformar o descarte, o que cria trabalho ligado à reciclagem e ao design. Quando esse tipo de negócio cresce, como aconteceu com a Zerezes, o ganho vai além do ambiental e chega à economia local.
O caso valoriza o design e o empreendedorismo nacionais. Sair de um projeto de faculdade na PUC-Rio para faturar R$ 55 milhões é um exemplo do potencial da criatividade brasileira. Mostra que ideias com propósito podem virar negócios sólidos, gerando empregos e renda.
Por fim, há um recado sobre consumo consciente. A Zerezes provou que o brasileiro compra sustentabilidade quando ela vem embalada em moda, design e qualidade. Se mais setores seguirem esse caminho, o reaproveitamento de plástico pode deixar de ser exceção e virar parte natural da economia.
E você, usaria óculos de plástico reciclado feito no Brasil?
A trajetória da Zerezes mostra que é possível unir bolso, estilo e meio ambiente. Nascida de estudantes de design da PUC-Rio, a marca transformou acetato reciclado, madeira e canudos em óculos de plástico reciclado desejados, faturando R$ 55 milhões em um único ano e produzindo mais de 90 mil peças.
Mais do que um negócio de sucesso, a história é um exemplo de como o descarte pode virar oportunidade. Ao tratar sustentabilidade como parte da moda, e não como sacrifício, a Zerezes conquistou clientes e provou que o design brasileiro tem espaço para crescer e lucrar.
E você, usaria um par de óculos de plástico reciclado feito no Brasil, com acetato reaproveitado e canudos que iriam para o lixo? Acha que mais marcas deveriam seguir esse caminho de unir design, moda e sustentabilidade? Conta aqui nos comentários a sua opinião e compartilhe com quem ama óculos.
