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Entre guerra internacional, aumento do diesel e falta de trabalhadores, carne de porco entra em novo cenário no Brasil que pode frear consumo, elevar preços e mudar dinâmica do setor nos próximos meses

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 21/04/2026 às 18:03
Atualizado em 21/04/2026 às 18:13
Cortes de carne de porco com caminhão de transporte, fábrica, silos e bomba de diesel ao fundo
Cadeia da carne de porco é impactada por aumento do diesel, logística mais cara e custos industriais em alta
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Expectativa de crescimento no consumo de carne suína em 2026 perde força diante de custos elevados, conflitos internacionais e desafios operacionais no setor produtivo

Desde o início de 2026, o mercado de carne suína no Brasil projetava crescimento consistente.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a estimativa inicial apontava aumento de 2,5% no consumo per capita, alcançando cerca de 19,5 kg por habitante.

No entanto, ao longo dos primeiros meses do ano, o cenário mudou.

Isso ocorreu porque o avanço das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã alterou o ambiente global.

Além disso, o possível fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por aproximadamente 20% do petróleo mundial, pressionou os preços dos combustíveis.

Alta do diesel pressiona custos e gera cautela no campo

Diante desse cenário, o aumento do diesel passou a preocupar o setor produtivo.

De acordo com Nathália Rabelo, analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, os impactos ainda são moderados.

No entanto, segundo ela, caso o conflito se prolongue, os custos poderão subir de forma mais intensa.

Além disso, fertilizantes importados também entram na equação.

Assim, os produtores adotam uma postura cautelosa diante das incertezas.

Enquanto isso, em Belo Horizonte, os preços já refletem essa pressão.

Segundo levantamento do Mercado Mineiro, divulgado com o aplicativo comOferta.com, o diesel subiu 6,44% em pouco mais de um mês.

Como resultado, o impacto atinge diretamente um estado com cerca de 12.290 propriedades suinícolas, principalmente no Triângulo Mineiro.

Em 2025, Minas Gerais registrou produção de 678 mil toneladas, crescimento de 11% sobre 2024.

Ainda assim, não há projeção consolidada para o cenário atual.

Indústria já sente impacto e reajustes começam a surgir

Por outro lado, a indústria já percebe efeitos mais imediatos.

Segundo Elias José Zydek, presidente da Frimesa, os custos aumentaram rapidamente.

Inicialmente, os fretes subiram 7%, representando 6% da estrutura de custos.

Além disso, as embalagens plásticas registraram alta de 25%, com peso de 10% nos custos totais.

Dessa forma, o impacto direto chega a 3% de aumento nos preços finais.

Alta do diesel e custos logísticos pressionam a carne de porco, enquanto consumidor acompanha mudanças nos preços no balcão do açougue.

Ao mesmo tempo, a ABPA aponta que os fretes rodoviários cresceram até 20%.

Além disso, embalagens tiveram aumento de até 30%.

Consequentemente, o setor já considera repassar esses custos ao consumidor.

Vale destacar que, até então, a carne suína vinha em queda.

No último mês, houve redução de 1,21%, enquanto no acumulado de 12 meses a queda foi de 1,62%.

Falta de mão de obra limita expansão das operações

Além dos custos, outro desafio ganha força: a escassez de trabalhadores.

Nesse contexto, a cooperativa Suinco, localizada em Patos de Minas, enfrenta dificuldades para expandir.

Atualmente, a empresa conta com 1.500 colaboradores, mas precisa de mais 150 profissionais.

Segundo Bruno César, gerente comercial, essa limitação afetou o crescimento em 2025.

No período, a produção foi de 55 mil toneladas.

Para 2026, a expectativa ainda é de crescimento de 10%, mesmo com os desafios.

Segmento de snacks cresce e mantém expectativa positiva

Em contrapartida, nem todos os segmentos enfrentam retração.

A Rudolph Snacks, empresa do grupo Rudolph Foods Company, mantém projeções otimistas.

Entre 2024 e 2025, a companhia cresceu 27%.

Além disso, projeta aumento de 23% em 2026.

Segundo Raphael Guedes Mattos, gerente comercial, fatores como mais feriados e a Copa do Mundo impulsionam o consumo.

Assim, produtos como torresmos e pururucas ganham destaque por serem práticos e associados ao lazer.

Diante desse cenário, entre pressões globais, custos crescentes e desafios operacionais, o mercado de carne suína segue em transformação — mas será que o consumidor brasileiro está preparado para sentir esses impactos no dia a dia?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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