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993 escolas e 217 unidades de saúde na Amazônia ainda não têm energia elétrica — enquanto o Brasil entrou no Top 4 mundial em instalação de renováveis em 2024

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 06/05/2026 às 11:30 Atualizado em 06/05/2026 às 11:32
Parque de energia renovável no Nordeste brasileiro com turbinas eólicas e painéis solares no semiárido
O Brasil é o 3º país em capacidade renovável acumulada (204 GW) e o 4º em ritmo de expansão — com custos competitivos mundiais — IRENA, 2024
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Em 2024, o Brasil entrou no Top 4 mundial em instalação de renováveis, com custos iguais aos da China. No mesmo ano, o Programa Luz para Todos não atingiu suas metas em 6 dos 9 estados da Amazônia Legal — e 993 escolas e 217 postos de saúde da região ainda não têm energia elétrica.

A energia renovável Brasil alcançou o Top 4 mundial em 2024, segundo a IRENA.

Segundo a IRENA (Agência Internacional de Energia Renovável), o Brasil instalou mais capacidade renovável em 2024 do que quase todo o mundo.

A energia renovável Brasil atingiu a 3ª posição global em capacidade acumulada, com 204 GW instalados — e o país entrou no Top 4 em ritmo de expansão anual.

Contudo, o mesmo Brasil que compete com China, EUA e União Europeia em energia limpa ainda tem 425 mil famílias na Amazônia vivendo sem nenhum acesso à eletricidade.

Portanto, o paradoxo é real: o país exporta tecnologia verde enquanto não consegue conectar a rede à própria floresta.

Além disso.

o Programa Luz para Todos existe desde 2003 para universalizar o acesso à energia.

Contudo, falhou em atingir as metas em 6 dos 9 estados da Amazônia Legal em 2024, segundo o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

Após 21 anos de programa, ainda não chegou a todos.

A energia renovável Brasil no Top 4 mundial: os números da liderança

Parque de energia renovável Brasil com painéis solares e turbinas eólicas no Nordeste brasileiro
O Brasil é o 3º país em capacidade renovável acumulada (204 GW) e o 4º em expansão anual — com custos iguais aos da China — IRENA, 2024

A posição do Brasil no ranking global de renováveis não foi conquistada de repente. Em 2023, o país foi o 4º maior instalador de energia solar do mundo, adicionando quase 12 GW num único ano.

Em 2024, manteve o ritmo e ampliou a liderança.

Conforme a IRENA, os custos competitivos brasileiros impressionam: a energia eólica onshore custa US$ 30/MWh — o mesmo patamar da China. A energia solar fotovoltaica sai por US$ 48/MWh.

Esses valores fazem do Brasil um dos mercados mais competitivos do planeta em geração limpa.

Além disso, o setor gera riqueza.

Em 2024, o Brasil criou 323.800 empregos em energia solar em 2024 — superando os EUA pela primeira vez.

Com isso, ficou em 3º lugar global em solar, atrás apenas de China e Índia, conforme IRENA e OIT.

  • 3ª posição global em capacidade renovável acumulada (204 GW)
  • 4ª posição global em expansão anual de renováveis em 2024
  • 53 GW de solar instalado — 6ª posição em solar específico
  • US$ 30/MWh — custo da eólica onshore, igual à China
  • 323.800 empregos em solar — superou os EUA em 2024
  • 1,4 milhão de empregos totais no setor de renováveis

Em outras palavras, o Brasil construiu uma das matrizes renováveis mais baratas e mais empregadoras do planeta. Conforme a expansão global acelerou em 2024, o Brasil foi um dos países que mais puxaram esse crescimento.

O outro lado: 425 mil famílias amazônicas no escuro

Comunidade rural amazônica sem energia elétrica com casas à beira do rio e sem iluminação pública
Enquanto o Brasil lidera em capacidade renovável, 425 mil famílias na Amazônia ainda não têm acesso à eletricidade — Oeco.org.br / IEMA, 2024

O levantamento do portal Oeco.org.br, com base em dados do IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente), revela que a Amazônia Legal ainda concentra mais de 425 mil famílias sem energia elétrica.

Nesse sentido, o Brasil tem duas realidades paralelas: a da fronteira tecnológica e a da exclusão energética.

Segundo dados da ANEEL de julho de 2024, o déficit é preciso: são 70.495 domicílios, 993 escolas e 217 unidades de saúde na Amazônia sem conexão à rede elétrica.

Portanto, crianças estudam sem computadores, postos de saúde funcionam sem refrigeração de vacinas.

Da mesma forma, o Norte do Brasil concentra 52% de toda a população rural sem acesso à eletricidade do país, segundo o IBGE. Em outras regiões, o problema foi praticamente resolvido. Na Amazônia, ele persiste.

Consequentemente, o Programa Luz para Todos reservou R$ 4,3 bilhões para 2025 — o maior orçamento em 21 anos de programa.

Contudo, em 2024, não atingiu as metas em 6 dos 9 estados da Amazônia Legal, conforme apurou o IDEC.

O Luz para Todos: 21 anos e metas não cumpridas na Amazônia

O programa existe desde 2003. Em 21 anos, conectou milhões de brasileiros à rede elétrica. No entanto, as áreas remotas da Amazônia apresentam desafios logísticos que o modelo de distribuição convencional não resolve.

Comunidades ribeirinhas e indígenas vivem em locais que não têm estrada. A extensão de linha de distribuição convencional nesses casos seria inviável economicamente.

Portanto, a solução passa por sistemas solares isolados — tecnologia que o Brasil domina, mas que ainda não chegou a todos.

Ainda assim, o IDEC aponta que a questão vai além da logística. As regras de fornecimento para áreas remotas são inadequadas para a realidade das comunidades amazônicas.

Assim, o programa avança, mas o modelo precisa de adaptação estrutural para fechar o ciclo.

Irradiação solar abundante onde a rede ainda não chegou

O Brasil tem um recurso natural poderoso exatamente onde mais falta energia. A Amazônia e o Nordeste apresentam índices de irradiação solar entre os mais altos do planeta.

Portanto, a solução técnica existe: sistemas fotovoltaicos isolados são viáveis nessas regiões.

Além disso, o custo dessas instalações caiu mais de 80% na última década.

Conforme a IRENA, a energia solar saiu por US$ 48/MWh no Brasil em 2024 — competitivo o suficiente para iluminar escolas remotas sem conexão à rede.

O paradoxo da energia renovável: líder global e escolas sem luz

Mapa do Brasil destacando a Amazônia Legal com regiões sem acesso à energia elétrica em contraste com parques renováveis
O paradoxo energético brasileiro: matriz renovável de classe mundial convivendo com déficit de acesso em regiões remotas da Amazônia Legal

A expansão de renováveis no mundo acelerou de forma histórica em 2024. O Brasil foi protagonista desse movimento — com custos competitivos, volume de instalação e geração de empregos.

Por outro lado, a qualidade da energia para os que já têm acesso também é um desafio. Em 2025, os brasileiros ficaram em média 9,3 horas sem energia ao longo do ano, conforme a ANEEL.

O Nordeste e a Amazônia concentram os piores indicadores.

Dessa forma, o Brasil enfrenta um duplo desafio. O primeiro: continuar expandindo a capacidade renovável — onde já é líder.

O segundo: garantir que essa energia chegue às 993 escolas e 217 postos de saúde que ainda operam no escuro na Amazônia.

Porém, há uma ironia adicional: o Brasil tem energia solar abundante exatamente onde mais faltam conexões. A Amazônia e o Nordeste têm índices de irradiação solar entre os mais altos do planeta.

A solução técnica existe — o que falta é levar ao lugar certo.

Ainda assim, a pergunta persiste: um país Top 4 em renováveis consegue fechar o déficit de eletrificação que persiste há 21 anos na própria fronteira?

Nota: os dados de capacidade instalada são do relatório IRENA 2024. Déficit de acesso: ANEEL (jul/2024), IBGE (2022) e IDEC (2024).

O total de famílias sem acesso pode variar conforme a metodologia de cada fonte.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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