Ygor Requenha Romano, em 2016, criou o equipamento pensando em comunidades ribeirinhas da Região Norte sem acesso à água tratada. O projeto custa cerca de R$ 1 mil para ser montado e conquistou o terceiro lugar na categoria Engenharia Ambiental da Intel ISEF.
Um estudante brasileiro de escola pública conseguiu transformar a falta de água tratada em sua região em uma invenção reconhecida no exterior. Ygor Requenha Romano, criou uma máquina de tratamento de água que funciona exclusivamente com energia solar, atende uma comunidade de até 50 pessoas e custa cerca de R$ 1 mil para ser montada.
O equipamento foi premiado na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia da Universidade de São Paulo (Febrace) e apresentado na Intel ISEF (Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel), nos Estados Unidos. O projeto levou o terceiro lugar na categoria Engenharia Ambiental e um prêmio de mil dólares, ao lado de invenções de estudantes pré-universitários do mundo todo.
Como funciona a máquina criada pelo estudante

O protótipo desenvolvido pelo jovem inventor não se limita a filtrar a água. Segundo o próprio Ygor, o aparelho realiza tratamento físico, químico e microbiológico, além de remover metais pesados presentes na água bruta captada de rios e poços.
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Toda a operação acontece sem consumo de energia elétrica convencional, já que o equipamento foi projetado para funcionar exclusivamente com energia solar. Essa autonomia é o que torna a invenção viável para comunidades distantes da rede elétrica, comuns nas regiões ribeirinhas do Norte do Brasil.
Outro diferencial é a simplicidade da manutenção. O projeto foi pensado para que pessoas sem formação técnica possam operar o sistema no dia a dia, sem necessidade de visitas frequentes de especialistas para garantir o funcionamento.
O que motivou a criação do projeto

A inspiração para o invento veio da realidade vivida pela própria comunidade do estudante. Em entrevista divulgada na época, Ygor citou um dado pesado: 94% das pessoas da região em que ele morava não tinham acesso a esgoto e água tratada.
A solução adotada por muitas famílias é a instalação de poços artesianos, alternativa cara e nem sempre acessível. O preço desses poços pode chegar a R$ 10 mil, valor proibitivo para famílias de baixa renda em comunidades ribeirinhas e rurais.
Em comparação, a máquina criada pelo estudante sai por cerca de R$ 1 mil. A diferença abre espaço para que pequenas comunidades possam adotar a tecnologia com investimento dez vezes menor do que o de um poço tradicional.
A parceria com o zelador da escola
Apesar de ser o único criador da invenção, Ygor faz questão de dividir o mérito com uma figura inesperada: o zelador da própria escola. O profissional cedeu a serralheria que tinha em casa para que o estudante pudesse trabalhar no protótipo.
O esforço foi intenso. Em vários momentos do desenvolvimento, o jovem inventor chegou a passar até doze horas por dia montando, testando e ajustando o equipamento dentro da oficina improvisada.
“Ele já tinha passado por situações precárias durante a infância, por conta da falta de água. Acho que foi isso que o estimulou para que me ajudasse tanto. Ele é um engenheiro nato, tem brilho nos olhos, aprendi como ser um ser humano bom com ele”, contou o estudante sobre o zelador.
O reconhecimento na Intel ISEF, nos Estados Unidos
A Intel ISEF é considerada uma das maiores feiras científicas do mundo para estudantes pré-universitários. O evento reúne, todos os anos, projetos selecionados em competições nacionais espalhadas por dezenas de países.
O Brasil costuma enviar uma comitiva de jovens cientistas selecionados pela Febrace. Foi por essa via que o trabalho de Ygor chegou aos Estados Unidos e disputou espaço com invenções de outros estudantes do mundo inteiro.
A máquina conquistou o terceiro lugar na categoria Engenharia Ambiental, somado a um prêmio de mil dólares. A premiação foi resultado direto da avaliação técnica feita por jurados especializados em sustentabilidade e impacto socioambiental.
O impacto para comunidades ribeirinhas e isoladas
O foco do projeto desde o início foram as populações que vivem em regiões remotas, sem infraestrutura de saneamento. Comunidades ribeirinhas do Norte brasileiro são as mais afetadas por essa carência, já que dependem diretamente de rios e igarapés para abastecimento.
A combinação de baixo custo, autonomia energética e simplicidade de operação criou um perfil de tecnologia social raramente visto em projetos acadêmicos. Equipamentos profissionais com função semelhante costumam custar dezenas de milhares de reais e exigem rede elétrica para funcionar.
A invenção do estudante atacou esses dois problemas simultaneamente. O resultado é um equipamento que pode, em tese, ser replicado em pequena escala em qualquer localidade do país que tenha forte incidência solar e necessidade de água tratada.
O que o caso ensina sobre ciência feita por jovens no Brasil
A trajetória de Ygor mostra que estudantes de escola pública têm capacidade de gerar inovação relevante quando recebem espaço, apoio e estímulo para colocar suas ideias em prática. A história também coloca em evidência o papel das feiras científicas como ponte entre projetos escolares e visibilidade nacional e internacional.
O caso também aponta o quanto o ambiente importa: sem a serralheria do zelador, sem o apoio da escola e sem a estrutura da Febrace, o protótipo provavelmente não teria saído do papel. Estrutura básica de apoio, ainda que improvisada, é o que separa muitas vezes uma boa ideia de uma invenção concretizada.
O próprio Ygor resumiu a motivação que o levou a passar meses dedicado ao projeto. “Eu espero fazer através da ciência algo que ultrapasse minha capacidade física de ajudar alguém. Um mundo melhor só vai existir quando as pessoas fizerem algo melhor por outras pessoas”, afirmou em entrevista divulgada na época.
A invenção de Ygor Requenha Romano reforça o potencial da ciência brasileira em escolas públicas, mesmo quando faltam laboratórios, equipamentos e investimentos. Quando há iniciativa, apoio comunitário e uma boa ideia, projetos relevantes podem nascer dos lugares mais inesperados.
E você, o que pensa sobre essa história? Acredita que feiras científicas escolares deveriam receber mais apoio do poder público? Conhece outras invenções criadas por estudantes brasileiros? Deixe seu comentário, conte sua opinião e marque alguém que precisa conhecer essa trajetória.


E teve aplicação prática? A população conseguiu adquirir e usar o invento desse jovem brilhante?
Muito bom a matéria, queria que todas as pessoas de escola pública fossem assim com uma boa educação
Gostei muito da matéria,trabalhei em escola pública e sentia muita falta de incentivo como este.isto é muito estimulante para os estudantes.