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Ex-catador de lixo que cresceu no lixão vira doutor em Linguística pela UFSC após aprender com livros encontrados no lixo e trabalhar desde criança para ajudar a família em casa

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 14/05/2026 às 20:02
Atualizado em 14/05/2026 às 20:04
Ex-catador de lixo que cresceu no lixão vira doutor em Linguística pela UFSC após aprender com livros encontrados no lixo e trabalhar desde criança.
Ex-catador de lixo que cresceu no lixão vira doutor em Linguística pela UFSC após aprender com livros encontrados no lixo e trabalhar desde criança.
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Dorival Gonçalves Santos Filho trabalhou desde criança no lixão para ajudar a família, largou os estudos, descobriu nos livros descartados a paixão pela leitura e se tornou doutor pela UFSC em uma trajetória que desafia qualquer estatística sobre o destino de um ex-catador de lixo, conforme a OCP News

Aos 35 anos, Dorival Gonçalves Santos Filho defendeu sua tese de doutorado em Linguística pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e concluiu uma jornada que começou décadas antes, quando ele era um ex-catador de lixo que sequer frequentava a escola. Criado no lixão de Piedade, no interior de São Paulo, Dorival precisou trabalhar desde criança para ajudar a família a sobreviver, e foram os livros encontrados entre os resíduos que abriram o caminho improvável até o título de doutor.

A história de Dorival não é sobre sorte. É sobre um menino que, mesmo passando o dia inteiro trabalhando no lixão, encontrava formas de estudar com os livros que apareciam entre o lixo ou que trocava com colegas de trabalho. Enquanto disputava com corvos e cães os alimentos descartados que ajudavam a compor a alimentação da família, o futuro doutor pela UFSC devorava páginas que outras pessoas consideraram inúteis o suficiente para jogar fora.

Do lixão aos livros de Machado de Assis

Ex-catador de lixo que cresceu no lixão vira doutor em Linguística pela UFSC após aprender com livros encontrados no lixo e trabalhar desde criança.

A infância de Dorival foi marcada pela necessidade. Como ex-catador de lixo desde os primeiros anos de vida, ele dividia o tempo entre a coleta de materiais e a busca por qualquer coisa que pudesse ser aproveitada pela família. A alimentação vinha em parte do próprio lixão. Pacotes de comida descartados por outras pessoas e frutas em condições precárias eram recuperados e disputados diariamente com animais que também sobreviviam ali.

Mesmo sem frequentar a escola, Dorival não parou de aprender. Os livros que encontrava no lixão se tornaram sua sala de aula particular, e a troca de títulos com outros catadores funcionava como uma biblioteca informal. Foi assim, lendo entre restos e resíduos, que o futuro doutor pela UFSC consumiu na adolescência quase todas as obras de Machado de Assis. A paixão pelos livros que nasceu no lixão foi o primeiro sinal de que a trajetória daquele ex-catador de lixo tomaria um rumo que ninguém ao redor poderia prever.

O Bolsa Família e a volta à escola que mudou tudo

A virada na vida de Dorival aconteceu quando sua mãe começou a receber o Bolsa Família. Com o mínimo de segurança financeira garantido pelo benefício, o ex-catador de lixo pôde finalmente retomar os estudos que havia abandonado por necessidade. Dorival voltou para a sala de aula já crescido, carregando uma bagagem de leitura que muitos estudantes formais jamais acumularam, construída inteiramente com os livros resgatados do lixão.

Aos 21 anos, um episódio aparentemente pequeno mudou a direção de sua vida por completo. Dorival ouviu sua professora falando francês ao telefone e se apaixonou pelo idioma naquele instante. Decidiu ali que queria falar aquela língua um dia. Foi nesse mesmo período que a sorte bateu à porta de forma concreta: ele foi sorteado pela Unesp para fazer o vestibular gratuitamente. O ex-catador de lixo que havia aprendido a ler no lixão agora tinha diante de si a chance real de entrar em uma universidade pública.

Da graduação em Letras ao título de doutor pela UFSC

Ex-catador de lixo que cresceu no lixão vira doutor em Linguística pela UFSC após aprender com livros encontrados no lixo e trabalhar desde criança.

Dorival foi aprovado e ingressou no curso de Letras com habilitação em Português e Francês. O caminho dentro da universidade não foi simples. Ele precisou viver longe da família, conciliar a bolsa de iniciação científica com um trabalho para se sustentar e enfrentar as dificuldades que acompanham qualquer estudante de origem vulnerável no ensino superior. Mas o mesmo ex-catador de lixo que havia sobrevivido ao lixão não se deixou derrotar pelas barreiras acadêmicas.

Após a graduação, Dorival e sua família se mudaram para Guaramirim, em Santa Catarina, onde ele começou a dar aulas. O desejo de se dedicar à pesquisa acadêmica, porém, só cresceu. Com bolsas de estudo, ele seguiu para o mestrado e depois para o doutorado na UFSC, onde defendeu sua tese em Linguística aos 35 anos. O menino que aprendeu a ler com livros jogados no lixão havia se tornado oficialmente doutor por uma das universidades mais respeitadas do Brasil.

O ex-catador de lixo que hoje devolve à sociedade o que recebeu

Hoje, Dorival trabalha como professor pela Prefeitura de Florianópolis. O doutor pela UFSC que cresceu no lixão acredita que chegou a hora de devolver à sociedade todo o investimento que recebeu ao longo de sua trajetória acadêmica. Ele reconhece que, além do esforço pessoal e do apoio da família, contou com a ajuda de professores, amigos e oportunidades que foram determinantes para que um ex-catador de lixo pudesse alcançar o título de doutor.

A história de Dorival desafia a narrativa de que o destino de quem nasce no lixão está selado. Os livros que a sociedade descartou foram exatamente os que construíram o caminho desse ex-catador de lixo até a UFSC. Cada página encontrada entre os resíduos se transformou em conhecimento, e cada obstáculo superado provou que a educação pode brotar nos lugares mais improváveis quando alguém se recusa a aceitar que sua origem define seu futuro.

A trajetória de Dorival Gonçalves Santos Filho mostra que livros mudam vidas, mesmo quando encontrados no lixão, e que o título de doutor pela UFSC conquistado por um ex-catador de lixo é a prova mais concreta de que nenhum ponto de partida é definitivo.

O que a história de Dorival desperta em você? Acredita que o Brasil oferece oportunidades suficientes para que outras pessoas em situação semelhante consigam trilhar o mesmo caminho? Deixe sua opinião nos comentários.

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Alzira
Alzira
20/05/2026 14:27

Não acredito, ele que buscou todas às oportunidades na vida e acreditou nele mesmo.Estamos sem rumo perdidos em tantas tragédias.

Frederico Santos Lopes
Frederico Santos Lopes
20/05/2026 14:05

É uma pessoa especial. Parabéns pra ele. Isto também mostra o quão rígida é a burocracia do ensino. Uma pessoa vivendo da forma como ele vivia, por conta própria chegou à universidade.

Thomé Mendes
Thomé Mendes
20/05/2026 13:53

Linda história – Congratulações ao seu protagonista!.
Uma lástima que, uma crônica sobre um homem que mudou sua trajetória através das palavras (e pela senda da Linguística) tenha sido gerada por ferramenta de inteligência artificial…

O texto ficou redundante e reincidente – enfático nos termos ‘lixão’ – 20 vezes se repete – enquanto poderia ter mais de ‘lição’ e de ‘transcendência’.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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