Quatro grandes PPPs de saneamento podem ir a leilão em 2026 e mudar a escala das concessões no país. Os projetos somam R$ 20,3 bilhões, atingem 477 municípios e podem marcar o maior volume de ofertas desde o marco legal de 2020.
Quatro grandes PPPs de saneamento podem chegar ao mercado em 2026 com potencial de mudar a escala das concessões no país. Juntos, os projetos somam R$ 20,3 bilhões em investimentos previstos e devem atender 477 municípios, número que coloca o próximo ano na rota de ser o mais forte para esse tipo de leilão desde o marco legal de 2020.
Os dados, levantados pela Abcon e divulgados à agenciainfra.com, mostram uma possível virada importante no setor. Se os projetos saírem do papel, o volume previsto mais que dobrará tudo o que foi contratado nas PPPs de saneamento nos últimos seis anos.
Desde 2020, foram apenas seis projetos de PPPs levados a leilão, com R$ 17,3 bilhões em investimentos contratados e atendimento a 264 cidades. Agora, só os quatro projetos em preparação já superam esse montante e ampliam de forma relevante o alcance regional das operações.
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Goiás liderou a fila com leilão em março
A modelagem mais avançada é a de Goiás, onde o certame foi marcado para 25 de março. O projeto da Saneago prevê uma concessão administrativa voltada ao esgotamento sanitário em 216 municípios, divididos em três blocos, com investimentos de R$ 6,3 bilhões.
O edital foi publicado no dia 22 e a estrutura foi desenhada pela Seinfra em conjunto com a Saneago, com estruturação do BNDES. O critério de escolha dos vencedores será o de menor valor de contraprestação pública.
Na prática, esse tipo de desenho preserva a atuação da estatal no abastecimento de água e transfere ao parceiro privado a coleta e o tratamento de esgoto, área que costuma concentrar os maiores déficits de investimento.
PPP virou aposta para acelerar esgoto e segurar a tarifa
A Abcon avalia que 2026 pode ser o “ano das PPPs” por dois motivos centrais. Um deles é a mudança regulatória feita em 2023, quando o governo retirou a trava que limitava em 25% a subdelegação dos contratos pelas prestadoras de saneamento.
Essa trava estava no marco legal de 2020. À época, o governo Bolsonaro defendia a restrição sob o argumento de evitar sobreposição de estruturas e ineficiências nas estatais. Já a gestão petista decidiu rever a regra e abriu caminho para que os estados ampliem a adoção desse modelo.
Outro ponto observado pelo setor é a tarifa. Como os leilões têm priorizado propostas com menor contraprestação pública, a leitura atual é de que as PPPs podem reduzir pressão direta sobre o valor final pago pelo usuário, embora cada modelagem dependa da regulação local.
Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte completam o pacote
Além de Goiás, outros três projetos aparecem no radar da associação para 2026. No Ceará, a consulta pública já foi encerrada e a proposta cobre o esgoto de 128 municípios, com R$ 6,9 bilhões em investimentos.
Na Paraíba, a modelagem segue em consulta pública, com meta de alcançar 85 cidades e movimentar R$ 3,1 bilhões. Já no Rio Grande do Norte, o estudo ainda está em desenvolvimento, mas a expectativa é de atender 48 municípios e gerar R$ 4,1 bilhões em aportes.
Somados, os quatro projetos de PPPs podem atender 477 municípios e alcançar R$ 20,3 bilhões em investimentos. A conta reforça a dimensão do movimento que o setor espera ver em 2026, especialmente na área de esgotamento sanitário.
O setor ainda tem concessões e privatização no radar
A lista da Abcon para 2026 inclui ainda dois grandes projetos de concessão: o bloco D de Alagoas, com água e esgoto em 21 cidades, e Rondônia, também para água e esgoto, com 45 municípios e R$ 4,9 bilhões em investimentos previstos. No total, essas seis modelagens destacadas pela entidade chegam a 543 cidades e 10,992 milhões de pessoas atendidas, com R$ 27,5 bilhões em recursos.
O setor também acompanha a possível desestatização da Copasa, em Minas Gerais, após a sanção da lei que permite a venda do controle da estatal. Em paralelo, dezembro já fechou com o leilão de dois blocos de saneamento de Pernambuco, vencidos pela gestora Pátria e pelo consórcio Pernambuco Saneamento, formado por BRK e Acciona.
Desde 2020, a Abcon contabiliza 62 certames no setor, com R$ 200 bilhões em investimentos contratados e R$ 61,4 bilhões arrecadados em outorga ou lance. Os números mostram que o saneamento entrou de vez na disputa por grandes ativos e que 2026 pode consolidar uma nova fase para as PPPs no país. Se o ritmo se confirmar, o mercado deve entrar no próximo ano com uma agenda cheia e disputas ainda mais pesadas. Conte nos comentários o que você acha dessa expansão e compartilhe a matéria com quem acompanha o setor.
