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Pix bate 1 bilhão de chaves cadastradas, mas Brasil tem 170 milhões de clientes no sistema; 526,8 milhões de registros são aleatórios e R$ 3,2 trilhões foram movimentados em setembro

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 12/10/2026 às 20:02 Atualizado em 12/10/2026 às 20:05
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Banca de hortaliças de feira livre em Itajubá, Minas Gerais, com placa manuscrita Pix sobre uma lona listrada verde e branca.
Banca de verduras com placa informando que aceita Pix em feira de Itajubá (MG), em fotografia de arquivo. Foto: Mateus S. Figueiredo / Wikimedia Commons.
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Banco Central confirma 1,008 bilhão de chaves Pix em setembro de 2026, mas cerca de 170 milhões de clientes. Chaves aleatórias somam 526,8 milhões, e 7,1 bilhões de transações no SPI movimentaram R$ 3,2 trilhões no mês.

O Brasil ultrapassou 1 bilhão de chaves Pix cadastradas e chegou a 1,008 bilhão de registros em 30 de setembro de 2026, segundo dados do Banco Central publicados nesta semana. Eram 998 milhões em agosto: aproximadamente 10 milhões de novas chaves em um único mês. Enquanto o país cruzava essa marca, o sistema de pagamentos instantâneos processou 7,1 bilhões de transferências e R$ 3,2 trilhões na infraestrutura central do BC em setembro.

O número impressiona, mas a quantidade de donos das chaves é muito menor: o Pix reúne cerca de 170 milhões de clientes, incluindo pessoas e empresas. Um mesmo titular pode registrar vários identificadores em contas diferentes. As chaves aleatórias lideram o cadastro com 526,8 milhões, mais do que celulares, CPFs e e-mails individualmente.

Brasil cria cerca de 10 milhões de chaves em setembro e passa da barreira de 1 bilhão

O Banco Central informava 920 milhões de chaves no fim de 2025. Em agosto de 2026, esse estoque já havia alcançado 998 milhões; em setembro, chegou a 1,008 bilhão. A diferença entre dezembro e setembro é de aproximadamente 88 milhões de registros, com base nos números arredondados divulgados pela autoridade monetária.

As chaves são identificadores associados a uma conta bancária ou de pagamento. Elas permitem que o destinatário receba dinheiro sem ter de repassar agência e número da conta a cada transferência. Um mesmo cliente pode manter, por exemplo, uma chave em seu banco principal e outra em uma instituição usada para pagamentos cotidianos.

O crescimento do cadastro acompanha a presença do Pix em compras, serviços e transferências entre pessoas. A estatística considera o total de chaves existentes ao fim de cada mês, conforme a base mantida pelo Banco Central, e não apenas os registros realizados naquele período.

Mulheres diante de bilheterias da Trensurb com placas azuis Aceitamos Pix na estação de Porto Alegre.
Bilheterias da Trensurb exibem placas de aceitação do Pix, em registro de 2023. Foto: Beatriz Schleiniger / Trensurb.

Chaves aleatórias chegam a 526,8 milhões e representam mais da metade dos cadastros

As chaves aleatórias somam 526,8 milhões, equivalentes a 52,3% dos registros. São sequências de caracteres geradas pela instituição financeira e vinculadas à conta. O usuário pode fornecê-las para receber dinheiro sem compartilhar diretamente CPF, número de celular ou e-mail.

As chaves de celular vêm em segundo lugar, com 166,3 milhões (16,5%). Os cadastros por CPF chegam a 153,9 milhões (15,4%); os de e-mail, a 144,6 milhões (14,3%). Identificadores vinculados ao CNPJ também fazem parte do diretório e podem ser utilizados por empresas.

Para quem trabalha por conta própria ou recebe pagamentos de compradores desconhecidos, a chave aleatória oferece uma forma de informar um destino para o dinheiro sem divulgar um dado pessoal como telefone ou CPF. A transação continua identificando a conta destinatária, que deve ser conferida no aplicativo antes do envio.

Pessoas físicas concentram 956,7 milhões de chaves e empresas registram outras 51,2 milhões

O levantamento divide o total conforme a natureza dos titulares. As pessoas físicas respondem por 956,7 milhões de chaves, aproximadamente 95% de todos os cadastros, enquanto 51,2 milhões estão vinculadas a pessoas jurídicas.

O sistema reúne cerca de 170 milhões de clientes entre os dois grupos. Dividido por esse universo aproximado, o estoque nacional corresponde a quase seis chaves por cliente. É uma média estatística: alguns têm uma única chave, outros distribuem vários identificadores por diferentes bancos e contas.

O Banco Central permite até cinco chaves por conta de pessoa física e até 20 por conta de empresa. Os limites são por conta, e não para todas as contas reunidas de uma pessoa. Cada identificador específico, como um mesmo CPF ou e-mail, pode estar vinculado a apenas uma conta de cada vez.

Pix movimenta R$ 3,2 trilhões e processa 7,1 bilhões de operações em setembro

O estoque de chaves não é o único número expressivo divulgado pelo Banco Central. Em setembro, o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) processou 7,1 bilhões de operações, com movimentação de aproximadamente R$ 3,2 trilhões.

Como setembro tem 30 dias, a quantidade corresponde a uma média aproximada de 237 milhões de transações por dia nessa infraestrutura. O valor divulgado é a soma dos pagamentos processados ao longo do mês, não o saldo mantido pelos brasileiros no sistema.

O SPI é a infraestrutura de liquidação em tempo real administrada pelo Banco Central para transferências entre instituições financeiras diferentes. Pagamentos entre clientes de um mesmo banco podem ser processados internamente. Por esse motivo, as estatísticas de liquidação no SPI devem ser identificadas pelo alcance do sistema que as produz.

Quem não cadastrou chave ainda pode receber Pix usando os dados da conta

A marca de 1 bilhão de registros convive com uma regra simples: a chave Pix é opcional. O Banco Central permite realizar transferências usando os dados completos da conta do destinatário. Em situações de cobrança, também há pagamentos por QR Code, de acordo com a forma de iniciação disponibilizada pela instituição.

Para cadastrar, trocar ou excluir uma chave, o usuário acessa o aplicativo ou o internet banking do banco. As opções costumam aparecer na área do Pix, em gerenciamento de chaves. A mesma chave não pode permanecer registrada ao mesmo tempo em duas contas diferentes.

Tela da área Pix do aplicativo Nubank com opções Transferir, Programar, Pix Copia e Cola, Ler QR Code e Registrar ou trazer chaves.
Área Pix do aplicativo Nubank mostra funções de pagamento e registro de chaves, em captura de dezembro de 2023. Imagem: Nubank / Wikimedia Commons.

Quem perdeu o controle dos próprios cadastros pode consultar o Relatório de Chaves Pix no Registrato, serviço do Banco Central que permite verificar os identificadores vinculados ao titular. A relação ajuda a localizar registros antigos mantidos em instituições com as quais o usuário já teve relacionamento.

Chave aleatória preserva o CPF e o telefone, mas cuidado com destinatário continua necessário

A preferência por identificadores aleatórios permite que pessoas e empresas divulguem um código para recebimento sem compartilhar diretamente outros dados pessoais. Esse recurso não substitui a conferência dos dados exibidos no aplicativo do pagador.

O usuário deve verificar nome e instituição de destino antes de confirmar uma transferência, especialmente quando receber uma chave por mensagem, anúncio ou rede social. Golpistas podem trocar identificadores em cobranças falsas ou se passar por contatos conhecidos para direcionar pagamentos a outras contas.

O Banco Central reforçou as regras de prevenção a fraudes em 2026, incluindo aperfeiçoamentos no Mecanismo Especial de Devolução (MED), destinado a situações específicas de golpe ou fraude. A verificação antes do envio continua sendo uma etapa de segurança que cabe ao pagador.

Seis anos após o lançamento, BC acompanha novo patamar das chaves cadastradas

O Pix começou a operar em novembro de 2020 e passou a ser usado em uma variedade de situações, desde pagamentos em pequenos comércios até transferências entre familiares e recebimentos de profissionais autônomos. As chaves simplificaram esse fluxo ao substituir o preenchimento repetido de informações bancárias.

Com 1,008 bilhão de registros ao fim de setembro de 2026, a base do Pix cresceu para um estoque quase seis vezes superior ao número aproximado de clientes cadastrados. A maioria das chaves pertence a pessoas físicas, mas as empresas também acumulam mais de 51 milhões de identificadores.

O Banco Central publica séries mensais sobre chaves por tipo, usuários cadastrados e transações. Os próximos levantamentos vão mostrar a evolução do cadastro depois da passagem da marca de 1 bilhão e o comportamento da movimentação financeira nos últimos meses do ano.

Você recebe Pix por chave aleatória, celular, CPF ou e-mail? Compartilhe esta reportagem com quem utiliza o serviço todos os dias e confira no seu banco ou no Registrato quais chaves estão registradas nas suas contas.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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