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Escavadeiras estão desfazendo valas feitas pelo homem, devolvendo água a um pântano islandês, reconectando lagos e riachos, abrindo caminho para peixes migratórios ameaçados, reidratando turfeiras que estocam carbono e transformando um brejo drenado em paraíso vivo de aves e vida selvagem novamente

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 26/01/2026 às 20:39 Atualizado em 26/01/2026 às 20:40
Assista o vídeoPântano restaurado com fechamento de valas de drenagem, recuperação de turfeiras, retorno de peixes migratórios e mais aves em ecossistema reconectado.
Pântano restaurado com fechamento de valas de drenagem, recuperação de turfeiras, retorno de peixes migratórios e mais aves em ecossistema reconectado.
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Projeto em pântano da Islândia elimina canais de drenagem, restabelece fluxo natural da água, reconecta ecossistemas, ajuda enguias criticamente ameaçadas, recupera turfeiras que armazenam carbono e cria um mosaico vivo de lagos, riachos, aves e vida selvagem novamente.

O pântano islandês está passando por uma transformação profunda, com escavadeiras desfazendo valas artificiais que drenaram a paisagem por décadas e devolveram a água ao seu curso natural. A intervenção busca restaurar a dinâmica hídrica original, reconectando lagos e riachos que haviam sido separados por canais escavados pelo homem.

Ao recuperar o pântano, o projeto também reabre caminhos para peixes migratórios ameaçados, fortalece habitats de aves e reidrata turfeiras que acumulam carbono há milhares de anos. A meta é converter uma área degradada em um sistema úmido funcional, biodiverso e novamente integrado ao fluxo natural da região.

As valas que drenaram o pântano ao longo do século XX

Grande parte das valas presentes no pântano foi escavada no século XX para drenar zonas úmidas e ampliar áreas para agricultura e pastoreio. Esses canais alteraram a hidrologia local, rebaixando o nível da água e secando extensas turfeiras.

Algumas dessas valas são tão profundas que uma pessoa consegue ficar de pé dentro delas. Elas funcionam como drenos permanentes, retirando água do solo e afetando diretamente plantas, aves e peixes migratórios que dependem de ambientes encharcados.

Turfeiras do pântano guardam carbono há milênios

As turfeiras são formadas por matéria vegetal parcialmente decomposta que se acumula em solos encharcados ao longo de milhares de anos.

Com pouco oxigênio disponível, a decomposição é lenta, permitindo que o carbono fique estocado no solo.

Quando o pântano é drenado, a turfa seca e passa a liberar carbono. As valas não afetam apenas o canal escavado, mas toda a área ao redor, porque rebaixam o lençol freático e transformam solos úmidos em superfícies secas.

O projeto prevê o fechamento de mais de três quilômetros de valas, o que permitirá restaurar 216 hectares de turfeiras. Essa área equivale a cerca de 300 campos de futebol, mostrando a escala da recuperação planejada.

Reidratação devolve vida ao solo do pântano

A solução para a drenagem é direta. Se uma vala foi aberta para secar a turfa, ela pode ser fechada para reumedecer o terreno.

Ao bloquear os canais, a água volta a se espalhar lentamente pelo solo, recriando condições ideais para musgos, juncos e gramíneas adaptados a ambientes alagados.

O pântano volta a funcionar como uma esponja natural, mantendo a umidade constante e sustentando a vegetação típica de zonas úmidas. Esse processo é essencial para estabilizar o ecossistema e impedir novas perdas de carbono.

Pântano islandês é paraíso estratégico para aves

A área está na extremidade norte da rota migratória do Atlântico Leste, uma via essencial que conecta a África ao Ártico. Isso transforma o pântano em um ponto crucial para aves que se reproduzem e descansam durante migrações.

O ambiente oferece locais protegidos para ninhos e abundância de alimento. Cada pequeno tufo de vegetação pode virar abrigo, e a proximidade de água doce garante oferta constante de presas. A paisagem funciona como um grande refúgio natural para diferentes espécies.

Colinas formadas por acúmulo de fezes de aves ao longo de milhares de anos mostram o uso contínuo do local como território de nidificação. Esses montes naturais reforçam que o pântano já é, e pode voltar a ser plenamente, um polo de biodiversidade.

Reconexão hídrica é vital para peixes migratórios

Além das turfeiras e aves, a conectividade da água doce é parte central da restauração do pântano. A erosão das valas criou quedas e desníveis que funcionam como barreiras para peixes migratórios e enguias.

Esses obstáculos impedem que espécies cheguem a lagos maiores situados rio acima. A solução envolve remodelar trechos com piscinas em degraus e fechar canais artificiais, permitindo que a água volte a fluir por cursos mais naturais e sinuosos.

Em alguns pontos, valas que cortaram antigos riachos serão bloqueadas para que a água retome seu leito original. Em outros, a conexão entre lagos será refeita com canais mais rasos e horizontais, facilitando a passagem de peixes.

Enguia europeia depende do pântano para sobreviver

Entre as espécies beneficiadas está a enguia europeia, classificada como criticamente ameaçada. Seu ciclo de vida começa no mar dos Sargaços, no Atlântico, de onde as larvas viajam por correntes oceânicas até a Europa.

Depois de anos no oceano, as enguias jovens entram em rios e áreas úmidas como esse pântano. Ali crescem por até duas décadas antes de retornar ao mar para se reproduzir. Qualquer barreira no caminho interrompe esse ciclo delicado, tornando a reconexão hídrica essencial.

Levantamentos com pesca elétrica identificaram onde certas espécies estão ausentes justamente por causa das barreiras criadas pelas valas. Esses dados orientam quais trechos precisam ser restaurados com prioridade.

Fechamento de valas remove barreiras e recria cursos naturais

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O projeto inclui o fechamento de sistemas de valas em forma de Y e L, além da reconfiguração de canais que hoje desviam a água de forma artificial. Em alguns casos, a vala será mantida temporariamente aberta para preservar áreas de desova já utilizadas por peixes.

Em outros pontos, a intervenção vai reconectar três lagos e um riacho, restabelecendo a conectividade total do sistema. A meta é permitir fluxo contínuo entre lagos, riachos e o mar, algo essencial para espécies migratórias.

Investimento transforma paisagem degradada em ecossistema vivo

O custo total do projeto é de 137.000 euros. Esse valor cobre o fechamento dos 3.000 metros de valas, a remodelagem de quatro grandes obstáculos, a reconfiguração de cursos d’água e o monitoramento ambiental.

A iniciativa reúne restauração de turfeiras, reconexão hídrica e recuperação de habitats de aves e peixes em um único esforço integrado.

O pântano deixa de ser um brejo drenado e volta a ser um sistema úmido pulsante, com água, vida selvagem e funções ecológicas restauradas.

Ao devolver água ao solo, reconectar lagos e abrir caminho para espécies ameaçadas, o projeto mostra como engenharia pode ser usada para reconstruir ecossistemas em vez de degradá-los.

Você acha que projetos de restauração de pântano como esse deveriam receber mais investimentos ao redor do mundo?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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