Luminária de casca de ovo criada por Joanne Odisho usa resíduos triturados, biopolímero biodegradável e blocos que podem ser reorganizados.
Cascas descartadas por cafés de Melbourne, na Austrália, passaram a integrar uma peça de iluminação capaz de mudar de forma conforme o ambiente. Criada pela designer Joanne Odisho, a luminária de casca de ovo Mod-u é formada por blocos móveis que podem ser empilhados, girados e desmontados pelo usuário.
O projeto combina reaproveitamento de resíduos alimentares com um processo de fabricação que não exige queima em fornos nem aplicação de corantes sintéticos. Depois de trituradas e misturadas a um biopolímero biodegradável, as cascas originam um composto com aparência semelhante à pedra.
A solução rendeu à criação o Australian Furniture Design Award, reconhecimento ligado à união entre sustentabilidade, interação e adaptação a espaços compactos.
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Luminária de casca de ovo nasceu de um desafio universitário
A Mod-u começou a ser desenvolvida em 2022, durante a formação de Joanne Odisho em design de móveis na RMIT University.
Na atividade acadêmica, os estudantes receberam a tarefa de produzir um objeto a partir de restos de alimentos. A proposta levou Odisho a analisar materiais que fossem descartados com frequência e que pudessem receber uma aplicação diferente.
As cascas de ovos se destacaram por serem abundantes e, normalmente, seguirem diretamente para o lixo depois do uso na cozinha.
A partir dessa escolha, a designer passou a testar uma forma de transformar o resíduo em uma matéria-prima resistente, moldável e visualmente adequada para objetos decorativos.
Cascas são coletadas em cafés de Melbourne
A matéria-prima utilizada na Mod-u vem de estabelecimentos da própria cidade.
Depois de recolhidas, as cascas passam por esterilização e secagem. Em seguida, são moídas até atingir a textura de um pó fino.
Esse material é combinado com um biopolímero biodegradável. A mistura resultante permanece úmida e apresenta consistência comparável à areia molhada, o que permite sua aplicação em moldes.
A produção utiliza as tonalidades originais das cascas, sem depender de pigmentos artificiais para definir o acabamento da peça.

Luminária de casca de ovo seca naturalmente por uma semana
Depois de colocada nos moldes, a mistura precisa permanecer em secagem natural durante aproximadamente sete dias.
A etapa substitui processos industriais que utilizariam temperaturas elevadas para endurecer o material. Como não há queima em fornos, a fabricação evita uma fase de consumo energético intenso.
Ao final da cura, o composto ganha firmeza e passa a lembrar pedra tanto na aparência quanto na textura.
As pequenas variações de tom presentes nas cascas continuam visíveis, fazendo com que cada bloco apresente características próprias.
Como o material da Mod-u é produzido
- as cascas são recolhidas em cafés;
- o resíduo passa por limpeza, esterilização e secagem;
- as cascas são trituradas até virarem pó;
- o pó é misturado a um biopolímero biodegradável;
- o composto úmido é colocado em moldes;
- as peças secam naturalmente por cerca de uma semana;
- os blocos endurecidos são usados na montagem da luminária.
Blocos lembram pequenos apartamentos iluminados
Visualmente, a Mod-u se aproxima de uma construção em miniatura. Os módulos geométricos empilhados lembram os volumes de um edifício, enquanto os pontos de luz dão a impressão de janelas acesas.
A aparência arquitetônica, no entanto, não define uma forma permanente. A peça pode ser modificada sempre que o usuário desejar. Cada bloco funciona como uma unidade independente. Ao mudar sua posição, é possível alterar a altura, o volume e a distribuição da luz.
A coleção é formada por dezenas de módulos que não precisam permanecer em uma configuração fixa. Os elementos podem ser movimentados individualmente, permitindo que a luminária de casca de ovo acompanhe mudanças de espaço, decoração ou preferência pessoal.
Dependendo da montagem, a Mod-u pode funcionar como:
- abajur para mesa;
- luminária de piso;
- objeto de iluminação com menor altura;
- escultura decorativa;
- composição modular personalizada.
Essa flexibilidade foi pensada especialmente para interiores compactos, nos quais um mesmo objeto pode precisar exercer mais de uma função.
Em vez de substituir a peça quando o ambiente muda, o usuário pode reorganizá-la e criar uma nova configuração.

Prêmio reconheceu sustentabilidade e adaptação
A escolha das cascas como matéria-prima foi um dos aspectos avaliados no Australian Furniture Design Award, mas não foi o único. A capacidade de montar, desmontar e reinventar a luminária também chamou a atenção dos jurados.
A peça não entrega apenas uma solução de iluminação pronta. Ela permite que o usuário participe do desenho, fazendo alterações conforme o espaço disponível ou o efeito visual desejado.
Essa combinação entre redução de resíduos e uso interativo ajudou a diferenciar o trabalho de Odisho de objetos com formatos permanentes.
Jogos de montar inspiraram o conceito da Mod-u
A designer relaciona a criação às experiências lúdicas da infância. Antes do contato com conhecimentos formais de arquitetura ou design, crianças já experimentam encaixar, empilhar e reorganizar peças para criar novas estruturas.
“Muito antes de aprendermos sobre design ou arquitetura, já explorávamos a ideia de construir, empilhar e reorganizar objetos de forma intuitiva”, afirma Joanne Odisho.
Segundo ela, a Mod-u recupera essa memória e convida as pessoas a participar criativamente da iluminação. A referência aos jogos de montar aparece tanto na liberdade de combinação quanto na possibilidade de desmontar tudo e recomeçar.
O projeto altera a percepção comum sobre as cascas de ovos. Depois do processamento, o material deixa de apresentar o aspecto frágil associado ao resíduo doméstico e passa a formar blocos sólidos, adequados para uma peça de mobiliário.
A ausência de corantes preserva a identidade da matéria-prima, enquanto o acabamento semelhante à pedra ajuda a inserir o objeto em diferentes propostas de decoração.
Assim, a luminária de casca de ovo não tenta esconder completamente a origem do composto. O material reaproveitado permanece como parte central da estética e da história da peça.
Mod-u une descarte, criatividade e funcionalidade
A criação de Joanne Odisho começou com uma pergunta acadêmica sobre o destino dos restos de alimentos e resultou em uma peça premiada de design.
As cascas recolhidas nos cafés deixam de ser descartadas, passam por um processo de baixa demanda energética e retornam em forma de módulos resistentes.
Ao mesmo tempo, o usuário pode mudar a luminária sem precisar comprar um novo objeto para cada função ou ambiente.
Com blocos que se transformam em abajur, luminária de piso ou elemento decorativo, a luminária de casca de ovo mostra como um resíduo cotidiano pode originar um produto adaptável, interativo e visualmente marcante.
Com informações do Ciclo Vivo
