Golpe da energia solar em Mato Grosso do Sul expõe esquema milionário que prometia lucros rápidos com créditos de energia. Entenda como a fraude funcionava, quem são as vítimas e por que o caso acende um alerta nacional.
A promessa de ganhar dinheiro com energia solar parecia moderna, sustentável e segura. Além disso, vinha acompanhada de números tentadores, contratos bem elaborados e uma narrativa de inovação verde.
No entanto, o que parecia uma oportunidade virou pesadelo para investidores de Mato Grosso do Sul.
O chamado “golpe da energia solar”, atribuído à empresa Alpha Energy Capital, tem provocado uma onda de ações judiciais, investigações federais e prejuízos milionários. Embora a sede estivesse em Natal (RN), com filial em Barueri (SP), os efeitos do esquema se espalharam por todo o país.
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Ao mesmo tempo, a fraude levanta uma discussão sensível: como um setor associado à sustentabilidade passou a ser usado como isca para enganar pessoas comuns?
Como o esquema de energia solar prometia lucros irreais
A Alpha Energy Capital oferecia rendimentos mensais entre 4% e 5% por meio da suposta comercialização de créditos de energia solar. O discurso era simples: o investidor colocava dinheiro, a empresa aplicava em usinas solares e os lucros eram divididos.
No entanto, especialistas apontam que essa rentabilidade é incompatível com o mercado real. Ainda assim, a promessa atraiu dezenas de pessoas em diferentes estados.
Segundo a Receita Federal, a empresa alegava operar 11 usinas solares, com geração mensal superior a 1,2 milhão de kWh. Contudo, a investigação revelou que apenas uma unidade existia de fato e estava conectada à rede.
Em fevereiro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Pleonexia, com ações em Natal, Barueri e Goiânia. De acordo com os investigadores, a empresa movimentou ilegalmente cerca de R$ 151 milhões.
Embora não tenham sido cumpridos mandados em Mato Grosso do Sul, os reflexos chegaram rapidamente ao Judiciário local. A 8ª Vara Cível de Campo Grande determinou o bloqueio de R$ 108 mil da empresa, após recurso apresentado por uma das vítimas.
Servidor federal investiu R$ 114 mil e não recebeu nada
Em um dos casos, um servidor federal firmou contrato em julho de 2024 com aporte inicial de R$ 1 mil. “Atraído pela promessa de rentabilidade mensal de 5%, celebrou posteriormente outros onze contratos”, conforme a ação judicial.
Ao todo, ele investiu R$ 114 mil entre julho de 2024 e janeiro do ano seguinte. Apesar disso, não recebeu qualquer retorno financeiro. Inicialmente, o pedido de urgência foi negado, mas o Tribunal reverteu a decisão e determinou o bloqueio de valores da empresa.
Em Dourados, outro investidor aplicou R$ 136 mil, valor economizado ao longo de uma década. “No decorrer do tempo, o autor tomou conhecimento de notícias que vinculavam a empresa ré a investigações por supostos crimes financeiros”, diz o processo.
Mesmo com a denúncia à Polícia Federal, a Justiça negou a tutela de urgência e determinou audiência de conciliação. Até agora, a empresa não foi localizada para citação formal.
Empresa desaparece e culpa bloqueios judiciais
A Alpha Energy Capital tem sido citada à revelia em vários processos. Em comunicado divulgado em março de 2025, afirmou que atuava de boa-fé e que não conseguia pagar os investidores por causa do bloqueio de contas pela Polícia Federal.
Entretanto, para as vítimas, a sensação é de abandono, frustração e revolta. O que começou como um investimento em energia solar sustentável terminou como um símbolo de alerta sobre promessas fáceis demais.


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