Em 2024, renováveis chegaram a 88% da matriz elétrica e as hidrelétricas responderam por cerca de 55% da geração. Minas Gerais tem 53 usinas e 12,5 mil MW outorgados, mas o Pará lidera em capacidade instalada com 22,330 mil MW, seguido por Paraná e São Paulo, enquanto somam usinas menores.
A matriz elétrica brasileira chegou a 88% de renováveis em 2024, com destaque para energia solar, hídrica, biomassa e eólica, e as hidrelétricas responderam por aproximadamente 55% da produção nacional de energia elétrica.
Quando eu coloco o mapa das usinas na mesa, o retrato fica claro: Minas Gerais lidera em número de hidrelétricas, superando São Paulo e Paraná, mas a liderança em potência muda completamente quando o foco vira capacidade instalada, com o Pará concentrando as gigantes.
Renováveis em alta e o peso das hidrelétricas na geração brasileira
A combinação de fontes renováveis manteve a participação elevada na matriz elétrica em 2024, e a energia hídrica seguiu como um dos pilares do sistema.
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Nesse cenário, as hidrelétricas continuam espalhadas pelo país, mas não se distribuem de forma uniforme quando a análise separa quantidade de potência.
O ponto central é que o número de empreendimentos ajuda a entender capilaridade e presença regional, enquanto a capacidade instalada revela onde está, de fato, o maior “peso” da geração.
Minas Gerais lidera em número de hidrelétricas e soma 53 empreendimentos
No ranking nacional por quantidade, Minas Gerais aparece como o estado com mais hidrelétricas construídas, sem contar usinas de menor porte, as pequenas centrais hidrelétricas, as PCHs.
O estado soma 53 empreendimentos, com cerca de 12,5 mil megawatts de potência de geração outorgada.
Na sequência, surgem estados com presença relevante no setor hidrelétrico, com destaque para São Paulo e Paraná no pelotão da frente, além de um grupo intermediário que reforça como as hidrelétricas se espalham por diferentes bacias e regiões.
Top 10 por número de hidrelétricas mostra concentração no Sudeste e Centro Oes te
A lista dos estados com mais hidrelétricas traz este recorte de quantidade:
- Minas Gerais: 53 usinas
- São Paulo: 42 usinas
- Goiás: 18 usinas
- Rio Grande do Sul: 17 usinas
- Paraná: 16 usinas
- Mato Grosso: 14 usinas
- Santa Catarina: 12 usinas
- Bahia: 10 usinas
- Pará: 5 usinas
- Rio de Janeiro: 5 usinas
O quadro indica que Minas Gerais, São Paulo e Goiás concentram a maior parte das hidrelétricas do país.
A explicação apresentada passa por um conjunto de fatores, como abundância de rios, relevo favorável e o próprio processo de industrialização brasileiro.
Quantidade não é potência e a capacidade instalada muda o líder do ranking
Aqui está a virada: quantidade de usinas não é sinônimo de potência.
Cada usina tem uma capacidade instalada diferente, e é esse indicador que explicita o verdadeiro peso de cada estado na geração hidrelétrica nacional.
No recorte por capacidade instalada, descrito como potência fiscalizada, o topo do ranking muda e o Pará assume a liderança, mesmo aparecendo com poucas usinas no ranking anterior por quantidade.
Top 10 por capacidade instalada coloca Pará no topo com gigantes como Belo Monte e Tucuruí
O ranking por capacidade instalada destaca os estados assim:
- Pará: 22,330 mil MW e 21,63%
- Paraná: 15,030 mil MW e 14,56%
- São Paulo: 14,512 mil MW e 14,06%
- Minas Gerais: 12,586 mil MW e 12,19%
- Rondônia: 7,608 mil MW e 7,37%
- Bahia: 5,612 mil MW e 5,44%
- Goiás: 5,389 mil MW e 5,22%
- Rio Grande do Sul: 4,805 mil MW e 4,65%
- Sergipe: 3,162 mil MW e 3,06%
- Santa Catarina: 2,759 mil MW e 2,67%
O destaque é o Pará, que lidera em capacidade instalada por concentrar usinas de grande porte, como Belo Monte, no rio Xingu, e Tucuruí, no rio Tocantins.
No próprio recorte apresentado, aparece a observação de que o estado, mesmo com apenas nove hidrelétricas, ocupa o topo do ranking de capacidade instalada, o que reforça a lógica de concentração de potência em poucos empreendimentos grandes.
Já o Paraná se mantém entre os primeiros colocados puxado pela parte brasileira de Itaipu, descrita como uma das maiores hidrelétricas do mundo, ajudando a explicar por que o estado combina presença relevante e grande entrega de potência.
O que o mapa das hidrelétricas revela sobre o Brasil
A comparação entre os dois rankings mostra um país com dois perfis convivendo ao mesmo tempo: de um lado, estados com muitas hidrelétricas menores; de outro, estados que concentram projetos gigantes capazes de responder por uma parcela significativa da energia consumida.
É essa combinação entre escala, geografia e potencial energético que ajuda a explicar por que a energia hídrica continua sendo um dos pilares da geração renovável no país, mesmo quando a liderança muda conforme o critério analisado.
Na sua opinião, o que pesa mais para o futuro das hidrelétricas no Brasil: ter muitas usinas espalhadas ou concentrar poucas gigantes com alta capacidade instalada?

A descentralização (usinas menores espalhadas) possui vantagens como; maior segurança no caso de falhas, pois o impacto seria menor; menor impacto ambiental nas implantações e melhor distribuição.
Mas gostaria de entender uma coisa. Como que as renováveis respondem por 88% da matriz e as hidroelétricas por 55% se somadas temos 143%?
As hidroelétricas (55%) estão dentro das renováveis ( 88%).