Onda de calor eleva temperaturas a níveis históricos em maio, pressiona Reino Unido, França, Espanha e Portugal e reforça alerta sobre saúde, incêndios e aquecimento acelerado da Europa
A onda de calor na Europa elevou temperaturas a níveis históricos no fim da primavera, com registros simultâneos no Reino Unido, França, Espanha e Portugal. O fenômeno, associado a uma forte cúpula de calor, deixou termômetros até 15°C acima da média e ampliou alertas para saúde, incêndios e pressão sobre serviços públicos. Este artigo usou como base essa matéria do O Globo.
Onda de calor na Europa bate recorde no Reino Unido
O Reino Unido registrou, na última terça-feira, o dia de maio mais quente desde o início das medições meteorológicas. Segundo o Met Office, Londres chegou aos 35°C, superando marcas históricas para o mês.
Na França, Nantes marcou entre 34°C e 35°C. Paris deve ultrapassar os 32°C nos próximos dias, enquanto Espanha e Portugal enfrentam temperaturas próximas dos 40°C.
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A combinação de calor intenso em vários países ao mesmo tempo aumenta a preocupação das autoridades porque amplia riscos à saúde, favorece incêndios e pode pressionar serviços públicos durante o período.

Cúpula de calor prende ar quente sobre o continente
O episódio está ligado a uma cúpula de calor, sistema de alta pressão que atua como uma tampa atmosférica. Esse bloqueio dificulta a dispersão do ar quente e mantém temperaturas elevadas por mais tempo.
Esse tipo de configuração favorece ondas de calor mais longas e intensas. Nesta semana, o fenômeno ajudou a elevar os termômetros a níveis incomuns para maio, antes mesmo do verão avançar no continente.
Meteorologistas apontam que sistemas de alta pressão têm permanecido por mais tempo sobre a Europa.
Isso cria condições para calor persistente, com efeitos diretos sobre a população, a infraestrutura e áreas sujeitas a incêndios.
Europa aquece mais rápido que a média global
O calor extremo reforça um alerta observado por cientistas: a Europa é o continente que aquece mais rapidamente no planeta.
Dados do serviço climático europeu Copernicus indicam que a temperatura média europeia já subiu cerca de 2,5°C desde o período pré-industrial.
No restante do mundo, o aquecimento médio está em torno de 1,4°C. Essa diferença ajuda a explicar por que eventos de calor intenso têm chamado tanta atenção no continente.
Parte da explicação está na proximidade com o Ártico, região que aquece mais rapidamente do que qualquer outra. Com menos gelo e neve, a superfície reflete menos radiação solar e absorve mais calor.

Menos neve, alta pressão e queda da poluição ajudam a explicar o cenário
A redução da neve durante o inverno também contribui para a retenção de calor no próprio continente. Com menor cobertura refletiva, a Europa acumula mais energia ao longo do ano.
Outro fator citado por meteorologistas é a queda da poluição atmosférica desde os anos 1980. Com menos partículas suspensas para refletir parte da radiação solar, mais calor chega à superfície.
Peter Thorne, diretor do Centro de Pesquisa Climática Icarus, da Universidade Maynooth, na Irlanda, afirmou que ondas de calor como esta se tornaram mais prováveis e mais severas por causa das mudanças climáticas.

Relatórios do Copernicus apontam aumento da frequência de secas, incêndios florestais, enchentes e ondas de calor extremas na Europa.
Pesquisadores europeus também indicam que mais de 62 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao calor no continente em 2024, ano mais quente já registrado globalmente.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Met Office, do serviço climático europeu Copernicus e de declarações de Peter Thorne, da Universidade Maynooth, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


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