A história do Colégio Catarinense chega a Cox’s Bazar: inteligência artificial no Save the Children acelera decisões em campo de refugiados para educação e saúde.
Em 17 de abril de 2026, o ex-aluno e bolsista do Colégio Catarinense Nicholas Roberto Drabowski passou a ser um dos nomes por trás do uso de inteligência artificial no Save the Children International, com foco em acelerar educação e saúde em operações humanitárias.
Formado em Engenharia de Controle e Automação pela UFSC, e hoje Global Head of AI da organização, ele atua a partir do centro de tecnologia da ONG na Inglaterra e esteve em visita técnica a Cox’s Bazar, em Bangladesh, considerado o maior campo de refugiados do mundo.
Da sala de aula a uma missão global

Nicholas relembra que acordava às cinco da manhã, ainda menino, para atravessar Florianópolis de ônibus e chegar ao Colégio Catarinense às sete. Anos depois, diante de crianças refugiadas em um dos cenários mais desafiadores do planeta, a memória voltou com força e com lágrimas de alegria, associadas ao que ele descreve como o poder transformador da educação.
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Ele atribui parte dessa formação à cultura escolar voltada ao entendimento real do conteúdo, com leitura, profundidade e professores comprometidos, além das experiências de formação humana e cristã, que aproximavam os alunos de realidades de vulnerabilidade e despertavam a pergunta que guiaria sua carreira: como usar conhecimento técnico para gerar impacto social.
Vocação desde a infância e a escolha pelo impacto
A engenharia surgiu cedo, ainda na infância, quando desmontava brinquedos para entender como funcionavam. No Ensino Médio, a curiosidade virou caminho profissional: ele passou direto no vestibular e se formou na UFSC, mas com uma decisão clara de não limitar a carreira ao aspecto técnico.
No trabalho atual, o uso de inteligência artificial aparece como parte de um esforço para tornar o atendimento humanitário mais eficiente, transformando dados em decisões rápidas em contextos onde tempo, recursos e infraestrutura são limitados.
Tecnologia a serviço da vida em educação e saúde
No Save the Children, Nicholas desenvolve soluções para “fazer mais com menos”, um princípio essencial no trabalho humanitário. Entre os usos estão plataformas digitais que ajudam médicos a atender crianças em regiões remotas, permitem o monitoramento de indicadores e acompanham o impacto de programas em tempo real.
Segundo o relato, a organização mede mais de 10 mil indicadores de qualidade em suas ações ao redor do mundo, e a inteligência artificial entra como meio de organizar informação, apoiar a tomada de decisão e acelerar respostas em campo.
A inteligência artificial que organiza um século de conhecimento
Uma das inovações lideradas por ele foi a criação de um sistema de inteligência artificial para organizar e disponibilizar o conhecimento acumulado pela instituição ao longo de mais de um século de atuação humanitária.
Na prática, o banco de informações facilita que equipes em diferentes países acessem experiências anteriores, reaproveitem aprendizados e adaptem soluções já testadas a novos cenários, encurtando caminhos e ampliando resultados onde cada etapa economizada pode significar mais crianças atendidas.
Cox’s Bazar, Bangladesh: escala de cidade e desafios extremos

Em Cox’s Bazar, Nicholas acompanhou projetos em um campo que abriga cerca de 1,1 milhão de refugiados, uma população comparável à de uma grande cidade, concentrada em uma área descrita como pouco maior que o Centro de Florianópolis.
Com diferentes línguas, culturas e dificuldades severas, o cenário exige respostas de baixo custo, alta eficiência e forte adaptação local, especialmente em educação e saúde. O trabalho, segundo o texto, inclui também pensar na sustentabilidade das ações, com programas desenhados para capacitar comunidades locais e permitir que governos transformem projetos em políticas públicas, ampliando o alcance para centenas de milhares de crianças.
Bolsas, oportunidades e formação que volta para a sociedade
A trajetória de Nicholas também destaca o papel das bolsas de estudo como instrumento de acesso e permanência na educação de qualidade. O Colégio Catarinense mantém programas que buscam garantir uma formação acadêmica sólida combinada com formação humana e social, criando oportunidades concretas de desenvolvimento integral.
Na leitura apresentada, histórias como a dele mostram como, quando oportunidades existem, o conhecimento circula, se multiplica e retorna em forma de inovação, cuidado e responsabilidade com o outro, inclusive por meio de inteligência artificial aplicada ao bem comum.
Resiliência que atravessa continentes
Momentos vividos na escola seguem presentes no cotidiano profissional, como a relação com professores que não minimizaram dificuldades, mas ensinaram a enfrentá-las. Ele cita um episódio marcante ligado à matemática, quando entendeu que o desafio faz parte do processo e que persistir é o caminho.
Entre Florianópolis e Bangladesh, a história reforça a ideia de que educação, quando levada a sério, pode atravessar fronteiras e ajudar a mudar realidades, inclusive em cenários extremos, onde a inteligência artificial vira ferramenta para ampliar alcance e acelerar respostas.
E para você: de que forma a inteligência artificial deveria ser usada, com prioridade, para melhorar educação e saúde em situações extremas como a de Cox’s Bazar?

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