Nas últimas décadas, as fábricas da Ford no Brasil foram sinônimo de produção em larga escala, motores rugindo e veículos saindo em alta velocidade das linhas de montagem.
No entanto, o que parecia ser o fim da era Ford no país acabou por se transformar em um novo começo, trazendo novas oportunidades e promessas para o futuro.
Mas o que realmente aconteceu com as gigantes fábricas que há até pouco tempo eram o coração da produção automotiva brasileira? A resposta a essa pergunta envolve transformações radicais, investimentos milionários e uma nova esperança de empregos e inovação.
Uma das surpresas mais recentes veio da fábrica da Troller, em Horizonte, Ceará. Esta unidade, que parecia estar destinada ao esquecimento após o encerramento das atividades pela Ford, ganhou uma nova chance de se reinventar.
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A Comexport, uma das maiores empresas de comércio exterior do Brasil, assumiu as operações e anunciou um plano audacioso: investir R$ 400 milhões para transformar a planta em um polo de produção de veículos elétricos.
Conforme divulgado pelo Governo do Ceará, a Comexport firmou acordos com três marcas automotivas para produzir até seis modelos de veículos elétricos e híbridos.
A expectativa é que, já no primeiro semestre de 2025, a produção atinja a marca de 40 mil veículos por ano, trazendo uma nova dinâmica para a região e gerando centenas de empregos.
Essa operação lembra o modelo de negócios da Nordex, no Uruguai, que produz veículos de diferentes marcas em uma única fábrica, demonstrando uma nova tendência na indústria automotiva.
São Bernardo do Campo: de montadora a centro logístico
Outro capítulo importante na história das antigas fábricas da Ford no Brasil envolve a unidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo.
Comprada pela Ford em 1967, essa fábrica produziu alguns dos veículos mais icônicos da marca, como o Corcel, o Ka e o Fiesta. Entretanto, com a modernização da fábrica de Camaçari (BA), a unidade de São Bernardo do Campo perdeu relevância e foi fechada em 2019.
Em 2020, o terreno foi vendido para a Construtora São José por R$ 550 milhões, que posteriormente repassou a área para a Prologis.
Hoje, a antiga fábrica da Ford está sendo transformada em um dos maiores centros logísticos de São Paulo, uma reconfiguração que visa atender à crescente demanda por serviços de logística na região metropolitana.
Atualmente, parte do terreno já é utilizada pela Mercedes-Benz como estacionamento para caminhões novos, enquanto a demolição da antiga estrutura continua a todo vapor.
Camaçari e a parceria com a BYD
A fábrica de Camaçari, na Bahia, foi inaugurada em 2001 como um pilar estratégico para a Ford no Brasil, sendo responsável pela produção de modelos populares como o Ford EcoSport.
Após o encerramento das atividades em 2021, surgiram muitas incertezas sobre o futuro da unidade. No entanto, a chinesa BYD, gigante no setor de veículos elétricos, entrou em cena com uma proposta de retomar a produção na fábrica baiana.
De acordo com fontes ligadas ao setor automotivo, a BYD pretende iniciar a produção de SUVs híbridos, com destaque para o modelo Song Pro. A previsão é que os primeiros veículos saiam da linha de montagem ainda em 2024, colocando Camaçari de volta ao mapa da indústria automotiva nacional.
Taubaté: um novo papel para a unidade paulista que era da Ford
A unidade de Taubaté, em São Paulo, também passou por uma transformação significativa. Após o encerramento das atividades pela Ford, a fábrica foi adquirida pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que pretende investir R$ 100 milhões na instalação de uma nova planta para a sua subsidiária, a Prada Embalagens.
O foco da nova operação será a produção de embalagens metálicas, um segmento crucial para a indústria de alimentos e bebidas no Brasil.
Apesar dos planos já terem sido anunciados, detalhes sobre o cronograma de inauguração da nova fábrica ainda não foram revelados. A expectativa, porém, é que a operação comece a gerar empregos na região e ajude a movimentar a economia local.
Reconfiguração das antigas instalações da Ford
As antigas fábricas da Ford no Brasil, que um dia simbolizaram a força e a potência da indústria automotiva nacional, agora seguem novos rumos.
Cada unidade, com suas peculiaridades e desafios, está se reinventando para atender às novas demandas do mercado e contribuir para o desenvolvimento econômico do país.
Seja na produção de veículos elétricos, na logística de grandes marcas ou na fabricação de embalagens metálicas, o legado da Ford continua a influenciar o futuro.
Será que essas novas operações conseguirão alcançar o mesmo sucesso que a Ford teve no Brasil? Com tantas mudanças e inovações, resta saber se essas novas empreitadas trarão o mesmo impacto e desenvolvimento que as fábricas da Ford proporcionaram ao longo dos anos.

Eu queria que a Ford volta-se……ela não soube vender seus ótimos carros e hoje vemos Nissan, Hyundai, Honda, etc. Pegaram o mercado dela e vão pegar o da Volkswagen e Chevrolet também se eles não se modernizaram e não souberem vender
Ótima reportagem parabéns
Muita incompetência de Bolsonaro!