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Enquanto outros países disputam terras para gerar energia e ampliar suas cidades, a Holanda transforma barreiras acústicas de rodovias em usinas solares para produzir eletricidade sem ocupar novas áreas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/05/2026 às 14:07
Atualizado em 11/05/2026 às 14:14
Holanda transforma barreiras acústicas de rodovias em usinas solares para gerar energia limpa sem ocupar novas áreas.
Holanda transforma barreiras acústicas de rodovias em usinas solares para gerar energia limpa sem ocupar novas áreas.
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Estruturas criadas para reduzir ruído nas rodovias holandesas passaram a gerar energia solar sem ocupar novos terrenos, em uma solução que combina infraestrutura viária, produção renovável e uso inteligente do espaço urbano já existente.

Estruturas criadas originalmente para reduzir o ruído do tráfego passaram a desempenhar uma nova função na Holanda: gerar eletricidade solar sem exigir a ocupação de novos terrenos para instalação de usinas fotovoltaicas.

Dentro dessa estratégia, o projeto Solar Highways, desenvolvido pela Rijkswaterstaat, agência responsável pela infraestrutura pública holandesa, transformou barreiras acústicas de rodovias em superfícies capazes de produzir energia renovável.

A aplicação mais conhecida foi instalada ao longo da rodovia A50, na região de Uden, no lado leste da pista e ao norte da saída de Volkel, onde o muro acústico passou a integrar painéis solares à própria estrutura.

Embora continue exercendo a função de reduzir o impacto sonoro do trânsito sobre áreas vizinhas, a barreira agora também injeta eletricidade renovável na rede por meio dos módulos integrados ao sistema de contenção.

Com 400 metros de extensão, cinco metros de altura e cerca de 1.600 metros quadrados de painéis solares, o projeto foi concebido para avaliar a viabilidade técnica e econômica desse tipo de aplicação em infraestrutura rodoviária.

Holanda transforma barreiras acústicas de rodovias em usinas solares para gerar energia limpa sem ocupar novas áreas.
Holanda transforma barreiras acústicas de rodovias em usinas solares para gerar energia limpa sem ocupar novas áreas.

Na prática, a lógica adotada é simples: se a estrada já necessita de proteção acústica permanente, a mesma estrutura pode assumir uma função energética sem ampliar a disputa pelo uso do solo.

Barreira acústica com energia solar ganha espaço na Holanda

O modelo ganhou relevância por enfrentar um dos principais obstáculos da expansão solar em países densamente ocupados, onde grandes usinas fotovoltaicas frequentemente disputam espaço com agricultura, moradia e áreas de preservação ambiental.

Ao longo da A50, porém, a geração elétrica foi incorporada a uma estrutura já presente na paisagem rodoviária, evitando a necessidade de converter novos terrenos para produção de energia renovável.

Em vez de ocupar áreas livres, a solução aproveitou uma barreira acústica indispensável para a rodovia e acrescentou a ela uma segunda utilidade sem alterar sua função original.

Além disso, a experiência passou a ampliar a discussão sobre o uso de superfícies urbanas e viárias que normalmente são vistas apenas como elementos auxiliares da infraestrutura de transporte.

Muros acústicos, acostamentos, taludes e faixas de domínio podem ganhar relevância no planejamento energético quando recebem sistemas de geração distribuída integrados à própria estrutura física.

Painéis solares bifaciais aumentam eficiência da estrutura

A barreira solar holandesa utiliza painéis bifaciais, capazes de produzir eletricidade pelos dois lados.

Essa característica é importante em estruturas verticais, pois permite captar luz tanto na face frontal quanto na traseira, de acordo com a incidência solar e o reflexo do ambiente ao longo do dia.

Segundo a Rijkswaterstaat, o Solar Highways investigou justamente a integração de painéis de dupla face a barreiras acústicas em rodovias.

O objetivo era entender se esse tipo de construção poderia combinar desempenho energético, redução de ruído e manutenção adequada em condições reais de uso.

A construção começou em 2018 e foi concluída em fevereiro de 2019.

Desde então, a barreira passou a operar como demonstração prática de uma infraestrutura pública com dupla finalidade, reunindo proteção sonora e geração de eletricidade renovável no mesmo espaço físico.

Projeto da rodovia A50 passou por monitoramento técnico

Holanda transforma barreiras acústicas de rodovias em usinas solares para gerar energia limpa sem ocupar novas áreas.
Holanda transforma barreiras acústicas de rodovias em usinas solares para gerar energia limpa sem ocupar novas áreas.

O projeto foi acompanhado por um período de monitoramento de 18 meses, entre janeiro de 2019 e junho de 2020.

Nesse intervalo, a barreira produziu 325,5 MWh de eletricidade solar, o equivalente a cerca de 220 MWh por ano, conforme dados do programa europeu LIFE.

Essa produção é suficiente para abastecer aproximadamente 60 a 70 residências, segundo o relatório do projeto.

A própria Rijkswaterstaat também informa que a barreira pode fornecer eletricidade verde local para cerca de 40 a 60 casas, diferença ligada aos critérios usados em cada estimativa de consumo.

O acompanhamento técnico avaliou parâmetros de operação, cenários de manutenção e efeitos de limpeza sobre o desempenho energético.

Os dados coletados serviram para atualizar modelos técnicos e financeiros, além de orientar eventuais aplicações semelhantes em rodovias municipais, provinciais, regionais e até no setor ferroviário.

Infraestrutura rodoviária ganha nova função energética

Os resultados do monitoramento confirmaram o potencial da integração entre infraestrutura rodoviária e geração solar, embora os dados também tenham revelado desafios ligados ao custo e ao desempenho esperado inicialmente.

Segundo o relatório do programa LIFE, a produção energética ficou abaixo das projeções originais, enquanto os custos de capital superaram as estimativas iniciais devido a despesas relacionadas à execução contratual do projeto.

Mesmo assim, a experiência gerou recomendações técnicas voltadas à redução de custos e ao aprimoramento da eficiência em futuras aplicações semelhantes em rodovias e outras estruturas públicas.

Entre as conclusões registradas pelos responsáveis pelo monitoramento, uma delas apontou que a limpeza dos painéis não apresentou impacto mensurável no desempenho energético da barreira solar.

Holanda transforma barreiras acústicas de rodovias em usinas solares para gerar energia limpa sem ocupar novas áreas.
Holanda transforma barreiras acústicas de rodovias em usinas solares para gerar energia limpa sem ocupar novas áreas.

Projetada para operar durante aproximadamente 30 anos, a estrutura também passou a servir como referência para estudos sobre durabilidade dos módulos e custos de manutenção ao longo do ciclo de vida.

Com isso, o projeto deixou de ser apenas uma vitrine tecnológica e passou a fornecer parâmetros técnicos para avaliações futuras envolvendo geração solar integrada à infraestrutura viária.

Uso inteligente do espaço impulsiona energia renovável

A barreira da A50 faz parte de um conjunto maior de medidas de redução de ruído no trecho entre Sint-Oedenrode e o entroncamento de Paalgraven.

Nesse contexto, a geração solar não substituiu a finalidade acústica da obra, mas acrescentou valor a uma intervenção que já seria necessária para proteger áreas vizinhas.

Esse tipo de solução não tem a escala de grandes parques solares, mas oferece uma alternativa complementar para ampliar a produção renovável.

Ao distribuir painéis por superfícies já ocupadas, o sistema reduz conflitos pelo uso da terra e aproxima a geração elétrica de estruturas existentes no cotidiano urbano e rodoviário.

Para países que enfrentam pressão por energia limpa e restrição de espaço, a experiência holandesa mostra que parte da transição energética pode ocorrer em locais pouco considerados.

Barreiras contra ruído, fachadas, coberturas, estacionamentos e outras superfícies construídas podem ampliar a oferta solar sem deslocar atividades essenciais.

A relevância do Solar Highways está menos no volume absoluto de eletricidade produzido e mais na demonstração de um princípio de planejamento.

Infraestruturas públicas podem deixar de cumprir uma única função quando são pensadas para combinar mobilidade, proteção ambiental, qualidade de vida e geração de energia.

Na A50, o muro que reduz o som dos veículos também injeta eletricidade renovável na rede. A solução mantém a rodovia em operação, preserva a função acústica da barreira e transforma uma superfície antes passiva em parte ativa da matriz energética.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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