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Nos Estados Unidos, 99% de toda nova capacidade elétrica em 2026 será de energia solar, eólica e baterias — são 86 GW num único ano, o maior salto desde 2002, e o gás natural ficou com apenas 7%

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 19/04/2026 às 18:45
Usina solar de grande escala no Texas com milhares de painéis
O Texas concentra 40% de toda nova capacidade solar dos EUA em 2026, incluindo o maior projeto do ano: Tehuacana Creek com 837 MW
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A EIA projetou que os EUA vão adicionar 86 GW de nova capacidade em 2026 — o maior aumento anual em mais de duas décadas — e apenas 7% será de gás natural, com solar dominando 51% e baterias ultrapassando eólica pela primeira vez na história americana

Há uma revolução silenciosa acontecendo nos Estados Unidos.

De toda a nova capacidade elétrica que será instalada em 2026, 99% virá de fontes renováveis e baterias.

São 86 gigawatts (GW) de nova geração num único ano.

É o maior aumento anual desde 2002 — há mais de duas décadas.

E o gás natural — que durante décadas dominou as adições de capacidade americana — ficou com apenas 7% do total, equivalente a 6,3 GW.

Os dados foram publicados pela EIA (US Energy Information Administration) em 20 de fevereiro de 2026.

Para ter uma ideia da escala, 86 GW num único ano é o suficiente para abastecer toda a Espanha — um país de 47 milhões de habitantes.

Essa projeção marca o momento em que a transição energética americana deixou de ser promessa e se tornou fato consumado nos números.

Contêineres de baterias BESS ao lado de usina solar no Texas
Baterias de armazenamento representam 28% das adições em 2026 — 24,3 GW — e pela primeira vez ultrapassaram a eólica em novas instalações anuais

Como os 86 GW se dividem entre as fontes

A distribuição mostra uma mudança estrutural no setor elétrico americano que poucos previam há 10 anos:

  • Solar fotovoltaica: 43,4 GW (51% do total) — aumento de 60% sobre os 27,2 GW de 2025
  • Baterias (BESS): 24,3 GW (28%) — recorde absoluto, superando os 15 GW de 2025
  • Eólica: 11,8 GW (14%) — mais que o dobro de 2025, incluindo projetos offshore inéditos
  • Gás natural: 6,3 GW (7%) — sendo 3,3 GW ciclo combinado e 2,8 GW turbinas simples

Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, baterias ultrapassaram a eólica em adições anuais de capacidade.

Isso sinaliza que o armazenamento de energia deixou de ser acessório e se tornou protagonista absoluto da transição energética americana.

Além disso, a capacidade total de baterias nos EUA agora supera 40 GW, após cinco anos consecutivos de crescimento exponencial.

Texas lidera com 40% do solar e 53% das baterias

O estado que mais recebe energia nova não é a ensolarada Califórnia — é o Texas.

Ele concentra 40% de toda a capacidade solar e impressionantes 53% de todas as baterias instaladas no país em 2026.

O Texas tem duas vantagens: terreno abundante e barato com sol intenso, além de regulação que facilita a conexão rápida de novos projetos à rede elétrica.

O maior projeto solar dos EUA em 2026 fica justamente no Texas: o Tehuacana Creek 1, em Navarro County, com 837 MW solares + 418 MW de baterias, desenvolvido pela Solar Proponent.

Só esse projeto sozinho equivale a uma usina nuclear de médio porte.

Outros destaques incluem o Lunis Creek BESS em Jackson, Texas (621 MW de baterias puras), e o Clear Fork Creek Solar + BESS em Wilson County (600 MW combinados).

Junto com Califórnia (14% das baterias, 3,4 GW) e Arizona (13%, 3,2 GW), esses três estados concentram 80% de toda a capacidade de baterias dos EUA.

Turbinas eólicas offshore no Atlântico ao largo de Massachusetts
Vineyard Wind 1 (800 MW) e Revolution Wind (715 MW) devem finalmente entrar em operação em 2026, após atrasos que adiaram os dois maiores projetos eólicos offshore americanos

Eólica offshore finalmente sai do papel nos EUA

Dois mega projetos eólicos offshore que sofreram anos de atrasos finalmente devem entrar em operação em 2026:

  • Vineyard Wind 1 (Massachusetts): 800 MW — será o primeiro parque eólico de grande escala dos EUA
  • Revolution Wind (Rhode Island): 715 MW — segundo maior projeto offshore do país

Juntos, representam 1.515 MW de energia eólica marítima.

É o início de uma indústria que a Europa já domina há mais de uma década, com países como Reino Unido, Dinamarca e Alemanha liderando.

Além disso, o SunZia Wind no Novo México, com 3.650 MW, será o maior parque eólico onshore dos Estados Unidos quando estiver completo — superando qualquer instalação existente no país.

De menos de 1% para 17% em 20 anos

Nos últimos 20 anos, a participação de solar e eólica na geração elétrica americana saiu de menos de 1% para 17%.

Em números absolutos, solar e eólica juntas geraram 760.000 GWh de eletricidade em 2025.

Em janeiro de 2026, as renováveis já representavam mais de 25% de toda a eletricidade gerada e 36% de toda a capacidade instalada nos Estados Unidos.

É uma transformação que aconteceu mais rápido do que a maioria dos analistas previa no início dos anos 2010.

A projeção de 86 GW em 2026 não é um salto isolado — é a aceleração de uma tendência estrutural de duas décadas.

Por que 99% renovável nos EUA importa para o Brasil

Os Estados Unidos são o segundo maior consumidor de energia do planeta, atrás apenas da China.

Quando o segundo maior mercado do mundo decide que 99% da nova capacidade será limpa, isso envia um sinal inequívoco para investidores e fabricantes globais.

A escala americana pressiona os custos para baixo em todo o mundo.

Quanto mais painéis solares e baterias os EUA compram, mais barato fica para o Brasil, a Índia e outros países em desenvolvimento adotarem a mesma tecnologia.

Além disso, as empresas americanas de baterias e solar estabelecem cadeias de suprimento que depois são replicadas globalmente.

Centro de controle da rede elétrica americana
Em janeiro de 2026, renováveis já representavam mais de 25% da eletricidade gerada e 36% da capacidade instalada nos EUA

Ressalvas

As projeções da EIA são estimativas condicionais — “if realized”, como a própria agência destaca em seus relatórios oficiais.

Projetos de eólica offshore já sofreram atrasos significativos antes, e não há garantia de que Vineyard Wind e Revolution Wind cumpram o cronograma em 2026.

Além disso, gás natural ainda adiciona 6,3 GW, e a rede como um todo ainda depende fortemente de fósseis para a geração existente.

Carvão e gás natural juntos ainda representam a maioria da eletricidade efetivamente consumida pelos americanos.

Incertezas políticas também podem afetar o ritmo de novas instalações em anos futuros.

Contudo, análises recentes mostram que 60% mais renováveis estão sendo adicionadas em 2026 em comparação ao ano anterior — sugerindo que a tendência é econômica e estrutural, não apenas política.

Ainda assim, 86 GW num único ano — com 99% limpos — é uma mudança que nenhuma política consegue reverter facilmente, porque a economia das renováveis já venceu a dos combustíveis fósseis em custo por megawatt-hora na maioria dos mercados americanos.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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