Energia em terra no Porto de Zeebrugge vai levar eletricidade diretamente ao navio, reduzir o uso de geradores a diesel durante a escala, diminuir fumaça e cheiro perto da cidade, atender dois cruzeiros ao mesmo tempo em 2027 e preparar o terminal para uma exigência europeia prevista para 2030, com menos emissões no cais
Em 26 de agosto de 2025, o Porto de Zeebrugge, na Bélgica, iniciou a obra de energia em terra que permitirá conectar dois navios de cruzeiro ao mesmo tempo a partir do primeiro semestre de 2027. As informações foram divulgadas por Port of Antwerp Bruges, autoridade portuária que administra os portos de Antuérpia e Bruges.
Um navio parado no cais não fica sem gastar energia. Cabines, cozinhas, refrigeração, iluminação e outros sistemas continuam funcionando durante toda a escala. Para manter essa estrutura ativa, embarcações usam geradores a diesel, mesmo sem navegar.
A nova instalação pretende mudar essa rotina no terminal da Zweedse Kaai. Em vez de produzir eletricidade dentro do navio, os cruzeiros poderão receber energia fornecida pelo próprio cais.
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Energia em terra leva eletricidade do porto até os sistemas do navio
A energia em terra permite que a embarcação seja ligada à rede elétrica enquanto está atracada. É como conectar o navio a uma grande tomada preparada para suportar o consumo de uma cidade flutuante.
Antes de chegar ao navio, a eletricidade passa por uma subestação. Essa estrutura ajusta a força correta da energia para que os sistemas de bordo funcionem sem risco de incompatibilidade.
A ligação será feita por um braço móvel instalado no cais. Depois da conexão, o navio poderá desligar os geradores usados durante a parada e utilizar a energia fornecida pelo porto.
Dois navios de cruzeiro poderão ser conectados no primeiro semestre de 2027
A obra está em andamento no terminal de cruzeiros da Zweedse Kaai, em Zeebrugge. Os primeiros navios poderão usar a estrutura no primeiro semestre de 2027.
A capacidade prevista é de atender dois navios de cruzeiro simultaneamente. Isso permite que mais de uma embarcação reduza a dependência dos geradores a diesel durante a escala.
O cronograma coloca o terminal três anos antes da obrigação europeia prevista para 2030. A exigência busca ampliar o uso de energia em terra em portos que recebem grandes embarcações.
Navio parado ainda queima diesel para manter a vida a bordo
O passageiro pode olhar para um cruzeiro atracado e imaginar que os motores estão desligados. Na prática, o navio ainda precisa de eletricidade para manter quartos, restaurantes, cozinhas, sistemas de refrigeração e equipamentos internos.
Os geradores a diesel atendem essa necessidade quando não existe uma ligação elétrica disponível no cais. Eles produzem energia, mas também liberam fumaça, cheiro e gases que afetam a área ao redor do terminal.
A energia em terra reduz esse problema no ponto onde o navio está atracado. A eletricidade deixa de ser gerada dentro da embarcação e passa a vir da estrutura instalada no porto.
Terminal da Zweedse Kaai concentra cerca de 5% das emissões de navios nos cais
A área da Zweedse Kaai responde por cerca de 5% das emissões de CO₂ de todos os navios atracados nos cais de Antuérpia e Zeebrugge. Esse volume vem dos cruzeiros que mantêm geradores a diesel ativos durante a permanência no porto.
Port of Antwerp Bruges, autoridade portuária que administra os portos de Antuérpia e Bruges, detalhou que a energia em terra pode eliminar as emissões dessas embarcações no próprio cais, além de reduzir fumaça, cheiro e incômodo visual para moradores, passageiros e tripulantes.

O percentual não representa todas as emissões portuárias da Bélgica. Ele se refere aos navios atracados nos cais de Antuérpia e Zeebrugge, onde a geração de eletricidade a diesel ainda faz parte da rotina de muitos cruzeiros.
Subestação e compatibilidade elétrica são partes decisivas da obra
A instalação não funciona apenas com um cabo ligado ao navio. O terminal precisa de uma subestação de alta tensão, equipamentos de segurança e uma conexão capaz de levar energia até a embarcação.
O navio também precisa aceitar a eletricidade recebida do cais. Tensão e frequência são características da rede elétrica que devem estar adequadas aos sistemas de bordo.
Esse detalhe explica por que a energia em terra exige mudança no porto e dentro do navio. A estrutura precisa funcionar de forma integrada para que os geradores possam ser desligados durante a escala.
O caso belga ajuda a entender o desafio dos portos brasileiros
Terminais brasileiros de cruzeiros e carga também precisariam de rede elétrica preparada, subestação, equipamentos de conexão e navios compatíveis para usar energia em terra.
A tecnologia não é uma solução automática para qualquer porto. Cada terminal precisa avaliar a capacidade da sua rede, o tipo de embarcação recebido e a estrutura necessária para atender escalas sem interromper a operação.
Em Zeebrugge, a obra ainda não está concluída. A primeira conexão está prevista para o primeiro semestre de 2027, quando dois navios de cruzeiro poderão receber eletricidade do cais ao mesmo tempo.
A iniciativa mostra que a redução de poluição portuária não depende apenas de trocar combustíveis. Levar energia até o navio durante a parada pode reduzir fumaça, cheiro e emissões em áreas próximas de cidades.
Você acredita que os grandes portos brasileiros deveriam investir em energia em terra para reduzir a fumaça de navios perto de moradores e trabalhadores? Compartilhe sua opinião nos comentários.

