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Energia solar ganha novo impulso no Nordeste com programa federal que prioriza datacenters e hidrogênio verde

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Escrito por Rannyson Moura Publicado em 08/12/2025 às 20:52
O governo federal prepara um novo programa de energia solar no Nordeste, com prioridade de acesso à transmissão para datacenters e projetos de hidrogênio verde.
O governo federal prepara um novo programa de energia solar no Nordeste, com prioridade de acesso à transmissão para datacenters e projetos de hidrogênio verde.
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O governo federal prepara um novo programa de energia solar no Nordeste, com prioridade de acesso à transmissão para datacenters e projetos de hidrogênio verde.

A energia solar deve ocupar posição central em um novo programa que o governo federal pretende lançar nos próximos dias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar ainda nesta semana um decreto que cria um mecanismo específico para priorizar o acesso à infraestrutura de transmissão elétrica no Nordeste. 

A iniciativa mira, principalmente, grandes consumidores de energia, como datacenters e unidades de produção de hidrogênio verde.

O objetivo é claro. O governo quer aproximar o consumo da geração, aproveitando o potencial solar e eólico da região. Com isso, busca reduzir gargalos no sistema elétrico nacional e tornar a matriz mais eficiente.

Novo decreto acelera acesso à transmissão de energia solar

O texto em elaboração estabelece um rito acelerado para a conexão de grandes empreendimentos às linhas de transmissão. 

Na prática, isso permitirá que esses projetos avancem na fila hoje administrada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Esse modelo foi pensado como resposta direta ao crescimento acelerado da energia solar no Nordeste. Nos últimos anos, a expansão das usinas renováveis superou a capacidade de absorção do sistema, gerando novos desafios operacionais.

Sobras de energia e os chamados apagões reversos

O avanço da energia solar e eólica trouxe um fenômeno conhecido como apagões reversos. Eles acontecem quando há excesso de geração durante o dia, especialmente no período em que a produção solar se estende até o início da noite.

Nesse momento, a geração fotovoltaica cai rapidamente. Como as hidrelétricas têm tempo de resposta maior para entrar em operação, o sistema pode enfrentar instabilidades. Em alguns casos, essas oscilações resultam em quedas de energia.

Para lidar com o problema, o ONS vem promovendo desligamentos programados de hidrelétricas e de outras fontes ao longo do dia. A medida ajuda a equilibrar o sistema, mas não elimina o risco completamente.

Consumo local pode aliviar pressão no sistema elétrico

Segundo a avaliação do governo, a criação de demanda local associada à energia solar pode reduzir significativamente o estresse sobre o sistema elétrico. A estimativa é de uma diminuição de até 4 gigawatts na pressão atual sobre a rede.

Ao atrair datacenters e fábricas de hidrogênio verde para perto dos polos de geração, o consumo passa a ocorrer no mesmo território onde a energia é produzida. Isso reduz a necessidade de longos fluxos de transmissão e melhora a estabilidade do sistema.

O decreto define que os pedidos de conexão feitos por datacenters, plantas de hidrogênio verde e outras atividades de grande porte deverão ser analisados em até dez meses. Durante esse período, os projetos terão prioridade na avaliação técnica.

Após essa fase inicial, o acesso às redes de transmissão passará a ser organizado por leilões periódicos. A previsão é de pelo menos dois certames por ano.

Leilões vão definir novas conexões à rede

Cada interessado deverá pagar uma taxa de participação e apresentar documentação técnica prévia. Serão selecionados os projetos que oferecerem maior valor pelo direito de conexão, sempre respeitando a capacidade de expansão da infraestrutura existente.

A receita arrecadada nesses leilões será usada para abater tarifas de energia, criando um efeito indireto de modicidade tarifária. Dessa forma, além de estimular a energia solar no Nordeste, o governo busca impactos positivos para todo o sistema elétrico nacional.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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