As maiores empresas de petróleo, os grandes bancos de Wall Street e o setor de defesa acumularam dezenas de bilhões em lucro nos três primeiros meses de 2026, impulsionados pela guerra no Irã, pelo fechamento do estreito de Ormuz e pelo volume recorde de trading nos mercados financeiros globais.
Segundo o BBC, a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está redistribuindo riqueza em escala planetária, e as empresas que operam nos setores de energia, finanças e defesa são as maiores beneficiárias dessa redistribuição. Enquanto famílias ao redor do mundo enfrentam aumento no custo de vida e governos lidam com orçamentos pressionados pela alta da energia, gigantes do petróleo, bancos de investimento e fabricantes de armamentos registraram lucro recorde no primeiro trimestre de 2026, alimentados pela instabilidade de preços, pelo volume explosivo de trading e pela corrida global por rearmamento.
O fechamento do estreito de Ormuz pelos iranianos interrompeu o trânsito de aproximadamente 20% do petróleo e do gás transportados no mundo, detonando uma montanha-russa de oscilações nos mercados de energia. Essa volatilidade, que para consumidores significa gasolina mais cara e inflação crescente, representou para certas empresas a oportunidade perfeita de multiplicar ganhos. O primeiro trimestre de 2026 consolidou uma divisão nítida: de um lado, populações que pagam o preço da guerra; do outro, corporações que contabilizam lucro em patamares históricos.
Petróleo e gás: o lucro que mais do que dobrou

As empresas do setor de petróleo e gás foram as primeiras a colher os frutos da crise. As gigantes europeias, em particular, se destacaram porque mantêm divisões especializadas em trading de commodities que prosperam em cenários de forte oscilação de preços. A BP viu seu lucro mais do que dobrar no primeiro trimestre, atingindo 3,2 bilhões de dólares, resultado que a própria companhia classificou como excepcional e atribuiu diretamente ao desempenho da área de compra e venda de ativos energéticos.
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A Shell superou as projeções dos analistas e reportou lucro de 6,92 bilhões de dólares no mesmo período. A TotalEnergies, outra gigante do setor, registrou salto de quase um terço nos ganhos, alcançando 5,4 bilhões de dólares, impulsionada pela volatilidade nos mercados de petróleo e energia. Já as americanas ExxonMobil e Chevron tiveram queda nos ganhos em comparação com o ano anterior, reflexo da interrupção no fornecimento oriundo do Oriente Médio, mas ainda assim superaram as expectativas de mercado e projetam crescimento do lucro ao longo de 2026, com os preços do barril ainda significativamente acima dos níveis anteriores à guerra.
Bancos de Wall Street e o volume recorde de trading

Se o petróleo foi o combustível da crise, o trading foi o motor que transformou volatilidade em lucro para os grandes bancos globais. A receita de trading do JP Morgan atingiu o patamar recorde de 11,6 bilhões de dólares, resultado que ajudou o banco a registrar o segundo maior lucro trimestral de toda a sua história. O cenário de incerteza provocado pela guerra no Irã criou um fluxo intenso de operações financeiras: investidores correram para vender ações e títulos de maior risco e realocar capital em ativos considerados mais seguros.
O desempenho não se limitou ao JP Morgan. Os seis maiores bancos dos Estados Unidos, grupo que inclui Bank of America, Morgan Stanley, Citigroup, Goldman Sachs e Wells Fargo, acumularam juntos 47,7 bilhões de dólares em lucro nos três primeiros meses de 2026. As empresas que mais se beneficiaram dentro desse grupo foram o Morgan Stanley e o Goldman Sachs, segundo a estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club, Susannah Streeter. Para ela, a volatilidade desencadeada pela guerra gerou um pico de trading em que alguns investidores venderam posições por medo da escalada do conflito, enquanto outros compraram ativos desvalorizados apostando na recuperação, e ambos os movimentos alimentaram as receitas dos bancos.
Setor de defesa: pedidos recordes e estoques a reabastecer
O conflito armado gera demanda imediata por equipamento militar, e as empresas de defesa são beneficiárias diretas dessa dinâmica. A analista sênior da consultoria RMS UK, Emily Sawicz, destaca que a guerra reforçou lacunas na capacidade de defesa aérea e acelerou investimentos em sistemas antimísseis, equipamentos de combate a drones e material bélico em toda a Europa e nos Estados Unidos. Governos precisam reabastecer estoques de armas consumidos pelo conflito, e essa necessidade se traduz em encomendas bilionárias para as fabricantes.
A BAE Systems, que produz componentes dos jatos de combate F-35, declarou que espera forte crescimento de vendas e lucro em 2026, citando o aumento das ameaças de segurança globais como motor da demanda. As três maiores fornecedoras do setor nos Estados Unidos, Lockheed Martin, Boeing e Northrop Grumman, encerraram o primeiro trimestre com atrasos recordes na entrega de pedidos, sinal de que as empresas de defesa enfrentam mais demanda do que conseguem atender. Apesar disso, as ações do setor recuam desde meados de março em meio a temores de que os preços possam estar supervalorizados após anos consecutivos de alta acentuada.
Energia renovável: o impulso inesperado da guerra
A guerra no Irã produziu um efeito colateral que poucos antecipavam: acelerou o interesse por fontes de energia renovável. Segundo Streeter, o conflito evidenciou a necessidade de diversificar a matriz energética e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, o que potencializou os investimentos no setor verde, inclusive nos Estados Unidos, onde o governo Trump promoveu ativamente o uso de combustíveis fósseis com o slogan “perfurar, baby, perfurar”.
As empresas do setor renovável responderam com números concretos. A NextEra Energy, da Flórida, viu suas ações se valorizarem 17% no acumulado do ano. As dinamarquesas Vestas e Orsted, referências globais em energia eólica, reportaram aumento de lucro. No Reino Unido, a Octopus Energy declarou que a guerra trouxe enorme impulso para a venda de painéis solares e bombas de calor, com crescimento de 50% nas vendas de placas solares desde o final de fevereiro. A alta da gasolina também elevou a demanda por veículos elétricos, e os fabricantes chineses estão capturando boa parte desse mercado crescente, demonstrando que as empresas que apostam em energia limpa encontraram na crise uma janela de aceleração que antes parecia distante.
E você, o que pensa sobre empresas que registram lucro recorde enquanto famílias pagam o custo da guerra? O trading financeiro deveria ter limites em tempos de conflito, ou o mercado de petróleo e energia simplesmente segue suas próprias regras? Deixe seu comentário e diga se a guerra no Irã está acelerando ou atrasando a transição energética global.

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