A inauguração do refino de ouro foi em 10 de outubro de 2026, em Adis Abeba. Veja o custo, os sócios, as 600 toneladas e os US$ 80 bilhões por ano que o primeiro-ministro promete em exportações.
O refino de ouro da Etiópia ganhou a primeira refinaria do país em 10 de outubro de 2026, na zona econômica especial de Bole Lemi, em Adis Abeba. A ENA, agência estatal, diz que a planta pode processar mais de 600 toneladas de metais preciosos por ano. Para dar escala ao leitor brasileiro: o Brasil exportou US$ 4,6 bilhões em ouro no primeiro semestre de 2026, segundo o Ibram. Agora um país africano que vende ouro bruto quer refinar o metal dentro de casa.
Quanto custou a planta de refino de ouro e quem são os sócios?
A Reuters, em 12 de outubro, descreve uma joint venture de US$ 50 milhões. Segundo a agência, o objetivo é fazer da Etiópia um polo regional de processamento. A ENA, em 10 de outubro, não traz o valor. O comunicado cita só a parceria entre a Ethiopian Investment Holdings (EIH), braço de investimentos do Estado, e a Sam Precious Metals.
Quem manda na sociedade? O primeiro-ministro disse, conforme a Fana Media Corporation, que a EIH fica com 51% e a sócia estrangeira com 49%. A ENA não repete essa divisão. A Business Insider Africa descreve a Sam como empresa sediada em Dubai. Ela já oferece refino, cunhagem e ensaio de metais preciosos, como ouro e prata, em Dubai e no Cairo.
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O que o refino de ouro da planta faz com o metal?
Segundo a Business Insider Africa, em 12 de outubro, a planta recebe ouro bruto, testa o teor e entrega lingote pronto para exportação. Ela também fabrica barras fundidas e cunhadas de ouro e prata, os metais preciosos mais negociados. Refinar é tirar as impurezas. Ensaiar é medir quanto de metal puro há na barra, e essa medida define o preço.

A ENA descreve uma planta de última geração. Os objetivos, em linguagem de governo, são valor agregado dentro do país, empregos qualificados, apoio à joalheria e uma cadeia do ouro mais transparente. O texto não diz quantas pessoas trabalham ali.

Por que 600 toneladas por ano chamam tanta atenção?
O número vale para o conjunto dos metais preciosos e, de acordo com a Business Insider Africa, só com a planta em pleno funcionamento. Ele aparece na ENA, na Fana e na Business Insider Africa. A Reuters, no trecho que consegui ver, cita os US$ 50 milhões e o polo regional, sem as 600 toneladas.
Para medir o mercado do refino de ouro, o Ecofin Agency lembra uma projeção do FMI: cerca de 30 toneladas de ouro exportadas em 2025/26, contra 39 no ano anterior. Dividindo 600 por 30, a capacidade anunciada é cerca de 20 vezes esse volume (conta nossa). O próprio Ecofin avisa que os números não são comparáveis. A planta pode receber metal de outros países.
Por que a Etiópia quer tirar o ouro bruto de Dubai?
Hoje, o ouro etíope sai cru. O relatório do FMI de julho de 2026, na leitura do The Reporter Ethiopia, registra voos fretados com ouro bruto para Dubai. A cidade aparece como único destino de refino e importação do metal etíope.
O governador do Banco Nacional da Etiópia, Eyob Tekalign, disse que a unidade tem capacidade para todo o ouro produzido no país, de acordo com a Ethiopian Business View. Se isso se confirmar, o refino de ouro ficaria em Adis Abeba. O ouro bruto deixaria de viajar até Dubai. Ainda não há dado de quanto desses metais preciosos a planta processa hoje.
Quanto vale o ouro para a Etiópia e o que o Brasil tem a ver com isso?
O Ecofin informa que o ouro rendeu US$ 5,5 bilhões ao país no ano fiscal 2025/26. Isso é metade dos US$ 11 bilhões exportados no total.

Nos números citados pelo primeiro-ministro, relatados pelo Rio Times, o valor ficou entre US$ 5,6 bilhões e US$ 6 bilhões no ano passado. O valor varia conforme a fonte, e o ano fiscal etíope não coincide com o ano civil.
Do lado brasileiro, o Ibram mostra vendas externas de ouro de US$ 4,6 bilhões entre janeiro e junho de 2026. A alta foi de 69,3% sobre o primeiro semestre do ano anterior.
O setor também registrou faturamento de R$ 25,3 bilhões com ouro no período, segundo o Ibram. O instituto não divulgou o volume exportado, por inconsistências nos dados do Comex Stat. Ou seja, não dá para dizer se o Brasil refina mais ou menos que a Etiópia. O que dá para ver é a ordem de grandeza do negócio.

Os US$ 80 bilhões do primeiro-ministro são meta ou promessa?
Abiy afirmou que a planta pode sustentar exportações de até US$ 80 bilhões por ano, conforme a Fana. A emissora estatal ressalta que é potencial, não valor garantido. Ele depende de quanto ouro e outros metais preciosos a planta conseguir atrair.
Dividindo 80 por 5,5, a conta dá cerca de 14,5 vezes o que o ouro rendeu à Etiópia em 2025/26 (conta nossa). O caminho para encher o refino de ouro, segundo o primeiro-ministro, passa por trazer ouro bruto de vizinhos e de mineradoras africanas. A malha aérea da Ethiopian Airlines ajudaria nesse transporte.
A Business Insider Africa observa que o desafio agora é encher a capacidade. Os produtores precisam aceitar levar o metal a Adis Abeba. Nenhum contrato com clientes de fora foi divulgado.
Por que a certificação internacional pesa mais que as 600 toneladas?
Os grandes compradores de lingotes exigem acreditação internacional antes de aceitar ouro de uma refinaria nova. O Rio Times registra que nenhuma acreditação foi divulgada na inauguração. Sem esse selo, a meta de tirar de Dubai o refino do ouro da região depende de um passo que ainda não foi dado. A Business Insider Africa e a Fana atribuem os números da planta ao gabinete do primeiro-ministro.
