A transição energética ocupa posição central na agenda da União Europeia há mais de duas décadas.
Desde o início dos anos 2000, o bloco passou a estruturar políticas públicas voltadas à redução de emissões, à diversificação da matriz e ao fortalecimento da segurança energética. Nesse percurso, a energia renovável assumiu papel estratégico, tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico.
Em 2024, esse esforço apresentou novos resultados. Segundo dados oficiais divulgados pelo Eurostat, 25,2% de toda a energia consumida na União Europeia teve origem em fontes renováveis, um avanço de 0,7 ponto percentual em relação a 2023. Embora o crescimento confirme uma trajetória positiva, ele também evidencia um desafio relevante. O índice ainda permanece 17,3 pontos percentuais abaixo da meta estabelecida para 2030.
De acordo com a diretiva europeia para a promoção da utilização de energia proveniente de fontes renováveis, a UE pretende que 42,5% do consumo final bruto de energia venha dessas fontes até o fim da década, com a possibilidade de elevar o objetivo para 45%. Portanto, o ritmo atual, embora consistente, exige aceleração significativa.
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Energia e a evolução das políticas europeias
Para entender o atual estágio da energia renovável na UE, é importante observar o contexto histórico. Em 2009, o bloco aprovou a primeira diretiva abrangente sobre renováveis, estabelecendo metas obrigatórias para os Estados-membros. Desde então, revisões sucessivas elevaram as ambições climáticas, especialmente após o Acordo de Paris, em 2015.
Segundo a Comissão Europeia, a revisão mais recente da diretiva aumentou a meta de renováveis de 32% para 42,5% até 2030. Essa mudança reflete não apenas preocupações ambientais, mas também fatores geopolíticos. A crise energética europeia dos últimos anos reforçou a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, especialmente gás e petróleo.
Apesar disso, os dados mais recentes mostram que o avanço ocorre de forma desigual entre os países do bloco. Enquanto alguns Estados já operam com elevada participação de energia renovável, outros ainda enfrentam entraves estruturais, regulatórios e econômicos.
Diferenças entre os países da União Europeia
Entre os países da UE, a Suécia lidera com ampla margem. Segundo o Eurostat, 62,8% do consumo final bruto de energia no país em 2024 teve origem em fontes renováveis. Esse resultado decorre, sobretudo, do uso intensivo de biomassa sólida, energia hídrica e vento, fontes historicamente integradas à matriz sueca.
Logo atrás, a Finlândia alcançou 52,1%, com perfil semelhante, baseado em biomassa, hidrelétricas e energia eólica. Já a Dinamarca aparece em terceiro lugar, com 46,8%, impulsionada principalmente pela biomassa, pelo vento e pelo biogás. Esses países demonstram como políticas consistentes de longo prazo podem transformar a matriz energética.
Em contraste, alguns Estados-membros ainda apresentam participação reduzida de energia renovável. Bélgica, Luxemburgo e Irlanda registraram as menores percentagens, com 14,3%, 14,7% e 16,1%, respectivamente. Segundo especialistas do setor energético europeu, esses números refletem limitações territoriais, maior dependência de fontes fósseis e desafios na expansão das infraestruturas.
O posicionamento de Portugal no cenário europeu
Portugal aparece em posição intermediária, mas relevante. Segundo o Eurostat, o país ocupa o sétimo lugar no ranking da União Europeia, com 36,3% do consumo de energia proveniente de fontes renováveis em 2024. Esse desempenho coloca Portugal no primeiro terço da tabela.
Historicamente, Portugal investiu de forma consistente em energia renovável, especialmente em hidrelétricas, eólica e, mais recentemente, solar. Segundo dados do governo português, políticas de incentivo e leilões competitivos contribuíram para ampliar a capacidade instalada e reduzir custos.
Ainda assim, o desafio permanece, pois o avanço percentual precisa se manter ao longo dos próximos anos para acompanhar o aumento das metas europeias e o crescimento da demanda energética.
Energia renovável e o desafio dos próximos seis anos
Ao observar os números de forma agregada, o desafio da União Europeia se torna evidente. Para cumprir a meta de 2030, os países do bloco precisam aumentar a participação de energia renovável no consumo final bruto em mais de 17 pontos percentuais em apenas seis anos.
Segundo a Comissão Europeia, esse esforço exigirá não apenas expansão da capacidade instalada, mas também modernização das redes elétricas, investimentos em armazenamento e integração entre países. Sem essas medidas, o crescimento tende a perder ritmo, mesmo com abundância de recursos renováveis.
Além disso, fatores econômicos influenciam o avanço. Custos de financiamento, inflação e mudanças regulatórias afetam decisões de investimento. Segundo a Agência Internacional de Energia, políticas estáveis e previsíveis são essenciais para sustentar a expansão da energia renovável em escala.
Energia como eixo estratégico da transição europeia
Apesar dos desafios, o avanço registrado em 2024 confirma que a energia renovável segue como pilar central da estratégia europeia. O crescimento de 0,7 ponto percentual em um único ano demonstra resiliência, mesmo em um cenário econômico e geopolítico complexo.
Ao mesmo tempo, os dados do Eurostat funcionam como um alerta. A distância até a meta de 2030 exige aceleração, coordenação e decisões estruturais. A transição energética da UE entra, portanto, em uma fase decisiva, na qual o foco deixa de ser apenas expansão e passa a envolver integração, eficiência e governança.
Assim, a energia renovável continua avançando na União Europeia, mas o caminho até 2030 exigirá mais do que progresso gradual. Será necessário transformar ambição política em execução concreta, garantindo que o crescimento observado nos últimos anos se converta em uma matriz energética mais limpa, segura e resiliente para todo o bloco.

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