Equipe do IFRS Erechim venceu a Shell Eco-marathon Brasil 2025 com protótipo que alcançou 699 km por litro de gasolina.
Enquanto montadoras investem bilhões em motores elétricos, hidrogênio e combustíveis alternativos, estudantes brasileiros continuam explorando uma pergunta muito mais simples: até onde um carro consegue andar usando a menor quantidade possível de energia? Em uma competição nacional realizada no Rio de Janeiro, a resposta veio em números que parecem incompatíveis com qualquer automóvel comum. A equipe Drop Team, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Erechim, venceu a categoria Protótipo Combustão Interna da Shell Eco-marathon Brasil 2025 ao registrar impressionantes 699 quilômetros por litro de combustível, uma das maiores marcas já alcançadas em pista brasileira na competição.
Protótipo gaúcho venceu competição nacional que reúne universidades do Brasil e da América Latina com carro que faz 699 km por litro
A Shell Eco-marathon é uma das principais competições estudantis de eficiência energética do mundo. Em vez de premiar velocidade, a disputa recompensa os veículos capazes de percorrer a maior distância utilizando a menor quantidade possível de energia.
A edição brasileira de 2025 reuniu 43 equipes e mais de 500 estudantes de países como Brasil, México, Colômbia e Peru em um circuito montado na região portuária do Rio de Janeiro.
-
Trump assina decretos para criar computador quântico e preparar sistemas dos Estados Unidos contra ataques capazes de quebrar criptografias atuais
-
O que parecia impossível acaba de avançar: cientistas desenvolvem fotossíntese artificial sem baterias que utiliza apenas luz solar para gerar energia química, reduzindo a dependência de componentes eletrônicos e ampliando o potencial de tecnologias limpas
-
Adeus fotos velhas: função pouco conhecida do Gemini usa IA para restaurar imagens antigas em segundos, corrigindo rasgos, manchas, áreas borradas e cores desbotadas com um prompt profissional baseado em 6 etapas de recuperação
-
Jovem brasileiro criou filtro contra microplásticos, ganhou bolsa para estudar na China e levou invenção para melhorar a qualidade da água no Sul do país
Foi nesse cenário que a Drop Team conquistou o primeiro lugar na categoria de combustão interna ao atingir a marca de 699 km/l, superando equipes de universidades e institutos tecnológicos de diferentes regiões do país.
Número é tão extremo que supera em dezenas de vezes o consumo de carros urbanos comuns
Para entender a escala do resultado, basta comparar com veículos vendidos normalmente no mercado. Carros compactos eficientes costumam registrar consumos na faixa de 12 a 18 km/l em condições reais.
O protótipo da equipe gaúcha alcançou uma eficiência quase impossível para um automóvel convencional porque foi projetado exclusivamente para reduzir desperdícios ao máximo.
O veículo não foi construído para velocidade, conforto ou transporte cotidiano. Toda a engenharia foi direcionada para transformar cada gota de combustível em deslocamento.
Menos de uma colher de sopa de gasolina foi suficiente para completar o percurso da prova
Um dos dados mais impressionantes da competição apareceu nos cálculos divulgados após a prova. Segundo informações publicadas pelo Motor1 Brasil, a melhor tentativa da Drop Team consumiu apenas 12,2 mililitros de gasolina para completar as dez voltas exigidas pelo regulamento, percurso equivalente a aproximadamente 8,53 quilômetros.
Esse volume é inferior ao conteúdo de uma colher de sopa comum.
O diretor global da Shell Eco-marathon, Norman Koch, explicou que equipes de ponta conseguem percorrer quilômetros inteiros utilizando quantidades mínimas de combustível graças à combinação entre aerodinâmica extrema, peso reduzido e estratégias precisas de condução.
O carro que faz 699 km por litro pesa menos que muitas motos e parece mais uma cápsula aerodinâmica do que um automóvel
Os protótipos da competição seguem uma filosofia muito diferente da indústria automotiva tradicional. Em vez de priorizar espaço interno, segurança para passageiros múltiplos ou capacidade de carga, esses veículos são construídos para eliminar qualquer desperdício energético possível.
Os carros costumam utilizar estruturas extremamente leves, rodas estreitas de baixo atrito, posição de pilotagem quase deitada e carrocerias projetadas para cortar o ar com resistência mínima.
Em muitas equipes, os protótipos pesam entre 35 e 50 kg, menos que diversos pilotos que os conduzem.
Estratégia da prova envolve acelerar, desligar o motor e aproveitar a inércia
Outro detalhe importante está na forma como os veículos são pilotados. Segundo a organização da Shell Eco-marathon, as equipes utilizam softwares de simulação para calcular exatamente quando acelerar e quando deixar o carro seguir apenas pela inércia.
O piloto acelera até determinada velocidade e depois corta o motor, permitindo que o veículo continue avançando praticamente sem consumir combustível. Quando a velocidade cai além do planejado, o motor é acionado novamente por alguns instantes.
Esse método transforma a prova em um enorme exercício de física aplicada, aerodinâmica e gerenciamento de energia.
Equipe mantém histórico de domínio e já registrou recorde ainda maior
A vitória de 2025 não foi um resultado isolado. Segundo o IFRS Erechim, a Drop Team tornou-se pentacampeã da competição e manteve uma sequência de títulos consecutivos na categoria de combustão interna.
A instituição informa que o grupo também continua detentor do recorde de desempenho em pista brasileira com a marca de 716 km/l, obtida anteriormente em 2023.
Os resultados colocam a equipe entre os projetos estudantis de eficiência energética mais bem-sucedidos do país.
Competição virou laboratório para tecnologias que podem chegar aos carros do futuro
Embora esses protótiposcomo o do carro que faz 699 km por litro não sejam projetados para uso cotidiano, a competição funciona como um ambiente de testes para soluções que podem influenciar a indústria automotiva.
Segundo a própria Shell Eco-marathon, sistemas de gerenciamento de energia, técnicas de redução de atrito, materiais leves e estratégias de eficiência passaram por experiências semelhantes antes de aparecerem em veículos comerciais.

Além da categoria de combustão interna, a competição também inclui veículos elétricos e movidos a hidrogênio, transformando o evento em um dos maiores laboratórios estudantis de mobilidade eficiente da América Latina.
Enquanto a indústria busca novas fontes de energia, estudantes mostram que eficiência ainda é uma das tecnologias mais poderosas ao criar carro que faz 699 km por litro
Grande parte do debate automotivo atual gira em torno de baterias gigantes, hidrogênio, eletrificação e combustíveis alternativos.
Mas o resultado alcançado pela Drop Team mostra que existe outra variável capaz de mudar completamente o consumo energético de um veículo: a eficiência extrema.
Ao transformar pouco mais de 12 mililitros de gasolina em um percurso superior a 8 quilômetros dentro de uma competição oficial, os estudantes gaúchos demonstraram algo que a engenharia persegue há décadas: extrair o máximo possível de cada unidade de energia disponível.
Em um mundo que busca reduzir emissões e consumo de recursos, o pequeno protótipo construído em Erechim mostra que, às vezes, a inovação não está apenas em trocar o combustível, mas em aprender a desperdiçar cada vez menos dele.


Ótimo
Bom