Em Vantaa, o armazenamento de energia térmica será feito com água quente guardada em três cavernas subterrâneas, uma reserva de 90 GWh de calor pensada para reforçar a rede de aquecimento urbano nos períodos mais frios e reduzir a necessidade de produzir energia no momento de maior consumo
Uma cidade da Finlândia está abrindo três cavernas sob a rocha para guardar 90 GWh de calor até 2030. Em Vantaa, o projeto Varanto usará armazenamento de energia térmica para transformar água quente em uma reserva que poderá atender à rede de aquecimento urbano quando o inverno elevar o consumo.
O Varanto está em fase de execução e tem operação prevista para 2030. As informações foram divulgadas por Vantaan Energia, empresa finlandesa responsável por energia e aquecimento urbano.
Na prática, o sistema não guardará eletricidade como uma bateria. Ele guardará calor, o que permite reservar energia produzida em outro momento e usar essa reserva quando houver mais necessidade de aquecer prédios e casas.
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Três cavernas gigantes vão virar uma reserva de água quente
O Varanto terá três cavernas subterrâneas escavadas na rocha de Vantaa. Cada espaço deve ter cerca de 20 metros de largura, 300 metros de comprimento e 40 metros de altura.
O conjunto terá 1,1 milhão de m³ de volume, incluindo as áreas necessárias para a operação. O fundo das cavernas deve ficar a 100 metros abaixo do solo, e a água quente preencherá a parte reservada ao armazenamento.
A pressão no interior do sistema permitirá que a água alcance até 140 graus Celsius sem ferver ou evaporar. Assim, uma grande quantidade de calor poderá ficar concentrada no subsolo, onde será usada mais tarde.
Armazenamento de energia térmica guarda calor, não carga elétrica
Uma bateria recebe eletricidade e devolve eletricidade. O armazenamento de energia térmica usa outra lógica: ele guarda o calor em uma substância, como a água, para liberar esse calor mais tarde. Em Vantaa, a água será usada como essa reserva.
Isso importa porque o calor pode ser usado diretamente pela rede urbana. Em vez de gerar tudo no instante de maior demanda, a cidade poderá recorrer a uma reserva de água quente que já recebeu energia em outro período.
A medida de 90 GWh mostra a quantidade de energia que poderá ficar guardada. Essa capacidade pode aquecer uma cidade finlandesa de porte médio por até um ano, dentro do uso previsto para a rede de aquecimento urbano.
Calor produzido no verão poderá servir à cidade no inverno
Vantaan Energia, empresa finlandesa responsável por energia e aquecimento urbano, detalhou que o Varanto poderá guardar calor produzido no verão para ser usado no inverno. A ideia é evitar que uma parte da energia disponível em um período fique sem uso quando a demanda estiver baixa.
O projeto prevê armazenar calor residual, nome dado ao calor que sobra de uma atividade e poderia ser perdido. Esse volume pode vir do tratamento térmico de resíduos, de processos que usam eletricidade em momentos de menor preço e de outras fontes de calor já existentes.
Duas caldeiras elétricas de 60 MW cada devem elevar a temperatura da água guardada. São equipamentos que usam eletricidade para aquecer a água e também podem fornecer calor diretamente à rede em períodos de menor custo da eletricidade.
Rede de aquecimento urbano leva água quente até prédios e casas
A rede de aquecimento urbano funciona com tubulações que levam água quente até os edifícios. Ela substitui parte do trabalho que seria feito por equipamentos separados em cada imóvel para produzir calor.
O Varanto foi planejado para alimentar essa rede em Vantaa. Quando a procura aumentar, o calor guardado nas cavernas poderá ser enviado ao sistema por meio das tubulações, ajudando a organizar o uso da energia ao longo das estações.
A reserva subterrânea não cria energia nova. Seu papel é guardar calor para uso posterior, reduzindo a necessidade de produzir tudo exatamente no período de maior consumo.
Brasil pode aproveitar calor industrial, mas não deve copiar a solução sem estudo
O projeto finlandês pode inspirar empresas brasileiras que descartam calor durante a produção. Em fábricas, o calor residual industrial pode sair de equipamentos e processos sem ser aproveitado outra vez.

Mas a estrutura de Vantaa não é uma cópia pronta para o Brasil. O frio intenso da Finlândia aumenta a necessidade de aquecer prédios por muitos meses, enquanto o clima e as cidades brasileiras exigem outro tipo de cálculo.
Para funcionar em território brasileiro, uma solução desse tipo precisaria avaliar onde o calor é gerado, quem poderá usar esse calor, a existência de rede de tubulações e a segurança do local de armazenamento. Em alguns casos, o uso do calor pode fazer mais sentido dentro da própria indústria ou em instalações próximas.
Com três cavernas, 1,1 milhão de m³ de espaço e 90 GWh de calor, Vantaa aposta em guardar energia quando ela está disponível para usar em outra época. A operação do Varanto está prevista para 2030.
Qual indústria brasileira mais ganharia ao guardar o calor que hoje perde? Comente e compartilhe.

