Mudança inédita no papel-moeda dos Estados Unidos altera tradição centenária, inclui assinatura presidencial e marca comemorações dos 250 anos da independência com impacto simbólico e político na circulação do dólar a partir de 2026.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou em 26 de março que futuras cédulas do país passarão a trazer a assinatura do presidente Donald Trump ao lado da do secretário do Tesouro, Scott Bessent.
A mudança rompe uma prática mantida desde 1861, quando a moeda federal norte-americana começou a circular com as assinaturas do secretário do Tesouro e do tesoureiro dos EUA.
As primeiras notas de US$ 100 com o novo padrão devem ser impressas em junho de 2026 e, segundo o governo, a alteração foi planejada para as celebrações dos 250 anos da independência americana.
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Com a decisão, a assinatura do tesoureiro deixa de aparecer no papel-moeda pela primeira vez em 165 anos.
O Tesouro informou que a substituição vale para as futuras emissões e não altera o desenho principal das cédulas, que seguirá preservando os elementos exigidos em lei, entre eles a inscrição “In God We Trust” e os retratos históricos já existentes.
A previsão é que outras denominações recebam a nova combinação de assinaturas nos meses seguintes ao início da impressão das notas de US$ 100.
O que muda nas notas de dólar nos EUA
Na prática, o anúncio não representa uma reformulação visual completa do dólar.
O que muda é a área destinada às assinaturas administrativas, tradicionalmente reservada ao secretário do Tesouro e ao tesoureiro dos Estados Unidos.
Dessa vez, a assinatura presidencial passará a ocupar esse espaço, numa decisão que o governo apresentou como um gesto simbólico ligado ao aniversário de 250 anos da independência do país.
Ainda assim, as cédulas atualmente produzidas com assinaturas anteriores continuarão válidas e seguirão circulando normalmente.
Reportagens da Reuters e da Associated Press informaram que o Tesouro ainda imprime notas com as assinaturas da ex-secretária Janet Yellen e da ex-tesoureira Lynn Malerba.
Isso significa que a chegada do novo modelo ao sistema bancário tende a ocorrer de forma gradual, após a impressão e a distribuição pelo Federal Reserve.
A medida também consolida Lynn Malerba como a última integrante de uma sequência ininterrupta de tesoureiros cujos nomes apareciam no papel-moeda federal desde o século 19.
O cargo de tesoureiro continua existindo, mas sua assinatura deixará de compor as novas emissões, segundo o anúncio oficial.
O atual tesoureiro é Brandon Beach, que apoiou publicamente a iniciativa, embora seu nome não esteja entre os que aparecerão nas futuras cédulas.
Governo Trump associa mudança ao aniversário dos EUA
Ao divulgar a mudança, Scott Bessent afirmou que a iniciativa busca marcar o semiquincentenário dos Estados Unidos com uma emissão considerada histórica pela administração Trump.
Em nota oficial, o secretário disse que o país está em trajetória de crescimento econômico, estabilidade fiscal e fortalecimento do dólar, e associou esse cenário à decisão de colocar a assinatura presidencial nas futuras cédulas.
A formulação adotada pelo governo acrescenta um componente político a um elemento que, até aqui, era tratado como administrativo.
Esse ponto foi destacado em reportagens internacionais publicadas após o anúncio, que registraram críticas de opositores e de entidades de fiscalização pública.
Para esses grupos, a mudança amplia o esforço da atual gestão para vincular o nome de Trump a símbolos oficiais do Estado americano.
No campo jurídico, porém, as informações divulgadas até agora indicam que a alteração das assinaturas se apoia na margem de decisão do secretário do Tesouro sobre o desenho das notas, desde que os elementos obrigatórios sejam mantidos.
A lei federal consultada pela imprensa americana exige, por exemplo, que apenas retratos de pessoas já falecidas possam aparecer na moeda e nos títulos dos Estados Unidos.
Regras legais impedem imagem de Trump nas cédulas
Esse detalhe ajuda a explicar por que a administração avançou com a assinatura, mas encontrou barreiras em propostas que envolveriam retratos ou imagens de Trump em circulação comum.
A legislação federal determina que somente pessoas falecidas podem ter retrato estampado na moeda e em cédulas dos Estados Unidos.
Com isso, ainda que o governo tenha sinalizado interesse em associar a comemoração dos 250 anos ao presidente, a inclusão de sua imagem em dinheiro de circulação enfrenta restrições legais expressas.
O mesmo debate apareceu em torno de uma moeda comemorativa de ouro com a imagem de Trump.
A cobertura internacional informou que um painel federal de artes aprovou o desenho de uma peça comemorativa.
No entanto, a tentativa de levar a imagem do presidente para uma moeda de US$ 1 esbarrou nas regras que vedam a representação de pessoas vivas em moedas americanas.
Nesse contexto, a assinatura acabou sendo a via escolhida pelo governo para marcar a data histórica sem alterar os retratos oficiais em circulação.
Quando as novas notas de dólar começam a circular
Segundo o Tesouro, as primeiras notas de US$ 100 com as assinaturas de Trump e Bessent devem começar a ser impressas em junho de 2026.
A presença efetiva desse dinheiro nos bancos e no comércio, porém, não será imediata.
O intervalo entre impressão, distribuição e entrada em circulação costuma levar semanas.
O ritmo depende da demanda do sistema monetário, da substituição de cédulas antigas e da logística conduzida pelo Federal Reserve e pelo Bureau of Engraving and Printing.
Por isso, embora o anúncio já tenha provocado repercussão política e simbólica, o efeito concreto sobre o dinheiro que chega às mãos do público será progressivo.
O desenho geral da nota de US$ 100 não será alterado, e tampouco houve, até aqui, divulgação oficial de uma simulação completa da nova cédula.
O que está confirmado, até o momento, é a troca da assinatura do tesoureiro pela do presidente, numa ruptura inédita desde o início da emissão do papel-moeda federal em 1861.

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