Proposta da USTR ainda passará por consulta pública e pode ampliar a pressão dos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil
Uma nova medida comercial dos Estados Unidos colocou o Brasil no centro de uma possível disputa tarifária. A USTR, órgão responsável pela política comercial norte-americana, propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob alegação de falhas no combate ao “trabalho forçado” em cadeias produtivas. A proposta foi apresentada em 2 de junho de 2026, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esse mecanismo permite investigações contra práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos e, por isso, amplia a pressão sobre países incluídos na lista.
Proposta mira Brasil e outros parceiros comerciais
A iniciativa não envolve apenas o Brasil. Ao todo, 58 países e a União Europeia aparecem na lista analisada pelos Estados Unidos. As alíquotas, porém, variam conforme o parceiro comercial. Canadá, México, Reino Unido e União Europeia aparecem com possível tarifa extra de 10%, enquanto o Brasil está no grupo sujeito ao percentual mais alto, de 12,5%. Segundo a USTR, falhas no enfrentamento ao “trabalho forçado” poderiam criar distorções na concorrência internacional e reduzir custos produtivos fora dos Estados Unidos.

Consulta pública definirá próximos passos
A cobrança ainda não entrou em vigor, pois depende de etapas formais dentro do processo norte-americano. O governo dos Estados Unidos receberá manifestações públicas até 6 de julho de 2026 e, depois disso, realizará uma audiência antes da decisão final. A medida, portanto, permanece em análise, mas a inclusão do Brasil já sinaliza endurecimento da política comercial de Washington. Esse movimento também amplia o uso da Seção 301 em investigações comerciais envolvendo parceiros e setores considerados sensíveis para a indústria norte-americana.
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Setores estratégicos podem ficar fora da tarifa
A proposta também prevê possíveis exceções para áreas consideradas estratégicas. Entre os segmentos citados estão medicamentos, energia e minerais críticos, o que indica que nem todos os produtos importados seriam necessariamente atingidos. Ainda assim, exportadores brasileiros acompanham o processo com atenção, porque qualquer tarifa adicional pode alterar custos, contratos e competitividade no mercado norte-americano. A proposta surge em meio a outras medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos contra uma ampla lista de produtos brasileiros.
Pressão comercial aumenta sobre o Brasil
O novo movimento reforça a pressão dos Estados Unidos sobre importações ligadas a temas trabalhistas e produtivos. A alegação central envolve o combate ao “trabalho forçado”, tema que passou a ganhar mais peso nas relações comerciais internacionais. A discussão, portanto, não envolve apenas tarifas, mas também padrões de produção, fiscalização e responsabilidade nas cadeias globais. Por enquanto, o Brasil aguarda o avanço da consulta pública e da audiência nos Estados Unidos, enquanto a possibilidade de sobretaxa de 12,5% acende alerta sobre o futuro das exportações brasileiras.
O Brasil conseguirá evitar uma nova barreira comercial antes da decisão final dos Estados Unidos?
