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Conhecido como “Menino do Abacaxi”, estudante de apenas 16 anos transforma resíduo da fruta em embalagem que desaparece em pouco mais de um mês

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 03/09/2026 às 18:01
Estudante de 16 anos desenvolve embalagem biodegradável com casca de abacaxi que se degrada em 34 dias e já estuda sua viabilidade industrial.
Estudante de 16 anos desenvolve embalagem biodegradável com casca de abacaxi que se degrada em 34 dias e já estuda sua viabilidade industrial. Imagem meramente ilustrativa gerada por IA.
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Estudante de 16 anos desenvolve embalagem biodegradável com casca de abacaxi que se degrada em 34 dias e já estuda sua viabilidade industrial.

Uma pergunta sobre a quantidade de embalagens descartadas durante uma única semana levou um estudante de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, a trabalhar durante cinco anos no desenvolvimento de uma alternativa ao plástico. Aos 16 anos, Lucas Berghahn Closs desenvolve uma embalagem biodegradável feita a partir da casca do abacaxi, totalmente orgânica e capaz de se degradar em 34 dias.

O projeto já ultrapassou a etapa de demonstração escolar. Atualmente na quinta fase da pesquisa, Lucas avalia se a solução pode avançar para uma aplicação industrial. O jovem cursa o 2º ano do Ensino Médio na Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH) e começou a investigação quando ainda frequentava o 7º ano do Ensino Fundamental.

Embalagem biodegradável nasceu de uma preocupação com o lixo plástico

O ponto de partida da pesquisa foi o destino dado às embalagens depois do consumo. Lucas transformou a preocupação ambiental em um experimento que utiliza um resíduo de outra cadeia de consumo: a própria casca do abacaxi passou a servir de matéria-prima para a embalagem biodegradável.

A pesquisa é orientada pela professora Ana Paula Müller Machado e foi sendo aperfeiçoada ao longo dos anos. A proposta é produzir um material orgânico que possa cumprir a função de uma embalagem e, depois do descarte, permaneça no ambiente por um período muito menor do que os produtos plásticos convencionais.

Durante uma apresentação no Legislativo de Novo Hamburgo, Lucas resumiu a origem do trabalho com uma pergunta aos presentes: quantas embalagens cada pessoa havia jogado fora naquela semana. A provocação sintetiza o problema que motivou o estudante a procurar uma alternativa desde os primeiros anos da adolescência.

Próximo passo será descobrir se invenção funciona em escala industrial

Chegar a um material capaz de se decompor em 34 dias não encerrou o trabalho. Lucas informou que a pesquisa entrou na chamada fase 5, dedicada justamente à avaliação da viabilidade industrial do produto.

Essa etapa muda o tipo de desafio enfrentado pelo jovem pesquisador. Uma solução que funciona experimentalmente precisa ser analisada sob outras condições antes que seja possível discutir sua fabricação em escala maior.

Outra etapa ainda está pendente: a patente. Questionado durante sua participação na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, o estudante confirmou que o projeto ainda não foi patenteado, mas afirmou que essa deverá ser uma das próximas providências relacionadas à pesquisa.

Projeto iniciado aos 11 anos ajudou estudante a chegar a Yale

O desenvolvimento da embalagem biodegradável também abriu portas fora do Brasil. Em julho, Lucas participou do Yale Young Global Scholars (YYGS), programa internacional realizado pela Universidade Yale, nos Estados Unidos.

O jovem conseguiu uma bolsa integral e permaneceu quase um mês no país. Ele participou da área Solving Global Challenges, voltada à discussão de desafios globais, em uma iniciativa que reúne anualmente estudantes de aproximadamente 150 países.

Estudante de 16 anos desenvolve embalagem biodegradável com casca de abacaxi que se degrada em 34 dias e já estuda sua viabilidade industrial.
Estudante de 16 anos desenvolve embalagem biodegradável com casca de abacaxi que se degrada em 34 dias e já estuda sua viabilidade industrial. Fonte: Instagram.

Lucas atribuiu essa oportunidade à trajetória científica iniciada cinco anos antes. O projeto com a casca do abacaxi já havia levado o estudante a importantes eventos de pesquisa, incluindo a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e a Mostratec.

A repercussão dessa sequência de trabalhos acabou rendendo ao adolescente o apelido de “Menino do Abacaxi”, em referência à matéria-prima utilizada em sua principal investigação.

Em Yale, problema do Rio Grande do Sul virou tema de projeto internacional

A passagem pelos Estados Unidos não ficou restrita às atividades relacionadas à própria embalagem biodegradável. Durante o programa, Lucas trabalhou com participantes de outros países na elaboração de uma proposta coletiva voltada a um problema global.

O grupo decidiu estruturar uma ideia de ONG tomando como referência as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul. Para Lucas, dificuldades enfrentadas dentro de comunidades locais podem crescer e contribuir para impactos ambientais, econômicos e sociais muito mais amplos.

A proposta apresentada pelo grupo recebeu nota máxima na avaliação final do programa, resultado que o jovem destacou ao falar sobre a experiência no exterior. O trabalho permitiu conectar um problema vivido em seu estado a uma discussão desenvolvida com estudantes de diferentes partes do mundo.

Estudante também foi selecionado para programa de popularização da ciência

A trajetória de Lucas recebeu reconhecimento no Brasil por meio do Prêmio Pop Ciência 2026, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O adolescente foi escolhido como Embaixador Mirim de Popularização da Ciência do Brasil.

No ranking do Rio Grande do Sul, alcançou a primeira colocação com nota 9,48. Na classificação nacional dos embaixadores, terminou em nono lugar.

Essa atuação não se restringe à própria pesquisa. O estudante também desenvolveu uma proposta de publicação destinada a divulgar projetos científicos realizados por outros jovens, iniciativa mencionada durante a homenagem recebida no Legislativo de Novo Hamburgo.

Pesquisa abriu outras oportunidades acadêmicas internacionais

O currículo construído antes mesmo da conclusão do Ensino Médio inclui outras aprovações. Lucas conquistou uma vaga no Lumiere Research Program, programa internacional direcionado ao desenvolvimento de jovens pesquisadores.

Ele também foi aprovado na The New York Times Summer Academy, iniciativa de jornalismo realizada em Nova York. Nesse caso, porém, não conseguiu participar porque as datas coincidiam com as atividades previstas em Yale.

As oportunidades mostram como um projeto iniciado ainda no Ensino Fundamental passou a se desdobrar em experiências que ultrapassam a área ambiental. Pesquisa científica, divulgação do conhecimento e participação em programas acadêmicos passaram a fazer parte da rotina do adolescente.

Câmara de Novo Hamburgo recebeu jovem para apresentar trajetória

A repercussão levou Lucas ao plenário do Legislativo municipal, onde apresentou sua experiência a convite da vereadora Deza Guerreiro. O estudante falou sobre o desenvolvimento científico, a participação em Yale e os próximos passos planejados para a pesquisa.

Durante a sessão, parlamentares destacaram sua capacidade de explicar o projeto e a persistência demonstrada ao longo dos anos. Lucas esteve acompanhado pelos pais, Rosemery Berghahn e Fabio Closs, e pela irmã, Lívia Closs.

Estudante de 16 anos desenvolve embalagem biodegradável com casca de abacaxi que se degrada em 34 dias e já estuda sua viabilidade industrial.
Estudante de 16 anos desenvolve embalagem biodegradável com casca de abacaxi que se degrada em 34 dias e já estuda sua viabilidade industrial. Fonte: Jaime Freitas/CMNH.

Representantes da escola também participaram da homenagem. A diretora da IENH, Daniele Bloss, esteve presente, assim como as orientadoras Ana Paula Müller Machado e Michele da Rosa Kopschina.

Apesar dos resultados obtidos, o projeto ainda está em desenvolvimento. A embalagem biodegradável não é apresentada como um produto já disponível comercialmente, e a própria fase atual da pesquisa procura responder se a solução poderá ser levada a um contexto industrial.

Para o estudante, a pesquisa ainda não chegou ao fim. Se a próxima fase confirmar a viabilidade industrial da embalagem biodegradável, o experimento iniciado no 7º ano poderá avançar de uma investigação escolar para uma alternativa destinada a enfrentar o problema que motivou toda a trajetória: a enorme quantidade de embalagens descartadas diariamente.

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Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

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