Miura 5 é o foguete reutilizável da espanhola PLD Space, terá base em Kourou e mira até 30 lançamentos por ano para pequenos satélites.
Enquanto Estados Unidos e China disputam o domínio da próxima geração de lançadores orbitais, uma empresa espanhola tenta construir um caminho alternativo para a Europa não depender totalmente de gigantes estrangeiros. O projeto se chama Miura 5, um foguete orbital parcialmente reutilizável desenvolvido pela PLD Space para lançar pequenos satélites e disputar um mercado que cresce rapidamente com constelações de observação da Terra, comunicações e defesa.
O objetivo não é competir diretamente com os megafoguetes da SpaceX ou com veículos pesados chineses. A aposta da empresa é diferente: criar um sistema europeu mais flexível para cargas menores, com recuperação do primeiro estágio e operação a partir do Centro Espacial da Guiana Francesa, em Kourou, uma das bases espaciais mais estratégicas do planeta.
Miura 5 nasceu depois do Miura 1 e virou a principal aposta orbital da PLD Space
A PLD Space foi fundada na Espanha com foco em veículos reutilizáveis de menor porte. O primeiro passo foi o Miura 1, foguete suborbital que permitiu validar tecnologias de propulsão, navegação e recuperação.
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Com a experiência acumulada, a empresa avançou para o Miura 5, um lançador orbital de dois estágios projetado para colocar pequenos satélites em órbita sem depender de veículos muito maiores.
Segundo a própria PLD Space, o Miura 5 foi concebido para realizar missões dedicadas ou compartilhadas para cargas pequenas, reduzindo riscos de cronograma normalmente associados a foguetes médios e pesados.
Foguete reutilizável tenta colocar a Espanha em um setor dominado por poucos países
O aspecto mais importante do Miura 5 está na reutilização. A PLD Space afirma que o primeiro estágio foi projetado para ser recuperado após o lançamento, utilizando uma combinação de sistemas de frenagem, paraquedas e operações de recuperação marítima.
A reutilização não ocorre no mesmo nível operacional da SpaceX, mas representa uma tentativa europeia de reduzir custos e aumentar a frequência de lançamentos.
A ESA também destaca que o primeiro estágio deverá ser recuperado para reutilização em missões futuras, uma característica ainda rara entre os novos microlançadores europeus.
Kourou virou peça central da estratégia espanhola para chegar ao espaço
Um dos movimentos mais importantes da PLD Space foi garantir infraestrutura dentro do Centro Espacial da Guiana Francesa.
A empresa anunciou investimento de 10 milhões de euros para construir seu complexo de lançamento no espaçoporto europeu localizado em Kourou.

O projeto inclui áreas de preparação, integração e lançamento dentro da zona ELM-Diamant, local histórico associado às tentativas europeias de acesso independente ao espaço.
Segundo a companhia, a meta é se tornar a primeira operadora privada não institucional a colocar um foguete orbital em voo a partir dessa área da base espacial europeia.
Europa tenta recuperar autonomia espacial após crise dos lançamentos russos
A corrida pelo Miura 5 ganhou importância adicional depois da ruptura entre Europa e Rússia. Durante anos, lançamentos europeus utilizaram foguetes Soyuz operados a partir da Guiana Francesa. Com o encerramento dessa cooperação, o continente passou a enfrentar pressão crescente para reconstruir capacidade própria de acesso ao espaço.
É nesse cenário que empresas como PLD Space, Isar Aerospace, Rocket Factory Augsburg e MaiaSpace tentam ocupar espaço.
O Miura 5 surge como uma das iniciativas privadas mais avançadas dentro dessa estratégia de autonomia orbital europeia.
Empresa projeta até 30 lançamentos por ano e expansão industrial acelerada
A PLD Space afirma que pretende escalar rapidamente sua operação. A companhia declarou que o Miura 5 foi concebido para atingir até 30 lançamentos anuais, utilizando diferentes bases espaciais e ampliando a capacidade industrial ao longo da década.
Documentos divulgados pela empresa mostram expansão das instalações de testes na Espanha, construção de infraestrutura em Kourou e desenvolvimento simultâneo de múltiplas unidades de qualificação do foguete.
A estratégia segue um modelo parecido com o adotado por empresas espaciais privadas modernas: testar rapidamente, produzir internamente componentes críticos e acelerar ciclos de desenvolvimento.
Mercado de pequenos satélites virou alvo de uma disputa bilionária
O crescimento do setor de satélites leves é um dos motivos que explicam o surgimento de projetos como o Miura 5.
Universidades, empresas privadas, governos e forças armadas passaram a lançar quantidades cada vez maiores de pequenos satélites para monitoramento terrestre, internet, meteorologia, sensoriamento remoto e comunicações.
Nesse mercado, a flexibilidade de lançamento se tornou tão importante quanto a capacidade de carga. A PLD Space aposta justamente nesse nicho, oferecendo missões dedicadas para cargas menores sem depender de grandes foguetes compartilhados.
Miura 5 também virou plataforma para projetos espaciais maiores
O foguete não representa apenas uma missão comercial. A empresa já apresentou conceitos futuros como o Miura Next e variantes mais pesadas reutilizáveis, mostrando ambição de expandir significativamente sua capacidade orbital na próxima década.
Entre os conceitos divulgados aparecem veículos capazes de transportar mais de 10 toneladas para órbita baixa reutilizável e até sistemas associados a futuras cápsulas espaciais.
Embora esses projetos ainda estejam em desenvolvimento e não representem capacidade operacional atual, eles mostram que a PLD Space enxerga o Miura 5 como apenas o primeiro passo de uma estratégia muito maior.
Ficha técnica do Miura 5
- Empresa: PLD Space (Espanha)
- Categoria: lançador orbital parcialmente reutilizável
- Configuração: dois estágios
- Altura: entre 34 e 35,7 metros, dependendo da configuração divulgada
- Diâmetro: 2 metros
- Combustível: LOX/RP-1 (oxigênio líquido e querosene)
- Motores do primeiro estágio: 5 motores TEPREL-C
- Motor do segundo estágio: 1 TEPREL-C Vacuum
- Capacidade para órbita baixa: até cerca de 1.000 kg, dependendo da missão e configuração divulgada
- Capacidade para órbita síncrona ao Sol: cerca de 540 kg segundo ESA e parceiros do programa
- Base principal planejada: Centro Espacial da Guiana Francesa (Kourou)
- Reutilização: recuperação planejada do primeiro estágio
- Meta operacional anunciada: até 30 lançamentos por ano


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