Sistema de monitoramento ajuda a prever riscos em obras públicas, reduzir desperdício público e fortalecer a gestão pública da infraestrutura.
O Brasil pode estar diante de uma nova estratégia para enfrentar um problema histórico das obras públicas. Pesquisadores do Centro Universitário FEI desenvolveram um sistema capaz de emitir alertas antes que empreendimentos sejam interrompidos ou abandonados. A ferramenta cruza dados financeiros e indicadores sociais para apoiar decisões mais eficientes, reduzir o desperdício público e melhorar o planejamento da infraestrutura.
Segundo matéria publicada pela VEJA no dia 2 de julho de 2026, o estudo foi conduzido por Marco Antonio Portugal e Gabriela Scur, do Programa de Pós-Graduação em Administração da FEI. A pesquisa utilizou cerca de 46 mil documentos do Tribunal de Contas da União (TCU) e revelou que aproximadamente 87% dos contratos analisados apresentavam sinais de atraso, estagnação ou distorções entre custos previstos e cronogramas.
Novo sistema identifica riscos antes da paralisação das obras públicas
O principal diferencial da ferramenta é sua capacidade de atuar de forma preventiva. Em vez de apontar problemas quando uma obra já foi interrompida, o sistema identifica sinais de alerta que indicam maior probabilidade de paralisação.
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Para isso, o sistema cruza dados financeiros com indicadores socioambientais, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
A partir dessa análise é criado um ranking que mostra quais obras públicas exigem maior atenção dos gestores, permitindo intervenções antes que o cenário se agrave. Essa abordagem fortalece a gestão pública, melhora o planejamento da infraestrutura e ajuda a reduzir o desperdício público.
Análise de 46 mil documentos revelou um cenário preocupante
Para desenvolver o modelo, Marco Antonio Portugal e Gabriela Scur analisaram uma extensa base de dados disponibilizada pelo Tribunal de Contas da União. Ao todo, foram avaliados cerca de 46 mil documentos, contendo informações sobre contratos públicos de diferentes áreas.
O levantamento mostrou que aproximadamente 87% dos contratos apresentavam algum indício de atraso, paralisação, estagnação ou diferenças significativas entre o orçamento previsto e o cronograma original. Esses resultados reforçam a importância de utilizar ferramentas capazes de identificar problemas antes que eles provoquem impactos maiores sobre a execução dos projetos.
Gestão pública ganha uma ferramenta para reduzir desperdício público
Um dos pontos mais relevantes da pesquisa foi mostrar que a interrupção de obras públicas nem sempre ocorre apenas pela falta de recursos financeiros.
Segundo a análise conduzida pelos pesquisadores da FEI, problemas ligados à governança, à coordenação entre órgãos públicos e à gestão contratual também estão entre os principais fatores que favorecem a paralisação dos empreendimentos.
Com apoio da inteligência artificial, esses sinais podem ser identificados antecipadamente. Na prática, isso permite que a gestão pública corrija falhas antes que elas gerem prejuízos maiores ou ampliem o desperdício público.
Como funciona a matriz que define as prioridades
O sistema utiliza uma matriz de priorização para avaliar quais empreendimentos precisam de atenção imediata. O modelo considera diversos fatores ao mesmo tempo, tornando a análise mais completa e estratégica.
Entre os principais critérios estão:
- situação financeira dos contratos;
- Índice de Desenvolvimento Humano (IDH);
- Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS);
- impacto social da obra;
- histórico de atrasos;
- indicadores de execução contratual.
Após o cruzamento dessas informações, o sistema gera um ranking das obras públicas com maior risco de paralisação. Essa classificação ajuda a direcionar investimentos em infraestrutura de maneira mais eficiente.
Infraestrutura pode ganhar planejamento mais eficiente com novo sistema
Além de apoiar a fiscalização, a tecnologia também pode melhorar o planejamento das políticas públicas. Ao identificar riscos com antecedência, gestores conseguem reorganizar cronogramas, revisar contratos e priorizar empreendimentos que possuem maior impacto para a população.
Esse tipo de monitoramento favorece uma aplicação mais racional dos recursos destinados à infraestrutura. Ao mesmo tempo, fortalece a gestão pública, reduz o desperdício público e aumenta as chances de conclusão das obras públicas.
Benefícios vão além da economia de recursos
Embora a redução de custos seja um dos principais resultados esperados, os ganhos podem ser ainda maiores. Entre os benefícios apontados pela pesquisa estão:
- maior eficiência administrativa;
- fortalecimento da fiscalização preventiva;
- melhor definição de prioridades;
- maior transparência dos contratos;
- redução de atrasos;
- otimização dos investimentos públicos.
Todos esses fatores contribuem para diminuir o desperdício público e tornar as obras públicas mais eficientes.
Novo sistema acompanha uma tendência mundial na administração pública
Diversos países vêm utilizando análise de dados e inteligência artificial para aperfeiçoar a administração pública. O estudo desenvolvido pela FEI mostra que esse tipo de tecnologia também pode ser aplicado à realidade brasileira.
Ao utilizar dados já disponíveis em órgãos de controle, o sistema amplia a capacidade de monitoramento das obras públicas sem depender apenas de inspeções presenciais. Isso representa um avanço importante para a gestão pública, especialmente em projetos de infraestrutura de grande porte.
Um avanço que pode mudar o futuro das obras públicas
O trabalho desenvolvido por Marco Antonio Portugal e Gabriela Scur mostra que o uso estratégico de dados pode transformar a forma como o poder público acompanha grandes empreendimentos. Ao analisar aproximadamente 46 mil documentos e identificar indícios presentes em cerca de 87% dos contratos, a pesquisa demonstra que muitos problemas podem ser percebidos antes da paralisação oficial das obras.
Se adotada por prefeituras, governos estaduais, ministérios e outros órgãos públicos, a ferramenta tem potencial para fortalecer a gestão pública, reduzir o desperdício público, tornar os investimentos em infraestrutura mais eficientes e aumentar as chances de conclusão das obras públicas por meio do monitoramento preventivo.

