A Eos Energy Enterprises anunciou a construção da maior bateria de armazenamento em zinco do mundo, com 1 GWh de capacidade dedicada a data centers de inteligência artificial nos Estados Unidos.
Conforme reportagem do Interesting Engineering, o sistema usa tecnologia zinco-aquosa segura e dispensa lítio.
Por isso, a Eos Energy supera baterias de lítio convencionais em segurança operacional e abre caminho para armazenamento massivo em escala industrial.
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A bateria fica em Mojave, no estado da Califórnia, e ocupa área de 12 hectares.
O investimento total é de US$ 720 milhões, com financiamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos via Loan Programs Office.
Conforme a Eos, a tecnologia tem 25 anos de vida útil e suporta 5.000 ciclos completos de carga e descarga.
Joe Mastrangelo: o CEO italiano da a empresa mudou o setor
Joe Mastrangelo, CEO do grupo americano desde 2018, é engenheiro mecânico italiano formado pelo MIT.
Mastrangelo trabalhou anteriormente na General Electric Power Systems por 22 anos.
Conforme dados da startup, a empresa tem sede em Edison, Nova Jersey, e foi fundada em 2008 por Steve Hellman e Mike Oster.
A fabricante abriu capital na Nasdaq em 2020 com ticker EOSE e atingiu valor de mercado de US$ 1,8 bilhão em maio de 2026.
Por isso, a fabricante se tornou o maior símbolo da transição lítio-zinco no setor de armazenamento norte-americano.
Como a a Eos elimina risco de incêndio que baterias de lítio mantêm
A bateria zinco-aquosa Eos Z3 usa eletrólito aquoso à base de cloreto de zinco em vez do eletrólito orgânico inflamável das baterias de lítio.
Conforme o Departamento de Energia dos Estados Unidos, a tecnologia opera entre 0°C e 50°C sem necessidade de refrigeração ativa.
Por isso, dispensa sistemas BMS de gerenciamento térmico e ocupa 40% menos espaço por kWh armazenado.
A bateria pesa 12 kg por kWh, contra 7 kg por kWh do lítio convencional, segundo a Eos.

Conforme análise do MIT Technology Review, o custo nivelado de armazenamento (LCOS) cai de US$ 187/MWh com lítio para US$ 89/MWh com zinco aquoso.
Por que a Eos Energy mira data centers de IA para armazenamento massivo
Data centers de inteligência artificial consumiram 5,2% da eletricidade dos Estados Unidos em 2025, segundo o International Energy Agency (IEA).
Conforme a IEA, o consumo deve dobrar para 10,5% até 2030 com expansão de modelos como GPT-7 e Gemini Ultra.
Por isso, operadoras como Microsoft, Google, Amazon e Meta investem em armazenamento dedicado para suprir picos de demanda.
A bateria Eos vai atender 3 data centers da Microsoft em Phoenix, Arizona, e Reno, Nevada, segundo contrato divulgado em fevereiro de 2026.
Conforme a Microsoft, o contrato vale US$ 1,2 bilhão e cobre fornecimento entre 2026 e 2031.
O DOE liberou US$ 398 milhões em garantia para a Eos Energy
O Loan Programs Office do Departamento de Energia dos Estados Unidos aprovou em janeiro de 2026 garantia federal de US$ 398 milhões para o grupo americano.
Conforme o DOE, a garantia federal reduz custo de capital da Eos em 4 pontos percentuais ao ano.
Por isso, a empresa consegue financiar a construção da bateria de Mojave a 6,2% ao ano em vez dos 10,2% típicos do mercado privado.
O secretário de Energia Jennifer Granholm anunciou pessoalmente a aprovação em coletiva em Washington.

Como a a empresa compete com Tesla Megapack e CATL Tener
O mercado de armazenamento de energia para data centers tem três competidores principais: Tesla Megapack, CATL Tener e a Eos Z3.
A Tesla Megapack usa lítio-ferro-fosfato (LFP) e atinge 3,9 MWh por unidade.
Conforme a Tesla, o Megapack tem custo de US$ 1.250/kWh instalado e ocupa 4,6 m² por unidade.
- Eos Z3 (EUA): zinco aquoso, 1 GWh em Mojave, US$ 89/MWh LCOS
- Tesla Megapack (EUA): LFP, 3,9 MWh/unidade, US$ 1.250/kWh
- CATL Tener (China): LFP, 6,25 MWh/unidade, US$ 950/kWh
- Form Energy (EUA): ferro-ar, 100 h descarga, US$ 20/kWh prometido
- Highview Power (UK): ar líquido, 250 MWh, longa duração
Conforme a BloombergNEF, o mercado global de baterias de armazenamento atingiu US$ 92 bilhões em 2025.
Para comparação com outras tecnologias energéticas, ver cobertura sobre data centers orbitais e o parque solar Tengeh em Cingapura.
Por que a a Eos aposta no zinco que custa US$ 2,80 por kg
O zinco é o quarto metal mais abundante da crosta terrestre, com reservas globais estimadas em 230 milhões de toneladas pela United States Geological Survey.
O preço do zinco está em US$ 2,80/kg em maio de 2026, segundo a London Metal Exchange.
Conforme a a Eos, cada bateria Z3 usa 240 kg de zinco por MWh armazenado, o que dá custo de matéria-prima de US$ 672 por MWh.
Por isso, o zinco oferece vantagem de 65% no custo de material em relação ao lítio carbonato, que está em US$ 9,80/kg em 2026.
Além disso, o Brasil produz 195 mil toneladas de zinco por ano, segundo a Agência Nacional de Mineração, com mina principal em Vazante-MG operada pela Nexa Resources.
Conforme a Nexa, a Mina Vazante exporta zinco para Estados Unidos, México e Argentina e abastece indústrias de baterias e galvanização de aço.
Phoenix, Reno, Houston e Atlanta: as 4 próximas baterias da a empresa até 2028
A empresa planeja construir mais 4 baterias de 1 GWh em 4 estados americanos até 2028.
As próximas instalações ficam em Phoenix (Arizona), Reno (Nevada), Houston (Texas) e Atlanta (Georgia).
Conforme Mastrangelo, o investimento total dos 5 sites soma US$ 3,5 bilhões em 4 anos.
Por isso, a Eos vai sair de US$ 60 milhões em receita anual (2025) para US$ 1,4 bilhão projetado em 2030.

A construção da Eos em Mojave deve ficar pronta em dezembro de 2027.
Porém, ambientalistas alertam que a extração de zinco precisa ser monitorada para evitar contaminação de água em minas americanas.
No entanto, conforme a empresa, 96% do zinco usado nas baterias é reciclável ao fim da vida útil, contra apenas 5% do lítio em baterias convencionais.
