Urina humana vira fonte de biomaterial promissor com ajuda de levedura modificada, produzindo hidroxiapatita para implantes dentários em menos de 24 horas
Pesquisadores dos Estados Unidos e do Japão desenvolveram uma técnica inovadora para transformar urina humana em um material resistente e biocompatível, ideal para implantes dentários.
O estudo foi publicado na revista Nature Communications e representa um avanço importante na produção de biomateriais.
A pesquisa envolveu universidades de ambos os países e teve financiamento de órgãos como o Departamento de Energia dos EUA, a Força Aérea e a DARPA.
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A técnica utiliza uma levedura geneticamente modificada, apelidada de “osteoyeast”, que consegue decompor a ureia presente na urina e liberar um composto valioso: a hidroxiapatita.
Esse mineral é o principal componente dos ossos e dentes humanos. É formado por moléculas de cálcio, fosfato e hidróxido.
Por ser naturalmente presente no corpo, tem alta biocompatibilidade, ou seja, é pouco rejeitado pelo organismo e pode até estimular a regeneração de tecidos.
A técnica tem dois efeitos principais: transforma resíduos humanos em um produto de alto valor e ainda ajuda a reduzir o impacto ambiental causado pelo descarte de urina.
Segundo os cientistas, é possível obter 1 grama de hidroxiapatita com apenas 1 litro de urina — e isso em menos de 24 horas.
“O processo ajuda a remover a urina dos sistemas de esgoto, diminuindo a poluição e o excesso de nutrientes que podem ser prejudiciais. Ao mesmo tempo, cria um material com grande potencial de uso”, explicou David Kisailus, professor da Universidade da Califórnia e coautor da pesquisa.
Outro ponto positivo é que a técnica é barata e pode ser aplicada em larga escala. A levedura usada no processo pode ser cultivada em tanques grandes e a baixas temperaturas — uma abordagem semelhante à da fabricação de cerveja. Isso permite que o método funcione sem a necessidade de grandes estruturas industriais.
Segundo Kisailus, esse fator torna a solução especialmente atrativa para países em desenvolvimento. A produção do mineral em locais com menos recursos pode facilitar o acesso a materiais médicos de qualidade e de baixo custo.
Além dos implantes dentários e ósseos, o material pode ter outras aplicações. Os cientistas citam usos em restauração de artefatos arqueológicos, substituição de plásticos por alternativas biodegradáveis e até projetos na construção civil.
O próximo passo da equipe será adaptar o processo para impressoras 3D. Com isso, será possível fabricar peças sob medida, tanto para uso médico quanto para fins industriais.
Com informações de UOL.
