No African Lion 2026, no sul do Marrocos, o Exército dos EUA testou inteligência artificial, robôs armados, drones com explosivos e sistemas da Palantir em um exercício com 30 países, enquanto militares discutem velocidade nas decisões, substituição de soldados e limites éticos para armas autônomas
No exercício African Lion 2026, realizado no sul de Marrocos com 30 países parceiros, o Exército dos EUA testou plataformas de inteligência artificial, robôs armados e drones, enquanto militares e empresas de defesa discutem velocidade operacional, riscos éticos e limites para decisões letais.
A inteligência artificial foi testada pelo Exército dos EUA no African Lion 2026, no sul de Marrocos, em um exercício multinacional com 30 países que simulou decisões militares mais rápidas, robôs armados e drones capazes de apoiar operações no campo de batalha.
Exercício no Marrocos mostrou como a inteligência artificial entrou na guerra
No ponto em que o Saara encontra a costa atlântica marroquina, explosões, tiros e fumaça de artilharia marcaram como as Forças Armadas americanas preparam soldados para conflitos tecnológicos. O African Lion 2026 reuniu tropas, empresas privadas e sistemas experimentais.
-
O ‘tsunami’ de investimentos direcionados a empresas de Inteligência Artificial (IA) e de semicondutores, que priorizam segurança e lucros mais previsíveis, tem sido determinante para a trajetória declinante do Bitcoin
-
Samsung mira fábrica estratégica de chips na Coreia do Sul e pode mexer no tabuleiro global da IA com avanço em memórias HBM e embalagem avançada
-
Nvidia fecha acordos na Coreia do Sul para fábricas de IA e coloca data centers, chips avançados e nuvem global em outro patamar até 2027
-
ChatGPT revela qual emprego humano escolheria se pudesse trabalhar de verdade
O exercício foi descrito como o maior treinamento militar liderado pelos Estados Unidos na África. Além das manobras tradicionais, mais de uma dezena de companhias de defesa apresentou equipamentos aos militares, recebeu avaliações dos soldados e disputou espaço em modernização.
Entre os sistemas exibidos estavam robôs terrestres, drones com explosivos, um quadricóptero equipado com rifle de nove milímetros e plataformas digitais capazes de organizar informações. A presença desses recursos mostrou que a inteligência artificial deixou de ser ferramenta distante do front.
Decisões que antes levavam horas foram simuladas em minutos
Uma das aplicações testadas envolveu a tentativa de encurtar a cadeia letal, sequência que vai da identificação de um alvo até a autorização para uso de força. A proposta é acelerar dados, reduzir atrasos e apoiar comandantes.
No Centro de Operações Conjuntas em Agadir, operadores usaram uma plataforma baseada em inteligência artificial desenvolvida pela Palantir. O tenente-coronel Ramon Leonguerrero afirmou à CBS News que o sistema acelerou decisões.
Ele relatou que uma decisão que poderia levar duas ou três horas cinco anos atrás foi tomada em três minutos durante o exercício. Mesmo assim, a aprovação final do alvo permaneceu com um humano, que ordenou o ataque.
O sistema por trás da operação foi o Projeto Maven, iniciativa de inteligência artificial do Pentágono criada pela Palantir. A plataforma processa dados do campo de batalha, identifica padrões e ajuda a priorizar informações, inclusive sobre alvos.
Fontes militares e industriais familiarizadas com os sistemas afirmaram que a interface do Maven com operadores humanos se apoia no Claude, modelo de linguagem da Anthropic. A ferramenta permite consultas simples e ajuda a sintetizar o que Leonguerrero chamou de oceano de dados.
Debate ético acompanha avanço dos sistemas autônomos
A presença do Claude no exercício chamou atenção porque a Anthropic entrou em atrito público com o secretário de Defesa Pete Hegseth. A empresa defendeu medidas de segurança para impedir o uso do modelo em vigilância em massa de cidadãos americanos ou armas autônomas.
Hegseth disse ao Comitê de Serviços Armados do Senado, em 30 de abril, que a IA não tomaria decisões letais no campo de batalha, embora não tenha respondido diretamente se essa regra valeria sempre. O tema permanece sensível.
Um soldado americano ouvido pela CBS News afirmou que nunca se sentiria confortável em delegar a um computador uma decisão que cabe a um oficial. Para ele, computadores podem auxiliar operações, mas não substituir a responsabilidade humana em escolhas críticas.
O general Dagvin RM Anderson, responsável pelo Comando da África das Forças Armadas dos EUA, reconheceu questões morais e éticas a ponderar. Ao mesmo tempo, afirmou que a tecnologia existe, não vai desaparecer e ignorá-la poderia representar risco.
Anderson classificou como perturbadora a ideia de a IA assumir responsabilidades letais dos humanos. Mesmo assim, defendeu que não adotá-la seria imprudente, porque adversários também recorrerão a esses recursos e poderiam obter vantagem operacional.
Robôs armados prometem tirar soldados da linha de frente
Outra frente demonstrada no Marrocos foi o uso de robôs para substituir militares em tarefas perigosas. A Overland AI, startup de Seattle, testou o veículo autônomo ULTRA, controlado por laptop e capaz de seguir rotas com poucos cliques.
Com cerca de um metro e meio de altura, pneus robustos, câmeras e sensores, o ULTRA avançou pelo deserto em direção à linha de fogo simulada. O veículo pode carregar metralhadora, minas e cargas explosivas, mantendo o operador informado.
Tim Bishop, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Overland AI, afirmou à CBS News que o sistema pode proteger soldados ao fornecer fogo de cobertura, plantar minas para conter avanço inimigo e detonar explosivos para romper linhas adversárias.
Por enquanto, a metralhadora instalada no veículo é operada remotamente por um humano. Bishop reconheceu que seria tecnicamente possível automatizar essa função no futuro, permitindo que a máquina decidisse quando abrir fogo.
O primeiro-tenente Vincent Gasparri afirmou que operações de invasão estão entre as mais perigosas para soldados. Em um exercício específico, estimou que cerca de 40 humanos foram substituídos por dois robôs, permitindo maior velocidade.
Gasparri, líder da Equipe de Inovação de Baionetas da 173ª Brigada Aerotransportada, admitiu apreensão sobre armas autônomas. Ainda assim, disse que sua motivação é salvar vidas, acelerar decisões e garantir que soldados americanos não fiquem em desvantagem.
Com informações de CBS.
