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Petrobras avança no Atapu 2 com 143 km de dutos e 19 mil toneladas de aço para conectar 18 poços a até 2.350 metros

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Escrito por Ana Alice Publicado em 12/10/2026 às 21:01 Atualizado em 12/10/2026 às 21:02
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Assista o vídeoAudacia, navio da Allseas previsto para executar a instalação dos dutos submarinos de Atapu 2 a partir de 2029. Crédito: Divulgação / Allseas.
Audacia, navio da Allseas previsto para executar a instalação dos dutos submarinos de Atapu 2 a partir de 2029. Crédito: Divulgação / Allseas.
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Projeto no pré-sal da Bacia de Santos terá extensa rede submarina ligada ao FPSO P-84, com fabricação de tubos no Brasil e instalação offshore prevista para acompanhar a expansão de Atapu.

O desenvolvimento de Atapu 2, no pré-sal da Bacia de Santos, avança com a contratação de 143 quilômetros de risers rígidos e linhas de fluxo, além de aproximadamente 19 mil toneladas de tubos de aço carbono.

A estrutura será utilizada para conectar 18 poços ao FPSO P-84, em uma área onde a lâmina d’água varia entre 2.000 e 2.350 metros. O campo de Atapu fica a cerca de 230 quilômetros da costa do Rio de Janeiro.

A Vallourec foi contratada pela Allseas para fornecer os tubos sem costura e o revestimento térmico. A produção terá participação direta da indústria brasileira: os tubos serão fabricados em Jeceaba, Minas Gerais, enquanto o isolamento será aplicado em Serra, no Espírito Santo.

A Allseas responde por etapas de engenharia, aquisição, construção e instalação do sistema submarino para o Consórcio Unitizado Atapu, operado pela Petrobras. As atividades offshore estão previstas para começar no primeiro trimestre de 2029.

Rede submarina vai conectar 18 poços ao FPSO P-84

Os 143 quilômetros previstos no projeto correspondem ao conjunto de risers rígidos e flowlines que fará parte do sistema de produção submarino de Atapu 2.

As flowlines percorrem o leito marinho e conduzem os fluidos produzidos pelos poços. Já os risers fazem a ligação entre o sistema instalado no fundo do oceano e a plataforma posicionada na superfície.

No projeto, os 18 poços serão conectados diretamente à P-84 por risers rígidos. A Allseas prevê o uso de uma configuração conhecida como lazy wave, adotada para acomodar os movimentos da unidade flutuante e as condições encontradas em águas ultraprofundas.

O escopo inclui ainda componentes necessários para completar as conexões submarinas, como terminações de dutos, jumpers e juntas flexíveis.

A campanha de instalação deverá contar com o Audacia, navio especializado em lançamento de dutos submarinos. O início das atividades marítimas está programado para 2029.

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P-84 poderá produzir 225 mil barris de petróleo por dia

Toda essa infraestrutura será conectada ao FPSO P-84, segunda grande plataforma prevista para a produção de Atapu.

A unidade terá capacidade para produzir 225 mil barris de petróleo por dia e processar até 10 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. A entrada em operação está prevista para 2029.

Atapu já produz petróleo desde 2020 por meio da P-70. Essa plataforma possui capacidade para processar até 150 mil barris de óleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

Com a chegada da P-84, o campo ganhará uma segunda estrutura de produção de grande porte, ampliando a capacidade de aproveitamento dos reservatórios do pré-sal.

A nova plataforma também utiliza o conceito All Electric, com maior emprego de acionamentos elétricos em sistemas que tradicionalmente dependem de outros tipos de equipamento. A Petrobras estima que a configuração possa reduzir em aproximadamente 30% a intensidade das emissões de gases de efeito estufa por barril de óleo equivalente em comparação com o conceito de referência adotado pela companhia.

Projeto da P-84, plataforma que será instalada em Atapu e receberá a produção dos 18 poços previstos no desenvolvimento de Atapu 2. Crédito: Divulgação / Petrobras
Projeto da P-84, plataforma que será instalada em Atapu e receberá a produção dos 18 poços previstos no desenvolvimento de Atapu 2. Crédito: Divulgação / Petrobras

Tubos serão produzidos em Minas Gerais e revestidos no Espírito Santo

Parte importante do fornecimento para Atapu 2 será realizada dentro do Brasil. As aproximadamente 19 mil toneladas de tubos sem costura previstas no contrato serão fabricadas pela Vallourec em Jeceaba.

Depois dessa etapa, os tubos seguirão para Serra, no Espírito Santo, onde receberão o revestimento de isolamento térmico necessário para a operação submarina.

Esse isolamento desempenha uma função importante em águas profundas. Os fluidos deixam o reservatório em temperaturas elevadas, mas encontram um ambiente muito mais frio ao percorrer as linhas instaladas no fundo do oceano.

O revestimento contribui para preservar as condições adequadas ao transporte do petróleo e do gás até a plataforma, reduzindo problemas associados à perda de temperatura durante o percurso.

A Vallourec ampliou sua capacidade nessa área após incorporar as operações da Thermotite do Brasil. Com isso, diferentes etapas do fornecimento dos tubos para Atapu 2 serão executadas no país antes do início da instalação offshore.

Atapu 2 amplia infraestrutura do pré-sal da Bacia de Santos

Atapu integra o conjunto de grandes campos desenvolvidos em águas ultraprofundas da Bacia de Santos. A Petrobras é a operadora da jazida compartilhada e prepara a expansão da produção com a entrada da P-84.

A dimensão do sistema submarino ajuda a mostrar a escala do projeto. Além dos 143 quilômetros de linhas, serão necessários 18 poços e milhares de toneladas de aço para conectar os reservatórios à nova unidade de produção.

A Allseas considera Atapu 2 um de seus projetos submarinos mais complexos, levando em conta fatores como profundidade, extensão das linhas e número de poços conectados.

Com a fabricação dos tubos no Brasil e a instalação prevista para começar em 2029, o projeto entra agora em uma etapa industrial que antecede a montagem definitiva da infraestrutura no fundo do mar e a futura entrada em operação da P-84.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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