Trecho experimental na BR-459 usa plástico reciclado na pavimentação federal, reaproveita resíduos PET em uma mistura asfáltica inédita nesse tipo de via e será monitorado tecnicamente antes de uma eventual expansão para outras rodovias brasileiras.
Um trecho de 968 metros da BR-459, em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, recebeu uma mistura asfáltica com plástico reciclado e passou a ser apresentado pelas empresas envolvidas como a primeira aplicação desse tipo em uma rodovia federal brasileira.
A intervenção foi realizada entre os quilômetros 110 e 111 da rodovia, sob concessão da EPR Sul de Minas, e incorporou ao pavimento o equivalente a 87.120 garrafas PET de 1,5 litro, volume estimado em cerca de 2,6 toneladas de plástico reaproveitado.
A obra foi executada pela Eco Asfalto, startup do interior paulista responsável pelo desenvolvimento do Caet, sigla para Concreto Asfáltico Ecológico Termoplástico, tecnologia que utiliza material reciclado pós-consumo e resíduos industriais beneficiados na composição do pavimento.
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Asfalto com plástico reciclado chega à BR-459
A implantação na BR-459 representa uma nova etapa de aplicação da tecnologia porque, até então, os usos informados pela empresa haviam ocorrido em vias municipais, ruas urbanas, uma rota vicinal e trechos administrados em outros modelos de concessão.
No trecho mineiro, a solução será usada como teste técnico para avaliar a possível adoção do material na malha operada pela EPR Sul de Minas, que acompanha o desempenho do pavimento antes de decidir sobre novas aplicações.
A BR-459 atravessa a região da Serra da Mantiqueira e integra a ligação entre municípios do Sul de Minas, o que permite observar o comportamento do asfalto reciclado em condições reais de tráfego, clima e desgaste.
Como funciona o Caet na pavimentação
A mistura aplicada na rodovia incorpora o ativo polimérico TM-250/A, formulado a partir de plástico reciclado pós-consumo e resíduos industriais tratados, segundo as informações divulgadas pelas empresas responsáveis pela tecnologia.

Esse material entra na composição do concreto asfáltico com a finalidade de melhorar propriedades mecânicas do pavimento, de acordo com a Eco Asfalto, que apresenta a solução como alternativa para reduzir a dependência de insumos convencionais.
Na prática, a tecnologia busca aumentar o desempenho da camada asfáltica e diminuir o uso de ligante derivado de petróleo, mas a substituição ocorre de forma parcial, conforme a descrição técnica informada pelas empresas envolvidas.
Por esse motivo, não se trata de uma composição totalmente livre de insumos ligados à cadeia do petróleo, e sim de um pavimento que incorpora resíduos plásticos para reduzir proporcionalmente a presença do ligante convencional.
Monitoramento técnico na rodovia federal
Depois da aplicação, o trecho entrou em fase de monitoramento técnico, com avaliações programadas em 30, 60 e 90 dias para acompanhar o comportamento do pavimento e reunir dados sobre resistência, aderência e desempenho da solução.
Os resultados desse acompanhamento serão usados pela Eco Asfalto em um dossiê técnico a ser apresentado ao Dnit, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, como parte do processo de homologação nacional da tecnologia.
Segundo as informações divulgadas, o protocolo do material está previsto para ocorrer até 17 de agosto de 2026, etapa necessária para que a solução avance em análises voltadas ao uso em rodovias federais.
Sem esse aval, a aplicação em larga escala em vias federais depende de avaliações complementares e da aceitação formal pelos órgãos responsáveis pela infraestrutura viária, conforme os procedimentos técnicos exigidos para esse tipo de obra.
Aplicações anteriores em São Paulo
Antes da aplicação na BR-459, a Eco Asfalto já havia usado a tecnologia em uma rota vicinal em Matão, no interior de São Paulo, além de ruas em Cabreúva e duas obras municipais na capital paulista.
Também há registro de aplicação em trecho ligado à concessão da Rota das Bandeiras, administrada pela CCR no estado de São Paulo, experiência que antecedeu o uso da mistura em uma rodovia federal.
Com a obra em Minas Gerais, a tecnologia passa a ser observada em um ambiente viário com exigências específicas de controle técnico, fluxo de veículos e parâmetros de conservação, fatores considerados no acompanhamento do desempenho do pavimento.
Tecnologia pode avançar para novas concessões

A Eco Asfalto afirma ter como meta aplicar o Caet em rodovias federais e concessões em diferentes regiões do país antes do fim de 2026, além de iniciar a exportação da tecnologia para a América Latina a partir de 2027.
A ampliação do uso, no entanto, depende da validação técnica do trecho experimental e do avanço do processo de homologação, além da análise de concessionárias e órgãos públicos sobre desempenho, custos e segurança operacional.
Enquanto esses resultados não forem consolidados, a experiência na BR-459 permanece como projeto-piloto para verificar se o reaproveitamento de plástico reciclado pode ser aplicado em escala maior na pavimentação de rodovias.
Impacto ambiental do reaproveitamento de PET
O uso de resíduos plásticos em obras viárias permite dar nova destinação a materiais pós-consumo, conforme a proposta apresentada pelas empresas responsáveis pela tecnologia aplicada no trecho da BR-459.
No caso da rodovia mineira, a equivalência divulgada aponta para mais de 87 mil garrafas PET reaproveitadas em menos de um quilômetro de pavimento, número usado pelas empresas para dimensionar o volume de material incorporado à mistura.
A avaliação desse tipo de solução, no entanto, depende de critérios técnicos como durabilidade, manutenção, segurança, custo por quilômetro e comportamento do material ao longo do tempo, pontos que serão observados durante o monitoramento.
A substituição parcial do ligante derivado de petróleo pode reduzir a participação de insumos convencionais, mas não significa a retirada completa desses componentes da composição do pavimento aplicado na rodovia federal.
Desempenho do pavimento será decisivo
O acompanhamento técnico previsto para os próximos meses deverá indicar se a mistura mantém desempenho adequado sob tráfego real e se apresenta condições de uso em trechos semelhantes ao da BR-459.
A análise também poderá oferecer dados comparativos para futuras avaliações sobre o uso do Caet em rodovias federais e concessões, caso os resultados sejam aceitos pelos órgãos responsáveis pela infraestrutura de transportes.
Por enquanto, o trecho entre os quilômetros 110 e 111 da BR-459 funciona como área de teste em escala real para a concessionária, a startup e as autoridades envolvidas na análise da tecnologia.
A partir dos dados reunidos no monitoramento, será possível avaliar se o plástico reciclado tem condições técnicas de ganhar espaço na pavimentação brasileira sem alterar os critérios de segurança e desempenho exigidos para rodovias federais.


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