1. Início
  2. / Agronegócio
  3. / Este nutriente oculto no solo pode dobrar a velocidade de recuperação da floresta e fazer áreas desmatadas voltarem a crescer duas vezes mais rápido, aponta estudo científico de 20 anos
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Este nutriente oculto no solo pode dobrar a velocidade de recuperação da floresta e fazer áreas desmatadas voltarem a crescer duas vezes mais rápido, aponta estudo científico de 20 anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 03/02/2026 às 14:30
Atualizado em 03/02/2026 às 14:32
Estudo mostra que nitrogênio no solo pode dobrar a recuperação de florestas tropicais e acelerar o sequestro de carbono após o desmatamento.
Estudo mostra que nitrogênio no solo pode dobrar a recuperação de florestas tropicais e acelerar o sequestro de carbono após o desmatamento.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
8 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Pesquisa de longo prazo com 76 parcelas florestais monitoradas por até 20 anos na América Central aponta que níveis elevados de nitrogênio no solo aceleram em até duas vezes a regeneração de florestas tropicais após o desmatamento, com efeitos diretos sobre o sequestro de carbono e políticas climáticas

Um estudo liderado pela Universidade de Leeds mostra que este nutriente oculto no solo pode dobrar a velocidade de recuperação da floresta tropical após o desmatamento, ao acelerar o crescimento das árvores, ampliar o sequestro de carbono e influenciar estratégias globais de restauração climática.

A pesquisa demonstra que as florestas tropicais podem se recuperar até duas vezes mais rápido quando os níveis de nitrogênio no solo são elevados.

O trabalho evidencia que fatores subterrâneos exercem papel central na regeneração florestal após atividades humanas como agricultura, pecuária e exploração madeireira.

Para investigar esse processo, os cientistas conduziram o maior e mais duradouro experimento já realizado sobre regeneração florestal tropical.

O foco foi compreender como diferentes nutrientes do solo afetam a velocidade de recuperação de áreas previamente desmatadas e degradadas.

Experimento de longo prazo com parcelas florestais na América Central

A equipe selecionou 76 parcelas florestais distribuídas pela América Central. Cada parcela tinha aproximadamente um terço do tamanho de um campo de futebol e representava florestas em distintos estágios de regeneração natural após o uso humano.

O crescimento e a mortalidade das árvores nessas parcelas foram monitorados por um período de até 20 anos. Esse acompanhamento prolongado permitiu avaliar mudanças estruturais da floresta ao longo do tempo, com base em medições contínuas.

As parcelas receberam quatro tratamentos distintos. Algumas foram adubadas com fertilizante nitrogenado, outras com fertilizante fosfatado, um terceiro grupo recebeu ambos os nutrientes e um quarto grupo não recebeu qualquer fertilização.

Esse delineamento experimental possibilitou isolar os efeitos específicos de cada nutriente na recuperação florestal. Os pesquisadores puderam comparar diretamente áreas tratadas e não tratadas sob condições semelhantes de clima e histórico de uso do solo.

Nitrogênio se destaca como fator decisivo na regeneração

Os resultados indicaram que os nutrientes do solo influenciam de forma significativa a recuperação das florestas tropicais. Durante a primeira década após o abandono das áreas, as parcelas com níveis adequados de nitrogênio apresentaram recuperação cerca de duas vezes mais rápida.

O fósforo, quando aplicado isoladamente, não gerou o mesmo efeito acelerador observado com o nitrogênio. A combinação de fósforo e nitrogênio também não superou os resultados obtidos apenas com o nitrogênio, reforçando seu papel central.

Esses achados mostram que este nutriente oculto no solo pode dobrar a velocidade de recuperação da floresta em estágios iniciais, período considerado crítico para a reconstituição da estrutura e das funções ecológicas da floresta tropical.

O estudo contou com pesquisadores de instituições da Europa, América do Norte e Ásia. Os resultados foram publicados em 13 de janeiro na revista Nature Communications, após duas décadas de coleta e análise de dados.

Impactos diretos no sequestro de carbono e no clima

As florestas tropicais estão entre os principais sumidouros de carbono do planeta. Elas absorvem dióxido de carbono da atmosfera e o armazenam na biomassa e no solo, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

Um crescimento mais rápido das árvores significa maior taxa de sequestro de carbono nos primeiros anos de regeneração. Isso amplia o papel das florestas secundárias na redução da concentração de gases de efeito estufa.

Os pesquisadores estimam que, se a limitação de nitrogênio afetar florestas tropicais jovens em escala global, cerca de 0,69 bilhão de toneladas de dióxido de carbono por ano deixariam de ser armazenadas. Esse volume equivale aproximadamente a dois anos de emissões do Reino Unido.

Esses números reforçam a relevância climática dos processos subterrâneos. A velocidade de recuperação florestal influencia diretamente o balanço global de carbono e a capacidade dos ecossistemas tropicais de responder às mudanças climáticas.

Limites da fertilização e alternativas baseadas na natureza

Apesar dos resultados experimentais, os pesquisadores destacam que a fertilização direta de florestas não é recomendada como estratégia de manejo. A aplicação de fertilizantes nitrogenados em larga escala pode gerar efeitos colaterais indesejados.

Entre esses efeitos estão o aumento das emissões de óxido nitroso, um potente gás de efeito estufa, além de impactos negativos sobre a biodiversidade e a qualidade da água. Por isso, a fertilização foi utilizada apenas como ferramenta científica.

Como alternativa, os cientistas sugerem práticas baseadas na natureza. Uma delas é o plantio de árvores da família das leguminosas, capazes de enriquecer o solo com nitrogênio de forma natural e gradual.

Outra opção é priorizar projetos de restauração em áreas que já apresentam excesso de nitrogênio devido à poluição atmosférica. Essas áreas poderiam apresentar regeneração mais rápida sem intervenções artificiais diretas.

Conexões com políticas climáticas e restauração global

O estudo foi divulgado pouco após o encerramento da COP 30 no Brasil, onde foi anunciado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. A iniciativa busca apoiar países tropicais na proteção e restauração de florestas.

As descobertas fornecem subsídios científicos para orientar decisões sobre onde e como investir em restauração florestal. A identificação de fatores que aceleram a recuperação pode aumentar a eficiência das soluções climáticas naturais.

Os autores ressaltam que evitar o desmatamento de florestas maduras continua sendo prioridade. No entanto, compreender como este nutriente oculto no solo pode dobrar a velocidade de recuperação da floresta ajuda a maximizar os benefícios das áreas já degradadas.

Ao integrar dados de longo prazo, o estudo contribui para uma visão mais precisa do papel das florestas secundárias no enfrentamento das mudanças climáticas. Os resultados destacam que processos invisíves sob o solo podem definir o ritmo da resposta ecológica global.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x