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Europa descobre “mina urbana” com lítio escondido em eletrônicos, baterias usadas e turbinas antigas, e pode recuperar mais de 55 mil toneladas por ano até 2050

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 27/05/2026 às 10:24 Atualizado em 27/05/2026 às 21:40
Europa mapeia mina urbana e vê potencial para recuperar lítio, cobalto e níquel de resíduos até 2050.
Europa mapeia mina urbana e vê potencial para recuperar lítio, cobalto e níquel de resíduos até 2050.
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Projeto FutuRaM, financiado pela União Europeia, mapeou 42 matérias-primas críticas em 31 países e mostrou que resíduos de eletrônicos, baterias, edifícios e turbinas podem ampliar a recuperação de lítio, reduzir importações e evitar milhões de toneladas de CO2 por ano até 2050.

Projeto FutuRaM, financiado pela União Europeia, mapeou 42 matérias-primas críticas em 31 países e mostrou que resíduos de eletrônicos, baterias, edifícios e turbinas podem reduzir importações, ampliar a reciclagem de lítio e evitar milhões de toneladas de CO2 até 2050.

A Europa pode recuperar mais de 55 mil toneladas de lítio por ano até 2050 se transformar eletrônicos descartados, baterias usadas, edifícios demolidos e turbinas eólicas antigas em uma mina urbana estratégica para sua indústria.

Lítio aparece no centro da nova mina urbana europeia

O levantamento foi desenvolvido pelo projeto FutuRaM, financiado pela União Europeia, para medir a disponibilidade futura de matérias-primas secundárias. A pesquisa mapeou 42 matérias-primas críticas em 31 países europeus, reunindo dados sobre resíduos já presentes ou previstos nos fluxos de descarte.

O inventário mostra que produtos colocados no mercado europeu carregavam 5,7 milhões de toneladas de matérias-primas críticas apenas em 2022. Desse total, 1,5 milhão de toneladas foi recuperado, enquanto grande parte se perdeu em rotas ilegais, reciclagem desalinhada ou exportações como itens de segunda mão.

A diferença revela uma fragilidade industrial. Materiais decisivos para veículos elétricos, baterias e energia renovável ainda dependem fortemente de fornecedores externos. O mapeamento indica que resíduos urbanos podem virar fonte relevante para reduzir essa exposição, desde que haja coleta, rastreamento e refino mais eficientes.

Recuperação pode substituir até 56% dos recursos primários

Até 2050, sistemas avançados de recuperação poderiam retirar entre 4,5 milhões e 6,2 milhões de toneladas de matérias-primas críticas por ano dos resíduos europeus. Em um cenário de economia circular completa, esse volume poderia substituir até 56% das necessidades de recursos primários do continente.

O potencial cresce com a digitalização, a eletrificação e a expansão das energias renováveis. Esses setores colocam no mercado produtos ricos em componentes estratégicos, que depois retornam como lixo eletrônico, baterias gastas, estruturas desmontadas e equipamentos industriais fora de uso.

No caso do lítio, a mudança seria expressiva. A recuperação anual poderia sair de menos de 1.102 toneladas atualmente para mais de 55.115 toneladas até 2050. O cobalto também poderia ter reciclagem quarenta vezes maior, enquanto o níquel ultrapassaria 188.495 toneladas anuais.

Menos importação e menor pressão climática

A dependência externa é um dos pontos centrais do debate. A China domina o mercado de terras raras, a República Democrática do Congo concentra o fornecimento de cobalto e a África do Sul tem posição dominante na platina. A recuperação interna mudaria parte dessa lógica.

O impacto ambiental também aparece entre os principais ganhos. A reciclagem, em vez da mineração, poderia evitar até 300 milhões de toneladas de emissões de CO2 por ano em meados do século, volume comparado à pegada anual de carbono da Espanha.

Para alcançar esse resultado, o projeto destaca a necessidade de corrigir vazamentos estruturais. Isso inclui melhorar a coleta doméstica, ampliar sistemas de rastreamento, fortalecer capacidades regionais de refino e evitar a exportação de recursos parcialmente processados, como a massa negra de baterias.

A Plataforma de Minas Urbanas reúne os dados do levantamento, enquanto a ferramenta SARA4UNFC padroniza a avaliação dos resíduos em critérios técnicos, econômicos, sociais e ambientais.

O desafio europeu agora é tratar esses descartes como insumos estratégicos, capazes de sustentar cadeias industriais essenciais e para a segurança econômica do continente europeu nas próximas décadas também.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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