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EUA liberam usina reversível de 1.200 MW com licença de 40 anos e preparam megabateria hídrica para armazenar energia eólica e solar por até 12 horas em Washington

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 02/05/2026 às 18:26
Atualizado em 02/05/2026 às 18:30
Assista o vídeoEUA aprovam usina reversível de 1.200 MW para armazenar energia eólica e solar por até 12 horas e reforçar a estabilidade da rede elétrica.
EUA aprovam usina reversível de 1.200 MW para armazenar energia eólica e solar por até 12 horas e reforçar a estabilidade da rede elétrica.
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Licença federal destrava projeto estratégico de armazenamento de energia no noroeste dos Estados Unidos, com capacidade de 1.200 MW e foco em equilibrar a geração intermitente de fontes eólicas e solares por até 12 horas, ampliando a estabilidade da rede elétrica regional.

A concessão de uma licença federal de 40 anos ao Goldendale Energy Storage Project marca um avanço decisivo para um dos maiores projetos de armazenamento de energia dos Estados Unidos, previsto para o condado de Klickitat, no estado de Washington.

Emitida pela Federal Energy Regulatory Commission em 22 de janeiro de 2026, a autorização permite a construção e operação de uma usina hidrelétrica reversível com capacidade instalada de 1.200 megawatts, considerada estratégica para o sistema elétrico.

Inserido no contexto de expansão das energias renováveis, o projeto foi concebido como uma estrutura de armazenamento de longa duração, capaz de reter eletricidade por até 12 horas por meio do bombeamento de água entre reservatórios posicionados em diferentes níveis.

Na prática operacional, a instalação atua como uma bateria hídrica de grande escala, oferecendo suporte à rede elétrica em cenários de alta variabilidade na geração de energia eólica e solar, cada vez mais presentes na matriz norte-americana.

Localizada a cerca de 8 milhas, ou 12,9 quilômetros, a sudeste da cidade de Goldendale, a usina será implantada em sistema de circuito fechado, sem ligação direta com o fluxo natural de rios ou córregos.

De acordo com a FERC, o empreendimento também incluirá linhas de transmissão que se estendem até o condado de Sherman, no estado do Oregon, reforçando a integração regional do sistema energético no noroeste do país.

Esse estágio representa o avanço regulatório mais relevante desde a apresentação do pedido inicial, protocolado em junho de 2020 pela FFP Project 101, LLC, responsável pelo desenvolvimento do projeto.

Ao todo, a área ocupada soma 18,1 acres de terras federais pertencentes ao U.S. Army Corps of Engineers e administradas pela Bonneville Power Administration, em uma região já consolidada como corredor energético.

Como funciona a usina reversível de Goldendale

Embora o princípio de funcionamento seja relativamente direto, a engenharia envolvida na operação de uma usina reversível exige alta complexidade técnica e planejamento detalhado para garantir eficiência e estabilidade no fornecimento de energia.

Durante períodos de baixa demanda ou de excesso de geração renovável, a eletricidade disponível é utilizada para acionar bombas que transportam água do reservatório inferior para o superior, armazenando energia potencial no processo.

EUA aprovam usina reversível de 1.200 MW para armazenar energia eólica e solar por até 12 horas e reforçar a estabilidade da rede elétrica.
EUA aprovam usina reversível de 1.200 MW para armazenar energia eólica e solar por até 12 horas e reforçar a estabilidade da rede elétrica.

Quando há necessidade de reforço no fornecimento, especialmente em horários de pico, a água é liberada de volta ao reservatório inferior por meio de túneis, movimentando turbinas que convertem essa energia em eletricidade.

Esse mecanismo permite deslocar a oferta energética no tempo, equilibrando diferenças entre produção e consumo, algo considerado essencial em sistemas com alta participação de fontes intermitentes como vento e sol.

Com potência de 1.200 MW, o projeto se posiciona entre os maiores sistemas de armazenamento em análise no país, o que amplia o interesse de operadores, investidores e formuladores de políticas públicas do setor elétrico.

Além disso, a proposta reforça uma mudança estrutural no setor energético, onde a capacidade de armazenar eletricidade passa a ter papel tão relevante quanto a própria geração, especialmente em cenários de transição energética.

Licenciamento ambiental e impactos analisados pela FERC

Apesar do avanço regulatório, o processo de licenciamento evidenciou uma série de impactos ambientais que precisaram ser avaliados detalhadamente antes da concessão da licença federal.

Para isso, a equipe técnica da FERC elaborou um Environmental Impact Statement, contando com a colaboração do U.S. Army Corps of Engineers, a fim de examinar os efeitos da construção e operação do empreendimento.

Entre os principais pontos analisados, estão riscos de erosão do solo, emissão de poeira durante as obras e possíveis alterações na qualidade das águas superficiais e subterrâneas ao longo do tempo.

Também foi considerada a retirada de água necessária para o enchimento inicial dos reservatórios, bem como para sua reposição durante a operação contínua da usina.

Outro aspecto sensível envolve a fauna aquática, com destaque para possíveis impactos na migração de salmões juvenis e o risco de arraste de smolts durante o processo de enchimento dos reservatórios.

Ao longo do tempo, o estudo aponta ainda a possibilidade de aumento na concentração de sólidos dissolvidos, nutrientes e metais pesados nas águas armazenadas.

De acordo com a análise ambiental, o projeto pode resultar na perda de 193,6 acres de habitat de fauna, além de provocar perturbação temporária em outros 54,3 acres durante as fases de construção.

Além disso, há risco adicional de mortalidade de aves e morcegos devido à interação com turbinas eólicas próximas, uma vez que os reservatórios podem atuar como elemento de atração para essas espécies.

Impactos culturais e áreas indígenas no centro do debate

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Paralelamente às questões ambientais, o licenciamento trouxe à tona impactos relevantes sobre áreas de valor histórico, arqueológico e cultural presentes na região do projeto.

A FERC identificou efeitos adversos inevitáveis sobre cinco recursos arqueológicos individuais, além do Columbia Hills Archaeological District e de três Traditional Cultural Properties conhecidas como Pushpum, Nch’ima e T’at’ałíyapa.

Outro ponto destacado envolve a possível restrição de acesso de comunidades tribais a áreas tradicionalmente utilizadas para coleta de plantas, o que pode afetar práticas culturais e modos de vida associados ao território.

Somado a isso, a alteração do aspecto visual da paisagem foi considerada relevante, especialmente por seu impacto simbólico e cultural para populações indígenas que mantêm vínculos históricos com a região.

Dessa forma, o projeto passou a concentrar um conjunto amplo de debates que ultrapassam a engenharia elétrica, incorporando discussões sobre patrimônio, identidade cultural e uso do território.

Mesmo diante dessas questões, a recomendação técnica da FERC foi pela adoção da chamada Staff Alternative, que prevê a concessão da licença com uma série de condicionantes e ajustes operacionais.

Entre essas exigências estão medidas propostas pela empresa, cumprimento da certificação de qualidade da água conforme a seção 401 do Clean Water Act e incorporações sugeridas por órgãos públicos, tribos e organizações não governamentais.

Papel do armazenamento na expansão de energia renovável

No cenário atual do setor elétrico norte-americano, cresce a necessidade de soluções capazes de aumentar a flexibilidade da rede diante da expansão acelerada de fontes renováveis intermitentes.

Com a geração eólica e solar sujeita a variações naturais, sistemas de armazenamento como usinas reversíveis tornam-se essenciais para equilibrar a oferta e a demanda ao longo do dia.

Diferentemente das hidrelétricas convencionais, que dependem do fluxo contínuo de rios, esses empreendimentos utilizam a diferença de altitude entre reservatórios para armazenar energia de forma controlada.

Na região noroeste dos Estados Unidos, onde há forte presença de infraestrutura de transmissão e recursos renováveis, projetos desse tipo são vistos como peças-chave para garantir estabilidade operacional.

Inserido nesse contexto, o projeto de Goldendale combina alta potência instalada, capacidade de armazenamento prolongado e conexão estratégica com a rede regional.

Ainda assim, a licença de 40 anos não elimina os desafios associados à implementação, já que a obra permanece condicionada ao cumprimento rigoroso de exigências técnicas e ambientais.

O avanço do empreendimento evidencia o papel crescente de grandes sistemas de armazenamento na transição energética, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de equilibrar ganhos operacionais com a proteção ambiental e cultural.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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