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Especialista explica por que quase metade do preço do ar-condicionado é composta por impostos

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 04/05/2026 às 14:43
Atualizado em 04/05/2026 às 14:47
Sabia que o imposto pode representar mais de 50% do preço do ar-condicionado? Especialista explica quais tributos encarecem o produto no Brasil.
Sabia que o imposto pode representar mais de 50% do preço do ar-condicionado? Especialista explica quais tributos encarecem o produto no Brasil. (Imagem meramente ilustrativa)
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Sabia que o imposto pode representar mais de 50% do preço do ar-condicionado? Especialista explica quais tributos encarecem o produto no Brasil.

Quando um consumidor brasileiro compra um ar-condicionado, a maior parte do que paga não vai para a fabricante nem para a loja — vai para o governo. De acordo com o advogado tributarista Carlos Renato Cunha, professor de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em conversa com o CanalTech, a carga tributária sobre esse tipo de produto pode ultrapassar 50% do preço final, dependendo do estado, do modelo e da origem do aparelho. Apesar de determinante no valor cobrado, essa parcela quase nunca aparece detalhada na nota fiscal — o que faz com que muitos consumidores simplesmente não percebam o peso dos tributos na hora da compra.

Quais impostos encarecem o ar-condicionado?

Segundo o especialista, é preciso distinguir dois tipos de tributação que afetam o produto. O primeiro grupo é composto pelos tributos que incidem diretamente sobre a venda do aparelho. O segundo engloba impostos que recaem sobre as empresas — como o Imposto de Renda — e que, mesmo sem aparecer na nota, acabam sendo embutidos no preço final repassado ao consumidor.

Nas palavras do professor Cunha: “Temos que separar os tributos que incidem diretamente sobre a venda de ar-condicionado de tributos que incidem indiretamente.”

Os principais tributos diretos que encarecem o produto são:

  • ICMS — imposto estadual, que varia conforme o estado. No Paraná, por exemplo, a alíquota é de 19,5%
  • IPI — imposto federal que pode variar entre 20% e 35%, dependendo do tipo de aparelho
  • PIS/Cofins — tributos federais que, no regime não cumulativo, somam 9,65%
  • Imposto de Importação — aplicável apenas a modelos importados, com alíquota entre 16% e 18%

Somando apenas ICMS, IPI e PIS/Cofins em um produto nacional, já é possível ultrapassar a metade do valor do aparelho. Para produtos importados, a conta fica ainda mais pesada.

Sabia que o imposto pode representar mais de 50% do preço do ar-condicionado? Especialista explica quais tributos encarecem o produto no Brasil.
Sabia que o imposto pode representar mais de 50% do preço do ar-condicionado? Especialista explica quais tributos encarecem o produto no Brasil. Imagem: Canva.

Quanto você paga de imposto em cada modelo? Veja a estimativa

Com base nas alíquotas médias informadas pelo especialista — ICMS de 19,5%, IPI de 25% e PIS/Cofins de 9,65% —, o site CanalTech estimou quanto dos tributos está embutido no preço de alguns modelos populares de ar-condicionado no mercado brasileiro:

ModeloPreçoICMS (19,5%)IPI (25%)PIS/Cofins (9,65%)Total estimado
Philco Hi Wall 9.000 BTUR$ 1.555,55R$ 303,33R$ 388,89R$ 150,11R$ 842,33
LG Dual Inverter AI Voice 12.000 BTUR$ 2.265,48R$ 441,77R$ 566,37R$ 218,62R$ 1.226,76
LG Dual Inverter AI 18.000 BTUR$ 3.509,00R$ 684,26R$ 877,25R$ 338,12R$ 1.899,63
Gree Inverter 24.000 BTUR$ 4.318,70R$ 842,15R$ 1.079,67R$ 416,75R$ 2.338,57

⚠️ Os valores são estimativas com base em alíquotas médias de mercado e servem apenas como referência. O cálculo real pode variar conforme o regime tributário da empresa e a operação comercial envolvida. (Fonte: CanalTech)

Os números deixam claro: em um ar-condicionado de entrada, como o modelo de 9.000 BTU da Philco, mais de R$ 840 do preço total correspondem a tributos. Em aparelhos de maior potência, esse valor pode facilmente superar R$ 2.300.

Por que a carga tributária varia tanto de um estado para outro?

Um ponto importante destacado pelo professor Cunha é que não existe uma alíquota única nacional para esses produtos. Vários fatores determinam o percentual final de tributação que incide sobre o ar-condicionado até chegar às mãos do consumidor:

  • O estado onde o produto é vendido, já que o ICMS varia entre as unidades da federação
  • O regime tributário da empresa vendedora (simples nacional, lucro presumido ou lucro real)
  • A origem do produto: aparelhos importados sofrem a incidência adicional do Imposto de Importação, que pode variar de 16% a 18%
  • O tipo de aparelho, que influencia diretamente a alíquota do IPI cobrada

Portanto, um mesmo modelo pode ter preços diferentes em estados distintos — não apenas por conta da logística ou da margem do varejista, mas também pela variação nos tributos aplicados em cada região.

Aparelho mais eficiente energeticamente paga menos imposto?

Muitos consumidores acreditam que optar por um ar-condicionado com melhor eficiência energética — os chamados modelos inverter, por exemplo — também implica pagar menos tributos. Mas, de acordo com o especialista, isso não é verdade atualmente.

“Não há hoje uma tributação geral menor no varejo apenas porque o aparelho é mais eficiente energeticamente”, afirma Cunha. Ou seja, a economia no consumo de energia não vem acompanhada de nenhum benefício fiscal direto ao consumidor final no momento da compra.

Reforma tributária: o que muda para quem compra ar-condicionado a partir de 2026?

O Brasil está em plena transição para um novo modelo de tributação sobre o consumo. Em 2026, dois novos impostos entram em cena de forma experimental:

  • CBS — imposto federal que substituirá o PIS e o Cofins
  • IBS — imposto estadual e municipal que substituirá o ICMS

Por ora, conforme explica o professor Cunha, “este é um ano de teste, com dispensa de recolhimento” — o que significa que os novos tributos ainda não serão efetivamente cobrados em 2026. A mudança mais significativa, no entanto, já está prevista: a forma como os impostos aparecem para o consumidor.

Diferente do modelo atual — em que os tributos ficam embutidos no preço sem discriminação clara —, o novo sistema prevê que CBS e IBS incidam por fora do preço de venda. Na prática, isso significa que o consumidor conseguirá ver, com mais clareza, o quanto está pagando de imposto em cada produto adquirido, incluindo o ar-condicionado.

Sabia que o imposto pode representar mais de 50% do preço do ar-condicionado? Especialista explica quais tributos encarecem o produto no Brasil.
Sabia que o imposto pode representar mais de 50% do preço do ar-condicionado? Especialista explica quais tributos encarecem o produto no Brasil. Imagem: Canva.

Segundo Cunha, “o IBS e a CBS incidirão por fora do preço de venda, permitindo maior transparência da carga tributária” — o que representa um avanço importante para quem quer entender de fato o custo real de um produto.

O que fica claro depois de tudo isso?

A tributação sobre o ar-condicionado no Brasil é elevada, complexa e, na maioria das vezes, invisível ao consumidor. A soma de ICMS, IPI e PIS/Cofins já é suficiente para ultrapassar metade do preço do produto — e, no caso de aparelhos importados, a conta fica ainda mais pesada com a adição do Imposto de Importação.

Além disso, escolher um modelo mais econômico em energia não reduz o peso dos impostos. E a carga varia conforme o estado, o tipo de produto e o regime tributário da empresa vendedora — o que torna a comparação de preços ainda mais complexa para quem está pesquisando antes de comprar.

A reforma tributária em andamento promete trazer mais clareza a esse cenário, mas seus efeitos práticos para o bolso do consumidor ainda devem levar algum tempo para se consolidar.

Fonte: CanalTech

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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