Pela primeira vez na história, a energia solar e eólica forneceram mais eletricidade do que todo o crescimento da demanda global em 2025 — e a geração fóssil caiu pela primeira vez em um século
Em 2025, algo aconteceu pela primeira vez na história da energia renovável: a eletricidade gerada por fontes solares e eólicas superou 100% de todo o crescimento da demanda global.
Além disso, segundo relatório da Ember publicado em 21 de abril de 2026, as renováveis forneceram 109% do aumento da demanda — sobrando energia limpa suficiente para que a geração fóssil global recuasse pela primeira vez neste século.
Na prática, a energia renovável não apenas acompanhou o crescimento do consumo mundial. Dessa forma, ela ultrapassou e começou a empurrar carvão, gás e petróleo para trás.
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Os números que marcam o ponto de virada da energia renovável
O relatório “Global Electricity Review 2025” da Ember analisou dados de 215 países, cobrindo 93% da demanda global de eletricidade.
Consequentemente, os dados mostram que a geração de energia renovável atingiu 33,8% de toda a eletricidade mundial em 2025 — um recorde histórico.
A energia solar liderou: cresceu 30% em um único ano e adicionou 600 TWh de geração — a maior expansão já registrada por qualquer tecnologia de energia em um único ano.
- Renováveis em 2025: 33,8% da eletricidade global (recorde)
- Solar + eólica: forneceram 109% do crescimento da demanda
- Solar sozinha: +600 TWh em 2025 (maior expansão de qualquer fonte na história)
- Carvão: caiu abaixo de 33% — menor participação em 100 anos
- Capacidade instalada renovável global: 49% do total (quase metade)
- Adição de baterias: 110 GW — superou recorde histórico de novas usinas a gás
Para ter uma ideia da escala, a energia renovável instalada globalmente atingiu 49% de toda a capacidade elétrica — praticamente metade. Em um mundo de 5.149 GW renováveis, a era fóssil começa a parecer a exceção, não a regra.
China e Índia derrubaram emissões fósseis ao mesmo tempo — pela primeira vez
O dado mais surpreendente do relatório é que China e Índia — os dois países mais populosos e historicamente maiores emissores de CO₂ do setor elétrico — reduziram sua geração fóssil simultaneamente pela primeira vez na história.
A China derrubou 0,9% de sua geração fóssil. A Índia cortou 3,3%.
Em comparação, esses dois países juntos representam mais de um terço de toda a demanda elétrica global. Por isso, quando ambos recuam ao mesmo tempo, o impacto no balanço global é imediato.
Na Califórnia, baterias gigantes já fornecem 42,8% da eletricidade quando o sol se põe — outro sinal de que a transição está acelerando nas maiores economias.
110 GW de baterias: a peça que faltava para a energia renovável funcionar de noite
Um dos argumentos mais usados contra a energia renovável sempre foi a intermitência: o sol não brilha de noite, o vento nem sempre sopra.
Em 2025, o mundo adicionou 110 GW de baterias — mais do que qualquer ano de novas usinas a gás natural na história.
Além disso, o custo das baterias caiu 45%, tornando o armazenamento economicamente viável pela primeira vez em escala massiva.
Consequentemente, países como China e Austrália já operam redes onde a solar gera durante o dia e as baterias distribuem à noite — eliminando a dependência do gás como “backup”.

Na América Latina, a energia renovável cresceu 2,5 vezes mais que a demanda
A América Latina e o Caribe tiveram desempenho ainda mais expressivo que a média global.
Na região, solar e eólica adicionaram 39 TWh de geração em 2025 — 2,5 vezes mais do que o crescimento da demanda elétrica de 16 TWh.
Ou seja, a energia renovável na região não só cobriu toda a demanda nova como substituiu parte da geração fóssil existente.
Para o Brasil, que já tem uma das matrizes mais limpas do mundo graças à hidroeletricidade, a adição de solar e eólica diversifica ainda mais o mix — reduzindo a vulnerabilidade a secas que afetam represas.
O que isso significa para quem paga conta de luz
Para o consumidor final, o avanço da energia renovável tem consequências diretas no bolso. Por exemplo, quanto mais solar e eólica entram no sistema, menor a necessidade de acionar termelétricas a gás e carvão — que são mais caras.
No Brasil, esse efeito já é visível: quando os reservatórios estão cheios e a geração eólica e solar está alta, a bandeira tarifária fica verde — sem custo adicional na conta.
Em comparação, países europeus que ainda dependem fortemente de gás natural viram suas contas de energia dispararem durante a crise de 2022. Dessa forma, a energia renovável não é apenas uma questão ambiental — é uma questão de segurança econômica.
De acordo com a Eco/Sapo, o crescimento recorde da solar foi determinante para conter a demanda por eletricidade fóssil em 2025.
Além disso, a tendência se conecta diretamente ao que acontece nos Estados Unidos, onde 99% de toda nova capacidade elétrica em 2026 será renovável.
As ressalvas que a própria Ember faz questão de destacar
Apesar do marco histórico, o relatório alerta para limitações importantes.
Em primeiro lugar, eletricidade representa apenas uma fração do consumo total de energia global. Transportes (navios, aviões, caminhões) e indústria pesada ainda dependem massivamente de fósseis.
Além disso, a capacidade instalada de energia renovável (49%) é muito maior que a geração efetiva (33,8%) — porque solar e eólica não produzem 24 horas por dia.
Por outro lado, a concentração geográfica preocupa: China, EUA e União Europeia juntos respondem por 79,5% de todas as adições renováveis. Países em desenvolvimento ficam para trás.
Mesmo assim, o diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, resumiu: “Ao final de 2025, as renováveis representavam 49% da capacidade elétrica global instalada e 85,6% de todas as adições anuais.”
De acordo com a Ember, a solar deve ultrapassar nuclear, hidro e eólica já em 2026, gás em 2031 e carvão em 2033 — tornando-se a maior fonte de eletricidade do planeta.
A pergunta que fica: se as renováveis já fornecem mais que todo o crescimento da demanda, quanto tempo até os fósseis serem apenas uma memória do século passado?

As concessionárias de energia elétrica, como toda empresa particular, entraram no sistema com o objetivo de ganhar dinheiro e, como nosso sistema reguladouro deve ser ****, elas buscarão sempre formas de continuar aumentando seus lucros e o aumento na utilização das linhas de transmissão reflete justamente isso. Se por um lado perde na venda de energia, compensa ou aumenta seus ganhos extorquindo o consumidor final.
Você captura a lógica do mercado, Janio. As distribuidoras têm rentabilidade regulada por contrato, e qualquer queda na receita por compensação solar tende a ser repassada via tarifa ao restante dos consumidores. É efeito previsível do desenho de incentivo. Reformular a regulação para que o consumidor solar não seja punido implicitamente é o desafio em discussão na ANEEL.
O problema está na transmissão dessa energia. Cadê os investimentos nas redes de distribuição?? É absurdo o fato de está sendo gerado mais energia que demanda, que por falta de linhas de estrutura haja interrupção de geração e perdas, ao invés de ganhos.
É como tratar a água tornando a potável mas sem tudos que a levem às casas, boa parte dela seja jogada fora!
Analogia perfeita, Bruno — é exatamente assim. A transmissão é o calcanhar de Aquiles do sistema brasileiro. Geramos energia limpa em recordes históricos no NE e despachamos térmicas caras no SE porque a “tubulação” não dá conta. Os leilões de transmissão de 2024-2025 começaram a destravar, mas o gap entre geração instalada e capacidade de transporte ainda é enorme.
A única mentira na matéria é que quem usa energia solar tem economia, eu tenho energia solar, produzo mais que uso e as tarifas de uso de fio em menos de um ano passaram de R$18,00 tarifa minima, para quase R$ 100,00 no mês passado, ou seja, nesse ritmo eu pago o sistema solar, produzo e volto a pagar o mesmo valor que eu pagava a 1 anos atrás que era uma média de R$ 350,00 por mês. Brasil é um país de M. Os governantes só pensam em si, o povo luta de todo jeito e quando tem alguma coisa boa, eles vão lá e acabam abocanhando a fatia deles e lascando a população.
Vargas, seu relato é muito importante e mostra um lado que os dados globais não capturam. O crescimento da tarifa de uso do fio de distribuição (TUSD) tem sido uma reclamação recorrente de quem investiu em energia solar no Brasil. Mesmo produzindo mais do que consome, o custo da disponibilidade e as mudanças no marco regulatório (Lei 14.300/2022) alteraram as regras para quem entrou no sistema. É um ponto que merece mais cobertura, obrigado por compartilhar sua experiência real.
Não é mentira. As distribuidoras de energia no Brasil é que está roubando os consumidores que instalaram fotovoltaica em suas residências, nos estados do Norte principalmente. Você tem que fazer a reclamação na ANAEEL.
Essas empresas estavam vendo o faturamento cair e resolveram roubar. A ANAEEL por sua vez concedeu aumento acima da inflação a partir deste mês. Só os protestos dos consumidores podem frear a escalada da roubalheira.
Você toca no ponto crítico, Eloi. A revisão tarifária da ANEEL no Norte/Nordeste gerou reclamações fortes dos micro-geradores. A Lei 14.300/22 estabeleceu a transição da compensação integral para um modelo de pagamento parcial pelo uso da rede, e o consumidor solar acabou no meio. Os canais formais (ANEEL e Procon) seguem sendo o caminho mais efetivo de reclamação.