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Era para ser mais uma moeda romana, mas Kevin, com seu detector de metal, encontrou um anel de ouro de 17 séculos, escondido junto a 297 moedas, cerâmica e objetos de chumbo em Somerset

Publicado em 11/06/2026 às 15:15
Atualizado em 11/06/2026 às 15:17
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Imagem: Ilustração artística
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Encontrado em Somerset junto a 297 moedas romanas, o Anel de Ilminster pesa quase 48 gramas, traz a deusa Vitória gravada em gema e pode ter pertencido a alguém rico da Britânia romana

O Anel de Ilminster, uma joia romana de ouro maciço com quase 48 gramas, foi encontrado por um detectorista em um campo perto de Ilminster, em Somerset, junto a 297 moedas e outros objetos. A peça ficou enterrada por quase 1.700 anos e é apontada por especialistas como um dos melhores exemplos de joalheria romana já descobertos na Grã-Bretanha.

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Anel de Ilminster foi achado por detectorista em área com moedas romanas

A descoberta foi feita por Kevin Minto, que explorava o local com detector de metais desde 2017. Na área, ele já havia recuperado várias moedas romanas e, quando o aparelho voltou a sinalizar, imaginou ter encontrado mais uma.

O objeto retirado do solo, porém, era diferente. Primeiro, Minto pensou que pudesse ser uma moeda. Depois, considerou a possibilidade de ser um broche. Somente após observar melhor percebeu que se tratava de um anel de ouro.

Em entrevista ao The Guardian, ele descreveu a sensação como difícil de explicar. Segundo Minto, foi como “ser atropelado por um trem expresso”, porque a surpresa veio em etapas até a identificação do anel.

Tesouro raro encontrado com detector de metal
Imagem: Reprodução / Youtube

Joia de ouro maciço traz imagem da deusa romana Vitória

O anel pesa quase 48 gramas e foi feito em ouro maciço. Na parte frontal, há uma gema cinza-azulada com a imagem de Vitória, a deusa romana associada ao triunfo.

De acordo com informações do South West Heritage Trust, a cena mostra Vitória conduzindo uma carruagem puxada por dois cavalos. Ela aparece segurando um chicote e as rédeas, com asas e capacete.

A imagem foi produzida com a técnica de entalhe, em que o desenho é talhado na pedra. Esse detalhe ajuda a explicar por que a peça chamou atenção dos especialistas, tanto pelo material quanto pela execução.

Amal Khreisheh, curadora sênior do South West Heritage Trust, descreveu o anel como grande e pesado. Ela destacou o trabalho elaborado em ouro e a gravura finamente executada na gema.

Segundo a curadora, embora existam outros exemplos, a combinação desses elementos forma um anel espetacular, com paralelo apenas em descobertas continentais.

Tesouro tinha 297 moedas e foi enterrado em período de ruptura política

O Anel de Ilminster não estava isolado. Ele fazia parte de um conjunto que incluía 297 moedas romanas, além de objetos de chumbo e cerâmica.

A data associada ao sepultamento do tesouro o coloca logo após um período turbulento da Britânia romana. Entre 286 e 296 d.C., a província funcionou separadamente do Império Romano.

Esse intervalo ocorreu sob o governo de Carausius e, depois, de Allectus. Historiadores se referem a esse episódio como Revolta Carausiana.

O South West Heritage Trust informou que o anel provavelmente foi escondido logo depois do fim desse período. A hipótese apresentada no material é que quem enterrou o conjunto nunca voltou para recuperá-lo.

Para pessoas ricas, o cenário de instabilidade podia tornar a proteção de bens valiosos uma prioridade. Em diferentes pontos da Grã-Bretanha romana, alguns indivíduos enterravam pertences esperando resgatá-los depois.

Tesouro raro encontrado com detector de metal
Imagem: Reprodução

Especialistas investigam quem poderia ter usado a peça

A quantidade de ouro usada no anel indica que ele pertenceu a alguém com recursos consideráveis. Pesquisadores apontam como possibilidades um latifundiário rico, um comerciante ou um funcionário público local.

O tamanho, o peso e a qualidade da fabricação reforçam a leitura de que o objeto era uma peça de luxo. A imagem de Vitória também liga o anel a símbolos de sucesso militar e triunfo na cultura romana.

Khreisheh afirmou que arqueólogos geralmente lidam com objetos quebrados, como fragmentos de cerâmica ou ossos de animais. Por isso, peças completas e tão elaboradas como essa não aparecem com frequência.

Novas análises devem tentar indicar se o anel foi fabricado na Grã-Bretanha ou levado de outra parte do Império Romano. Os pesquisadores também pretendem investigar se um sarcófago revestido de chumbo, achado por Minto no mesmo campo, pode ter relação com o antigo dono da joia.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do South West Heritage Trust e do The Guardian, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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