Guardado desde 1988 em um celeiro de Lincolnshire, na Inglaterra, o Citroën BX 16RS de John Watkins reapareceu em janeiro de 2026 com poeira, ferrugem, peças originais preservadas e uma história ligada diretamente ao Thrust 2, carro que entrou para o recorde mundial de velocidade terrestre em 1983
Em Lincolnshire, na Inglaterra, a família de John Watkins abriu um celeiro e reencontrou, em janeiro de 2026, um Citroën BX 16RS parado desde 1988, com poeira, ferrugem e ligação direta com um recorde mundial de velocidade.
Ligação com o recorde mundial
John Watkins trabalhou na Força Aérea Real Britânica e participou do Thrust 2, veículo a jato que entrou para o Guinness World Records ao estabelecer o recorde mundial de velocidade terrestre em outubro de 1983.
Pilotado por Richard Noble no deserto de Black Rock, em Nevada, o Thrust 2 alcançou 633,468 mph oficialmente, cerca de 1.019 km/h, e registrou picos de até 650,88 mph nas passagens mais rápidas.
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No mesmo mês, Watkins comprou um Citroën BX 16RS, hatchback familiar com motor 1,6 litro e velocidade máxima de 109 km/h.
A diferença entre os dois veículos era de quase dez vezes. O engenheiro ligado ao carro mais rápido da Terra escolheu, para o dia a dia, um modelo modesto do mercado europeu.
O Citroën BX no celeiro
Watkins usou o Citroën BX por cinco anos. Em 1988, guardou o carro no celeiro com a intenção de realizar uma restauação, mas a porta nunca mais foi aberta e o veículo permaneceu esquecido por 38 anos.
Com o tempo, o Citroën BX foi sendo incorporado à paisagem do galpão. Ferramentas, caixas e objetos se acumularam ao redor, enquanto poeira, ferrugem e abandono transformavam o carro no retrato de outra época.
A história só veio a público em janeiro de 2026, quando a família chamou Jonny Smith, apresentador do canal britânico The Late Brake Show, especializado em barn finds, para inspecionar o veículo.
Na inspeção, a equipe encontrou poeira grossa sobre a carroceria, ferrugem, danos de roedores na estofagem e na fiação, uma roda faltando e o motor recusando a partir.
O que ainda foi preservado
Mesmo deteriorado, o Citroën BX preservava elementos. A estrutura básica da carroceria seguia intacta, os vidros estavam inteiros e vários componentes originais de fábrica continuavam presentes após quase quatro décadas de imobilidade.
Entre os itens preservados estavam a suspensão hidroneumática da Citroën, sistema exclusivo da marca com esferas de gás para absorção de impactos, o painel original com todos os instrumentos no lugar e componentes mecânicos originais.
Os tecidos dos bancos, embora deteriorados, continuavam reconhecíveis como peças típicas dos anos 1980. Isso reforçou o caráter documental do achado e mostrou que o Citroën BX mantinha traços centrais do conjunto original.
No jardim da propriedade, a equipe encontrou ainda um Triumph 2000 clássico parado desde 1983. O carro tinha uma árvore crescendo através do banco e acabou transformado em peça escutural pela natureza.
Como virou raridade
Produzido entre 1982 e 1994, o Citroën BX somou mais de 2,3 milhões de unidades fabricadas. Ainda assim, muitos exemplares desapareceram nas sucatas antes de atingir status de clássico, por serem úteis e acessíveis demais.
Dados do registro britânico de veículos mostram que apenas 194 unidades do BX ainda circulam no Reino Unido, enquanto outras 1.083 foram declaradas fora de circulação, ampliando a raridade do exemplar encontrado em Lincolnshire.
Barn find com história verificável
O termo barn find descreve a descoberta de um veículo clássico esquecido em celeiros, garagens ou galpões por décadas.
O caso do Citroën BX se destaca menos pelo valor de mercado e mais pela história verificável que acompanha o carro.
Esse exemplar reúne peças originais intactas e proveniência ligada a um dos episódios mais marcantes da engenharia automotiva do século XX.
O The Late Brake Show, com mais de 787 mil inscritos, documentou a inspeção e a tentativa de reativação do motor.
Com informações de Revista Oeste.

