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Espanhóis criam módulo solar que quase dobra a energia, não faz sombra nas plantas e ainda ajuda a economizar água no mesmo pedaço de terra

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 13/02/2026 às 08:51 Atualizado em 13/02/2026 às 08:52
Espanhóis criam módulo solar que quase dobra a energia, não faz sombra nas plantas e ainda ajuda a economizar água no mesmo pedaço de terra
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Desenvolvido pela Escola Politécnica Superior de Jaén, o módulo solar agrivoltaico semitransparente RearCPVbif utiliza células menores, concentradores ópticos e câmara de ar isolante para quase dobrar a eficiência em relação a painéis bifaciais convencionais, ao mesmo tempo em que distribui luz difusa mais homogênea e reduz a evapotranspiração do solo.

Um novo módulo solar agrivoltaico semitransparente, desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica Superior de Jaén (EPSJ), na Universidade de Jaén, propõe integrar eletricidade e agricultura no mesmo solo, com luz difusa e sem sombras duras, quase dobrando a eficiência em relação a soluções bifaciais convencionais.

Módulo solar RearCPVbif nasce para uso agrícola e busca evitar perdas no cultivo

A equipe da EPSJ trabalha há anos analisando como integrar energia fotovoltaica e culturas agrícolas sem prejudicar nenhuma delas, em um cenário espanhol no qual a terra agrícola é valiosa e a água se torna cada vez mais escassa.

A proposta mais recente, chamada RearCPVbif, vai além de adaptar painéis existentes. Trata-se de um módulo fotovoltaico semitransparente projetado desde o início para ambientes agrícolas, com foco em melhorar a eficiência energética e entregar às plantas uma luz mais adequada ao desenvolvimento.

O chefe do grupo, Eduardo F. Fernández, resume a lógica do projeto ao afirmar que não é possível avançar em um objetivo agindo negativamente em outro, sintetizando a abordagem de buscar ganhos simultâneos para geração elétrica e condições de cultivo.

Limitações dos painéis convencionais no campo motivaram uma solução sem sombra constante

Módulos fotovoltaicos convencionais são descritos como robustos e eficientes em locais onde bloquear luz não é um problema, como telhados, usinas solares e estacionamentos, com vida útil que pode ultrapassar 20 anos.

O problema aparece quando esses módulos opacos são levados ao campo sem alterações. A sombra constante é incompatível com a maioria das culturas, tornando o uso direto da tecnologia, sem redesenho, um fator de risco para o desenvolvimento das plantas.

Em sistemas fotovoltaicos agrícolas, uma solução padrão tem sido espaçar as células para criar aberturas por onde a radiação passa. Com módulos bifaciais, que captam luz em ambos os lados, parte da radiação refletida pelo solo também é aproveitada.

Esse arranjo, segundo o material, funciona, mas cria um padrão irregular de luz e sombra que nem sempre favorece as plantas. A proposta da EPSJ parte dessa limitação para redesenhar como a luz atravessa o módulo e chega ao nível do solo.

Óptica traseira transforma radiação direta em luz difusa e aumenta captação energética

No RearCPVbif, a equipe opta por células muito menores e acrescenta elementos ópticos na parte traseira. O objetivo é transformar a radiação direta que passa pelas aberturas em luz difusa, mudando não apenas a quantidade de luz que atravessa, mas também sua forma de distribuição.

A tecnologia citada são concentradores parabólicos de composição cruzada, os CCPCs. Eles têm dupla função no sistema: aumentam a captação de energia e suavizam a luz que chega à plantação, reduzindo a presença de sombras duras e elevando a homogeneidade luminosa sob o módulo.

O resultado descrito é um módulo que produz mais eletricidade e cria um ambiente de iluminação mais uniforme embaixo dele. A proposta também enfatiza a ideia de agrivoltaica avançada e não invasiva, ao tratar luz e solo como partes do mesmo projeto.

Câmara de ar isola, baixa a temperatura do solo e reduz evapotranspiração

Além da óptica, o projeto incorpora uma câmara de ar semelhante à de janelas com vidros duplos. O texto aponta que esse detalhe tem consequências significativas, ao melhorar o isolamento térmico.

Com esse isolamento, a temperatura do solo fica mais baixa e ocorre redução da evapotranspiração. Em um contexto de secas recorrentes, a equipe associa essa característica a uma diferença relevante para o manejo hídrico e para o estresse das plantas.

O conjunto das escolhas técnicas, segundo o material, busca simultaneamente maior produção de eletricidade e menos estresse hídrico. A ênfase está em otimizar a produção elétrica e, ao mesmo tempo, melhorar a luminosidde disponível para as plantações.

Medições e testes indicam desempenho quase dobrado e luz difusa mais homogênea

As medições mencionadas confirmam que a eficiência do sistema é quase o dobro da de um módulo bifacial convencional com iluminação intercalada. A explicação central está no uso da radiação traseira e na uniformidade da distribuição da luz, apontada como fator crítico para o crescimento das plantas.

Depois da montagem do módulo em um substrato transparente de PMMA, foram realizadas simulações e testes experimentais. O material relata que os resultados reais superaram os modelos teóricos.

A surpresa descrita foi a qualidade da luz difusa gerada, considerada ainda melhor do que o esperado, o que reforça o valor agronômico do projeto, ao associar a difusão luminosa a condições mais homogêneas sob o painel.

Células muito pequenas e industrialização entram como desafios para levar a tecnologia ao mercado

Chegar ao módulo exigiu superar dificuldades com o uso de células fotovoltaicas muito pequenas. O texto aponta que a indústria está otimizada para formatos padrão, não para peças minúsculas, e que obtê-las demandou negociações específicas e soluções não convencionais.

Apesar do desempenho reportado, o material destaca que ainda são necessários mais estudos para avaliar o impacto final na produtividade e nos custos, antes de uma adoção ampla em ambientes agrícolas.

A equipe descreve como próximo passo a industrialização, incluindo redução de peso, otimização de materiais e alternativas como uso de óptica oca com espelhos, além da análise de viabilidade econômica em larga escala.

O texto também informa que contatos com empresas já estão em andamento para desenvolver a tecnologia além do laboratório, com a meta de transformar a proposta em solução aplicável em escala.

Aplicações podem ir além do campo, com difusão de luz em edifícios e espaços públicos

O alcance do RearCPVbif, de acordo com o material, não se limita à agricultura. A capacidade de difundir a luz uniformemente abre possibilidades para edifícios públicos, centros educacionais e ambientes onde se busca iluminação natural sem ofuscamento ou superaquecimento.

A luz filtrada é citada como melhor não apenas para plantas, mas também para pessoas, por reduzir contraste, cansaço visual e tornar ambientes mais agradáveis, aproximando arquitetura e energia em uma mesma lógica de projeto.

O material enquadra esse tipo de tecnologia como parte de um modelo energético mais integrado e menos invasivo, com foco em gerar eletricidade com inteligência territorial, sem tratar o espaço agrícola como área de competição direta.

Em regiões agrícolas sob estresse climático, módulos como o RearCPVbif são apresentados como ferramenta para adaptar a produção de alimentos às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que fortalecem a soberania energética local.

A médio prazo, o texto sugere que aplicações em estufas, cooperativas agrícolas e edifícios públicos poderiam reduzir custos de energia, melhorar conforto e diminuir emissões, em um processo descrito como gradual e baseado em tecnologia bem projetada, com ganho de eficência no uso da luz.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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